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Publicado em 03 de Agosto às 14:31:59

CAGED (Jun/26): Mercado de trabalho segue aquecido, com sinais graduais de moderação

Em junho, o Caged registrou criação líquida de 145,2 mil postos formais de trabalho, vindo acima da expectativa mediana das projeções de mercado (110,0 mil, Broadcast+) e do que a nossa estimativa para o mês de saldo positivo em 97,5 mil. Com isso, o Caged interrompe dois meses consecutivos de surpresas baixistas em sua divulgação, corroborando a nossa análise de que mesmo durante esse período o mercado de trabalho permaneceu resiliente, com criações líquidas positivas disseminadas entre os setores e uma razão entre salário de admissão e demissão ainda elevado para padrões históricos. Com o resultado de hoje, na série com ajuste sazonal, o saldo líquido avançou de 43,0 mil para 75,9 mil, sinalizando uma recuperação do mercado de trabalho no final do segundo trimestre.

Em junho, os cinco grupamentos de atividade registraram saldos positivos no mês. Os destaques ficaram por conta do setor de Serviços (74,5 mil); com destaque para serviços de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (33,6 mil). Além disso, saldos positivos puderam ser observados na agropecuária (22,9 mil), comércio (19,2 mil), indústria (14,4 mil) e construção civil (14,1 mil).

O resultado do mês foi derivado da combinação entre a admissão de 2,22 milhões e o desligamento de 2,07 milhões de trabalhadores. No acumulado em 12 meses, houve criação de 942,9 mil postos de trabalho, ficando abaixo do 964,3 milhão acumulado em 12 meses até mai/26, marcando a terceira leitura consecutiva de desaceleração nessa métrica. No ano acumulado do ano, houve a criação de 899,9 mil novos postos de trabalho e configura o segundo menor resultado para o mês desde 2020. Dessa forma, avaliamos que o nosso diagnóstico sobre o mercado de trabalho segue inalterado: mesmo em um ambiente de política monetária significativamente contracionista, o mercado de trabalho dá sinais de resiliência apresentando apenas um arrefecimento bastante gradual ao longo do primeiro semestre de 2026.

Em relação ao salário médio de admissão, houve variação real de 1,2% a/a, ao registrar o patamar de R$ 2.404,34 em jun/26, ante R$ 2.376,95 no mesmo mês do ano anterior.  Já o salário médio de demissão variou 1,1% a/a, ao registrar o patamar de R$ 2.507,07 em maio/26, ante R$ 2.479,01 no mesmo mês do ano anterior. Com isso, a média móvel trimestral da razão entre salário de admissão e de demissão (indicador amplamente utilizado para aferir o grau de aperto do mercado de trabalho) ficou estável no patamar de 96,1%, sinalizando resiliência do mercado de trabalho ao longo do mês.

Além disso, a média móvel trimestral da taxa de pedidos de desligamento voluntário, outro indicador utilizado para aferir o grau de aperto no mercado de trabalho – recuou 0,35 p.p., dando continuidade ao movimento iniciado em abril de arrefecimento desta métrica. Nesse sentido, avaliamos que os dados de maio reforçam o diagnóstico de resiliência do mercado de trabalho neste início de ano com um arrefecimento que tende a ser bastante gradual. Com isso, mantemos nossa projeção de criação líquida de 1,05 milhão de postos formais em 2026.

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