Em maio, o CAGED registrou criação líquida de 73,0 mil postos formais de trabalho, vindo abaixo da mediana das projeções (+120 mil, Broadcast+) e da nossa projeção (+99,2 mil). Apesar de o resultado ter sido mais fraco do que o esperado, a combinação entre saldo positivo disseminado, salários reais de admissão em alta e razão salário de admissão/demissão ainda elevada sustenta a visão de um mercado de trabalho apertado e é consistente com a hipótese de que o processo de moderação deve ocorrer de maneira bastante gradual em 2026.
Em maio, os cinco grupamentos de atividade registraram saldos positivos no mês. Os destaques ficaram por conta do setor de Serviços (45,7 mil); com destaque para Administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (21,0 mil) e Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (12,2 mil); Construção (12,1 mil); Agropecuária (10,2 mil) e Indústria (5,0 mil).
O resultado do mês foi derivado da combinação entre a admissão de 2,21 milhões e o desligamento de 2,14 milhões de trabalhadores. Na série com ajustes, houve criação de 973,3 mil postos de trabalho no acumulado em 12 meses, ficando abaixo do 1,1 milhão acumulado em 12 meses até abr/26. No ano acumulado do ano, houve a criação de 767,3 mil novos postos de trabalho e configura o segundo menor resultado para o mês desde 2020. Dessa forma, avaliamos que o nosso diagnóstico sobre o mercado de trabalho segue inalterado: mesmo em um ambiente de política monetária significativamente contracionista, o mercado de trabalho deve se manter resiliente ao longo de 2026, apresentando um arrefecimento bastante gradual.
Em relação ao salário médio de admissão, houve variação real de 1,53% a/a, ao registrar o patamar de R$ 2.384,10 em mai/26, ante R$ 2.348,12 no mesmo mês do ano anterior. Já o salário médio de demissão variou 1,67% a/a, ao registrar o patamar de R$ 2.474,14 em maio/26, ante R$ 2.433,45 no mesmo mês do ano anterior. Com isso, a média móvel trimestral da razão entre salário de admissão e de demissão (indicador amplamente utilizado para aferir o grau de aperto do mercado de trabalho) voltou a avançar com aumento de 0,18 p.p. entre abril e maio, para 96,11%.
Além disso, a média móvel trimestral da taxa de pedidos de desligamento voluntário, outro indicador utilizado para aferir o grau de aperto no mercado de trabalho – recuou 0,27 p.p., dando continuidade em relação ao movimento observado no mês de abril, para 36,7%. O resultado sinaliza algum arrefecimento na margem. Nesse sentido, avaliamos que os dados de maio reforçam o diagnóstico de resiliência do mercado de trabalho neste início de ano. Com isso, mantemos nossa projeção de criação líquida de 1,05 milhão de postos formais em 2026, em linha com um processo de arrefecimento bastante gradual do mercado de trabalho ao longo do período.







