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Publicado em 29 de Abril às 17:36:46

CAGED (Mar/26): Resultado surpreende em março e reforça resiliência do mercado de trabalho

Em março, o CAGED registrou criação líquida de 228,2 mil postos de trabalho formais, resultado que veio acima do teto das expectativas do mercado (220,0 mil, Broadcast+), e superando nossa projeção de 138,7 mil. Assim, o primeiro trimestre do ano se encerra com criação líquida de 631,4 mil postos de trabalho, revertendo a forte surpresa negativa observada em dez/25 (-618,2 mil).  A leitura reforça o cenário de um início de ano com mercado de trabalho apertado e é consistente com a hipótese de que o processo de moderação deve ocorrer de maneira bastante gradual em 2026. Apesar da surpresa positiva no headline a série com ajuste sazonal sugere um arrefecimento gradual, a métrica saiu de 87,81 mil em fev/26 para 77,8 mil em mar/26.

Em março, quatro dos cinco grupamentos de atividade registraram saldos positivos no mês. Os destaques ficaram por conta do setor de Serviços (+152,4 mil postos); com destaque para Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (57,0 mil) e Administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (50,2 mil); Construção (38,3 mil); Indústria (28,3 mil); e Comércio (27,3 mil) postos de trabalho formais. A ponta negativa ficou por conta de Agropecuária (-18,01 mil).

O resultado do mês foi derivado da combinação entre a admissão de 2,53 milhões e o desligamento de 2,30 milhões de trabalhadores. Na série com ajustes, houve criação líquida de 1,21 mi de postos de trabalho no acumulado em 12 meses, ficando acima do 1,05 mi acumulado até fev/26. Dessa forma, avaliamos que o nosso diagnóstico sobre o mercado de trabalho segue inalterado: mesmo em um ambiente de política monetária significativamente contracionista, o mercado de trabalho deve se manter resiliente ao longo de 2026, apresentando um arrefecimento bastante gradual.

Em relação ao salário médio de admissão, houve variação real de 1,81% a/a, ao registrar o patamar de R$ 2.350,83 em mar/26, ante R$ 2.309,03 no mesmo mês do ano anterior. Já o salário médio de demissão variou 2,67% a/a, ficando em R$ 2.454,07. Com isso, a média móvel trimestral da razão entre salário de admissão e de demissão – indicador amplamente utilizado para aferir o grau de aperto do mercado de trabalho – avançou 0,1 p.p. entre fevereiro e março, para 96,8%, o maior patamar desde mar/25, dando continuidade ao movimento observado no mês passado, dando suporte à expectativa de resiliência do mercado de trabalho ao longo do ano.

Além disso, a média móvel trimestral da taxa de pedidos de desligamento voluntário, outro indicador utilizado para aferir o grau de aperto no mercado de trabalho – avançou 2,2 p.p., dando continuidade à alta observada na leitura de fevereiro, ficando no patamar de 37,6% e sinaliza mais uma recuperação desse indicador que vinha sofrendo com quedas no final do ano passado. Nesse sentido, avaliamos que os dados de março reforçam o diagnóstico de resiliência do mercado de trabalho neste início de ano. Com isso, passamos a projetar criação líquida de 1,05 milhão de postos formais em 2026, em linha com um processo de arrefecimento bastante gradual do mercado de trabalho ao longo do período.

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