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Publicado em 03 de Agosto às 14:51:13

Crédito (Jun/26): Concessões mostram resiliência, mas custo do crédito segue restritivo

Em junho, o saldo das operações de crédito registrou avanço de 9,7% a/a, ficando praticamente estável em relação aos 9,6% observados nos dois meses imediatamente anteriores, contudo abaixo dos 11,0% a/a de alta no mesmo período do ano anterior. Com isso, o volume de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) avançou para R$ 7,36 trilhões (ante R$ 7,30 trilhões). Esse resultado foi proveniente da combinação entre as altas de 7,9% a/a do segmento de pessoas jurídicas e de 10,8% a/a no saldo das pessoas físicas. Em relação às modalidades de crédito, houve alta de 7,5% a/a na modalidade de crédito com recursos livres e de 12,7% a/a no crédito direcionado, com a primeira acelerando marginalmente em relação aos 7,1% a/a de alta observados em mai/26, enquanto a segunda sofreu uma pequena contração em relação aos 13,0% a/a de alta no mesmo período.

As concessões, na série com ajuste sazonal, apresentaram avanço de 0,4% m/m em relação ao mês imediatamente anterior, arrefecendo em relação aos 1,3% m/m observados em mai/26. Esse resultado foi derivado da combinação entre o avanço de 0,5% m/m das concessões de crédito livre e o recuo de 0,1% m/m das concessões de crédito direcionado.  Dentro da primeira modalidade, o resultado positivo no mês foi derivado da combinação entre os avanços de 1,5% m/m nas concessões para as empresas, revertendo o recuo de 0,5% m/m registrado no mês imediatamente anterior, e de 0,1% m/m das concessões para as famílias, repetindo o mesmo ritmo de crescimento observado no mês imediatamente anterior. Com este resultado, a média móvel trimestral das concessões totais livres apresentou aceleração em relação à leitura de maio (1,3%, ante 0,8%), sugerindo uma certa resiliência do mercado de crédito mesmo diante de um cenário macroeconômico marcado por uma taxa de juros significativamente restritiva.

De maneira geral, o resultado positivo em junho corrobora a nossa avaliação de que o mercado de crédito segue resiliente mesmo diante de um contexto marcado por uma política monetária contracionista. Em nossa avaliação, esse desempenho reflete o descasamento entre as políticas monetária e fiscal, bem como o comportamento heterogêneo observado entre os diferentes setores da economia – inclusive no próprio mercado de crédito, e do mercado de trabalho que segue bastante robusto. Esse conjunto de fatores seguem contribuindo para a manutenção de um cenário de resiliência da atividade. Contudo, a nosso ver, a persistência de um fluxo negativo advindo do mercado de crédito (diferença entre concessões e pagamentos) e o elevado nível de endividamento das famílias seguem como fatores de risco relevantes para o nosso cenário de atividade ao longo dos próximos meses. Soma-se a isso o cenário global mais adverso em termos de inflação, que tende a contribuir para que os juros permaneçam elevados por mais tempo.

Para as pessoas físicas, as concessões livres, registraram expansão de 9,8% a/a, acelerando em relação aos 8,3% a/a registrados no mês imediatamente anterior. Os principais destaques, em termos reais, ficaram por conta dos desempenhos observados nas concessões de crédito consignado para trabalhadores do setor privado (183,4% a/a ou +R$ 5,0 bi) que vem registrando um forte ritmo de expansão ao longo dos últimos meses desde a entrada em vigor da MP 1292/25 do consignado privado para trabalhadores celetistas, de modo que, no acumulado em 12 meses encerrados em jun/26 houve um aumento de 200,0% a/a em relação ao acumulado encerrado no mesmo período do ano anterior (+R$ 35,4 bi). Além disso, podemos destacar também as concessões no cartão de crédito (6,0% a/a ou +R$19,9 bi) com destaque para os avanços de 15,0% a/a e 16,7% a/a das concessões nas modalidades rotativo (+R$ 5,0 bi) e parcelado (+R$ 2,5 bi). Voltou a acelerar o crédito consignado para os beneficiários do INSS (+22,7% a/a), que desacelerava desde out/2024. Na ponta negativa, destacamos a baixa de -4,7% a/a do crédito não consignado (-R$ 1,0 bi), dando continuidade ao recuo observado no mês anterior.

Para as pessoas jurídicas, as concessões registraram variação 19,1% a/a em junho, após avançar 2,9% a/a em maio. Os principais destaques positivos, em termos reais, ficaram por conta das altas observadas nas concessões para capital de giro (60,7% a/a ou +R$20,9 bi); desconto de duplicatas (37,4% a/a ou +R$ 26,4 bi); e antecipação de faturas de cartão (21,4% a/a ou +R$ 9,5 bi). Na ponta negativa, destacamos a queda nas concessões na modalidade de adiantamento de contrato de câmbio (-31,3% a/a ou -R$ 6,6 bi); financiamento de veículos (-28,8% a/a ou -R$ 1,4 bi); e outros (-10,4% a/a ou -R$ 1,1 bi).

A taxa média de juros das operações de crédito avançou 0,2p.p. no mês e avançou 1,5 p.p. em doze meses, para 33,4% a.a., alcançando o segundo maior nível já registrado na série histórica, perdendo apenas para abr/26 (33,5% a.a.). Esse movimento foi derivado da combinação entre as variações de -0,5 p.p. na taxa média cobrada para as pessoas jurídicas (de 21,3% para 20,8% a.a.) e de +0,5 p.p. na taxa média cobrada para as pessoas físicas (saindo de 38,9% para 39,4% a.a.). Ainda para as famílias, na modalidade livre, essas alterações foram de +1,2 p.p. (64,0%, ante 62,8% a.a.) e para empresas a alteração foi de -0,5 p.p. (24,4%, ante 24,9%). Já dentre os recursos direcionados, as variações apresentadas nas taxas de juros para pessoas jurídicas e físicas foram de -0,4 p.p. (14,7%, ante 15,1%) e +0,0 p.p. (11,2% a.a.), respectivamente.

Em um contexto marcado por uma taxa de juros ainda em território significativamente contracionista, as taxas de inadimplência (atrasos superiores a 90 dias) seguem se sustentando em um patamar historicamente elevado. No crédito livre, a inadimplência para pessoa jurídica recuou 0,1 p.p. para 4,0% enquanto a das pessoas físicas ficou estável em 7,6%, de modo que, na comparação interanual, a primeira registrou um avanço de 0,5 p.p. enquanto a segunda uma alta de 1,1 p.p no mesmo período. Esse movimento veio acompanhado por um recuo de 0,1 p.p. na inadimplência total no crédito direcionado (2,8%), reflexo da queda de 0,2 p.p. na inadimplência PF (3,0%) e estabilidade na inadimplência PJ (2,0%).

Em relação ao endividamento das famílias registrou queda de 0,1 p.p., contudo alta de 0,9 em doze meses, alcançando o patamar de 49,8% em mai/26. Por sua vez, o comprometimento da renda registrou avanço de 0,1 p.p. na margem em maio e alta de 1,3 p.p. em 12 meses para o patamar de 28,5%, sendo este o nível mais elevado já registrado em sua série histórica.

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