Home > Macroeconomia Brasil > Decisão da taxa de juros (Copom): Banco Central indica início do ciclo de cortes

Publicado em 28 de Janeiro às 20:13:50

Decisão da taxa de juros (Copom): Banco Central indica início do ciclo de cortes

O Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 15,0% a.a., em linha com as expectativas do mercado (Broadcast+) e com a nossa projeção. Este resultado segue a sinalização dada na reunião anterior em que o comitê indicou a necessidade de manter a taxa no atual patamar por um período bastante prolongado a fim de promover a convergência da inflação à meta. O grande destaque ficou pela indicação do início do ciclo de cortes na próxima reunião (mar/26), refletindo uma dinâmica inflacionária mais benigna e uma maior evidência da transmissão da política monetária para a economia. Na nossa avaliação, o conteúdo do comunicado veio menos duro do que o esperado, com a retirada de diversos pontos considerados mais hawk pela maior parte do mercado. Entendemos que o BC toma um risco excessivo ao afrouxar excessivamente o documento em um ambiente marcado por um elevado grau de incerteza e expectativas ainda desancoradas, o que pode reduzir a eficácia da política monetária à frente.

Diferentemente das reuniões anteriores, o comunicado de hoje trouxe alterações significativas em seu conteúdo, sinalizando que o BC adquiriu ainda mais confiança de que a estratégia atual é suficiente para levar a inflação à meta. O grande destaque ficou por conta da retirada do trecho “Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado.” Em nossa avaliação, essa sinalização exercia papel importante ao explicitar o desconforto da autoridade monetária com o comportamento das expectativas e ao reforçar seu compromisso com a reancoragem, contribuindo para o ganho de credibilidade observado ao longo do último ano. Dessa forma, a retirada desse trecho mostra um BC menos preocupado com as expectativas do que outrora, o que contribui para aumentar a probabilidade do ciclo de cortes se iniciar em -50 bps.

Na mesma direção, a referência feita aos impactos do cenário externo para a dinâmica inflacionária reforça um tom mais dove por parte do comitê. As estimativas divulgadas no comunicado de hoje foram feitas com uma taxa de câmbio de R$ 5,35 USD/BRL. Porém, caso o câmbio permaneça no atual patamar (R$ 5,20 USD/BRL) até a reunião de março, estimamos que os modelos do BC devem projetar uma inflação de 3,0% no horizonte relevante, aumentando substancialmente as chances de o início do ciclo ser de -50 bps, dado o maior peso dado aos impactos do cenário externo sob a inflação brasileira.

Por fim, destacamos o forward guidance fornecido para a próxima reunião, que, caso o cenário esperado se confirme, sinaliza o início do ciclo de afrouxamento monetário. Esse comprometimento indica, em nossa avaliação, um aumento relevante da confiança do Banco Central quanto à convergência da inflação à meta, mesmo em um ambiente que ainda se mostra incerto e volátil. Ao não explicitar a magnitude dos cortes, o BC deixa deliberadamente em aberto a possibilidade de iniciar o ciclo com um movimento de 50 bps, sugerindo uma postura potencialmente mais propensa ao risco. Contudo, a inclusão de trechos que mencionam que o BC manterá o nível de restrição adequada para assegurar a convergência da inflação e que o compromisso de levar a inflação à meta demanda serenidade, sugerem uma inclinação de iniciar o ciclo de cortes em -25 bps.

Apesar de a decisão de hoje ter elevado de forma significativa a probabilidade de que o ciclo de cortes seja iniciado com um movimento de 50 bps, mantemos nosso cenário-base de que o primeiro ajuste ocorrerá por meio de um corte de 25 bps. Em nossa avaliação, a dinâmica inflacionária ainda adversa – caracterizada por níveis elevados de inflação inercial, expectativas desancoradas em horizontes mais longos e sinais de recuperação da atividade no último trimestre de 2025 – tende a induzir o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa no início do ciclo. Ainda assim, destacamos que o câmbio deverá desempenhar papel central na definição da magnitude do corte na próxima reunião, de modo que a continuidade do processo de apreciação cambial entre as reuniões pode abrir espaço para um movimento mais agressivo. De todo modo, entendemos que a decisão de hoje introduz um viés baixista para nossa projeção de Selic ao final de 2026, atualmente em 13,0% a.a.

Acesse o disclaimer.

Leitura Dinâmica

Recomendações

    Vale a pena conferir