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Publicado em 19 de Março às 16:56:49

Decisão da taxa de juros (Copom): Banco Central inicia o ciclo de corte de juros em 0,25 p.p.

O Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic em 0,25 p.p. para 14,75% a.a., vindo amplamente em linha com as expectativas do mercado (Broadcast+) e da nossa projeção para a reunião. Este resultado segue a sinalização dada na reunião anterior que, em se confirmando o cenário esperado pelo BC, o início do ciclo de cortes aconteceria neste encontro do Copom, com a magnitude do afrouxamento a ser definida pela evolução do cenário no período entre reuniões. Apesar da falta de surpresa em relação ao corte, o grande destaque do comunicado ficou por conta da incorporação da piora do cenário externo com o início de um novo conflito no Oriente Médio. Ao nosso ver, mesmo com a inclusão desse trecho e o reforço feito pelo BC em ser cauteloso em um cenário de maior incerteza, as projeções divulgadas para o horizonte relevante, principalmente para preços administrados, se mostraram mais otimistas do que a curva futura de petróleo sugere, indicando um BC com um cenário mais benigno para a inflação do que o preço dos ativos sugerem. Nesse sentido, entendemos que o conteúdo do comunicado possui um net dovish em relação ao esperado por nós, ao indicar um BC mais otimista do que os fundamentos hoje prescrevem.

Na mesma linha da reunião passada, o comunicado de hoje trouxe alterações significativas em seu conteúdo, com destaque para a sinalização de que o cenário se mostrou ainda mais adverso por conta do conflito no Oriente Médio, mas reforçando que o BC segue com um plano de voo de cortes mesmo com a elevação do preço do barril observada até hoje. Essa nossa avaliação é corroborada pelo trecho “… a manutenção da taxa básica em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis…”, que indica uma inclinação a seguir afrouxando, tudo mais constante.

Em contrapartida, no último parágrafo, o Comitê reforçou que o cenário de elevada incerteza segue demandando uma condução de política monetária com bastante cautela e serenidade, levando em consideração o desenrolar do conflito para determinar os passos futuros. Ao nosso ver, esse parágrafo sugere que tanto um corte de 0,5 p.p. quanto a interrupção do ciclo de cortes estão sobre a mesa, contudo, a barra para que tais movimentos aconteçam se mostra bastante elevada, visto que o balanço de riscos do BC se manteve inalterados, sugerindo a necessidade de um choque de maior magnitude tanto para cima quanto para baixo para que o plano de voo atual seja alterado.

Por fim, destacamos a retirada do forward guidance, que veio em linha com a nossa expectativa dada a significativa elevação da incerteza em relação à dinâmica inflacionária prospectiva. Acreditamos que conduzir a política monetária com menos graus de liberdade é algo contraproducente em um cenário de bastante volatilidade e incerteza em vista da relevância do preço do barril do petróleo para as projeções de inflação. Dessa forma, entendemos que a retirada dessa indicação se mostrou acertada pelo BC.

Em suma, avaliamos que o comunicado de hoje está consistente com um plano de voo base do Banco Central de seguir cortando a taxa Selic em 25 bps nas próximas reuniões, caso o cenário se mantenha estável, com uma barra mais elevada para pausar o ritmo de cortes do que para acelerá-lo, dado o aumento modesto na projeção diante do cenário atual. Em nossa avaliação, a projeção para a inflação de administrados aponta para um BC mais construtivo em termos de resolução do conflito, mostrando certa inclinação a seguir afrouxando a Selic no curto prazo, mas com probabilidade positiva de manutenção. Com o comunicado de hoje, incorporamos um viés altista para a nossa projeção de taxa Selic de 12,0% a.a. para o final de 2026.

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