Em janeiro, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) registrou alta de 0,78% m/m, resultado praticamente em linha com o esperado pelo mercado (0,80% m/m, Broadcast+), embora ligeiramente abaixo da nossa projeção de 1,00% m/m. Com esse desempenho, o indicador reverte a queda observada no final do ano passado e retorna ao terreno positivo, sinalizando um início de ano consistente com nossa expectativa de reaceleração da atividade, impulsionada pelas medidas de estímulo à demanda implementadas nos últimos meses. Na comparação interanual, o indicador avançou 1,0% a/a, abaixo tanto do consenso de mercado (1,6% a/a, Broadcast+) quanto da nossa projeção de 1,8% a/a.
Os dados divulgados hoje pelo Banco Central estão alinhados às leituras setoriais mais recentes do IBGE – indústria, serviços e varejo – que apontaram para uma recuperação da economia nesse início de 2026. O conjunto de informações sugere que a parte mais cíclica de economia está sustentando a atividade econômica, revertendo os amplos sinais de perda de dinamismo, principalmente dos segmentos mais sensíveis ao ciclo de aperto monetário. Nesse sentido, entendemos que os dados divulgados referentes ao mês de janeiro são consistentes com a nossa expectativa de arrefecimento bastante gradual da economia ao longo do ano, beneficiada por um mercado de trabalho aquecido e o ciclo eleitoral que beneficia a expansão de gastos do governo federal e dos entes subnacionais.
Os dados de atividade de janeiro são consistentes com um início de ciclo de afrouxamento monetário mais cauteloso por parte do BC, em função da reversão da tendência de arrefecimento de todos os principais setores da economia, assim como de uma dinâmica inflacionária menos benigna. Além disso, a eclosão do conflito no Oriente Médio e os seus possíveis desdobramentos sobre o mercado global de commodities demandam mais cautela e serenidade no curto prazo. Contudo, avaliamos que estes resultados por si só não são suficientes para impedir que o BC inicie o ciclo de cortes na reunião desta semana dado o avanço em termos de convergência da inflação em direção à meta ao longo dos últimos meses. Dessa forma, mantemos a nossa projeção de que o BC iniciará o ciclo de cortes nesta quarta-feira, com uma redução inicial de 25 bps levando a Selic para 14,75% a.a. Ao longo do ano, seguimos com uma expectativa de que as reuniões subsequentes serão de cortes de 50 bps e um corte final de 25 bps que levará a Selic para o patamar de 12,0% a.a. no final de 2026. Mesmo nesse nível, a política monetária permanecerá em território contracionista, dada a necessidade de lidar com uma inflação ainda acima da meta em um ambiente de expectativas parcialmente desancoradas. No que se refere à atividade, os dados divulgados hoje estão em linha com nossa estimativa de recuperação do crescimento no primeiro trimestre, com projeção de alta de 0,9% t/t e uma expansão acumulada de 2,0% no ano de 2026.
Houve revisões nos dados dos meses anteriores. O IBC-Br de outubro saiu de 0,05% m/m para 0,09% m/m, o de novembro de 0,59% m/m para 0,60% m/m e o de dezembro de -0,18% m/m para -0,15% m/m. Com o resultado de janeiro e as revisões na série histórica, o IBC-Br deixa um carrego estatístico de 0,88% para o primeiro trimestre de 2026 e de 0,93% para o ano cheio.
Em janeiro, o desempenho positivo do IBC-Br foi decorrente da combinação entre o recuo de 1,49% m/m da agropecuária, que foi mais do que compensada pelos avanços de 0,37% m/m da indústria e de 0,81% m/m dos serviços. Cabe destacar que com este resultado o setor de serviços reverte a queda de 0,12% m/m observada no final do ano passado, de modo que, seu indicador atingiu o nível mais elevado já registrado em sua série histórica. Com estes resultados, o índice IBC-Br ex-agro registrou alta de 0,86% m/m, revertendo o recuo de -0,27% m/m de dez/25 e, assim como o setor de serviços, alcançou o nível mais elevado já registrado em sua série histórica. Com isso, a sua média móvel trimestral saiu de 0,1% para 0,4% neste início de ano, corroborando a nossa expectativa de reaceleração da atividade econômica no 1T26.









