Em junho, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) registrou contração de 0,6% m/m, vindo ligeiramente pior do que o esperado pelo consenso de mercado (-0,5% m/m, Broadcast+), contudo um pouco melhor do que a nossa expectativa para o mês de contração de 0,8% m/m. Com este resultado, na série com ajuste sazonal, o indicador dá continuidade à desaceleração observada na passagem de abril para maio, após registrar estabilidade no mês imediatamente anterior, corroborando a nossa expectativa de perda de dinamismo da economia no segundo trimestre do ano, refletindo um cenário macroeconômico bastante adverso. Já na comparação interanual, o indicador registrou expansão de 2,4% a/a, vindo melhor do que a expectativa consensual de mercado (2,2% a/a, Broadcast+) e também acima da nossa projeção para o mês de alta de 1,9% a/a.
Apesar da contração no mês, cabe destacar que na série com ajuste sazonal o indicador ainda se encontra muito próximo do nível mais elevado já registrado em sua série histórica, alcançado no mês imediatamente anterior, sugerindo ainda uma certa resiliência da economia brasileira mesmo diante de um cenário bastante adverso. A nosso ver, isso reflete o descasamento entre as políticas monetária e fiscal ao longo dos últimos anos que tem sido responsável por limitar, ainda que parcialmente, os efeitos contracionistas do atual ciclo restritivo de juros. Dessa forma, mesmo esperando um arrefecimento da economia ao longo do ano, sem rupturas, de modo que, na passagem de 2025 para 2026 a desaceleração se mostrará bastante gradual. A nossa expectativa de arrefecimento gradual é corroborada pela média móvel trimestral que saiu de estabilidade na leitura de maio para -0,1% em junho. Além disso, no trimestre, o indicador registrou um avanço de 0,2% t/t, desacelerando em relação aos 1,2% t/t observados no primeiro trimestre, sugerindo uma importante desaceleração no período, contudo, consistentes com um ritmo de crescimento ainda robusto da economia em 2026. Por fim, cabe destacar que a perda de fôlego da economia no mês foi liderada pelas quedas nas aberturas mais cíclicas, refletindo, na nossa avaliação, os impactos restritivos da política monetária. Dessa forma, entendemos que os números de hoje são consistentes também com as leituras mais recentes dos principais indicadores setoriais do IBGE (indústria, serviços e varejo) que apontam para um quadro de arrefecimento mais explícito da economia no segundo trimestre do ano.
Os dados de atividade de junho aliado à leitura ainda benigna da última divulgação do IPCA se mostram consistentes com a continuidade do ciclo de calibração da política monetária brasileira, visto que confirmam a perspectiva de arrefecimento da economia ao longo do 2T26 e jogam a favor da expectativa do BC de fechamento do hiato do produto. Contudo, avaliamos que o descasamento entre as políticas monetária e fiscal, em contexto marcado por uma expectativa do fenômeno El Niño mais intenso e incertezas sobre a evolução do conflito no Oriente Médio, impõem riscos para o atingimento da meta de inflação ao longo dos próximos meses, demandando uma certa cautela na condução da política monetária. Nesse contexto, apesar de seguirmos avaliando que o BC deveria interromper o ciclo de afrouxamento já nessa reunião, antevemos a continuidade do afrouxamento na próxima reunião com uma nova redução da taxa Selic em 0,25 p.p., para 13,75% a.a., em setembro. Cabe destacar que nosso cenário base é que esse seja o último corte, de modo que, a taxa Selic deve encerrar o ano nesse patamar, porém dada a nossa expectativa de que os dados de inflação sigam benignos nas próximas leituras, entendemos que há um risco considerável de que a Selic seja afrouxada novamente na reunião de novembro. Pelo lado da atividade, os dados de atividade referentes ao mês de junho seguem consistentes com a nossa expectativa de crescimento do PIB de 0,4% t/t no segundo trimestre e de 1,9% para o ano cheio de 2026.
Houve revisões nos dados dos meses anteriores. O IBC-Br de fevereiro saiu de 0,55% m/m para 0,64% m/m e o de abril de 0,40% m/m para 0,27% m/m. Com o resultado de hoje e as revisões na série histórica, a média móvel trimestral do IBC-Br saiu de 0,0% para -0,1% na passagem de maio para junho, com destaque para os resultados negativos observados no subíndice da indústria (-0,2%) e de serviços (-0,1%), de modo que, o IBC-Br ex-agro saiu e 0,0% para -0,1% no mesmo período. Com o resultado de hoje, o IBC-Br deixa um carrego estatístico de -0,4% para o terceiro trimestre e de 1,3% para o ano cheio.
Em junho, o desempenho positivo do IBC-Br foi decorrente dos recuos observados na indústria e nos serviços que foram parcialmente compensados pelo avanço da agropecuária. A principal contribuição baixista ficou por conta dos serviços (-0,5% m/m), interrompendo uma sequência de dois avanços consecutivos observados nas leituras imediatamente anteriores, contudo ainda segue próximo do patamar mais elevado já registrado em sua série histórica (fev/26). Por sua vez, a indústria registrou contração de 1,4% m/m, interrompendo uma sequência de 7 expansões na margem, retornando para próximo do nível observado em jan/26. Em contrapartida, a agropecuária avançou 1,0% m/m, revertendo o recuo de 0,7% m/m observados no mês anterior, sugerindo um desempenho mais próximo da estabilidade ao longo do segundo trimestre. Dessa forma, o IBC-Br ex-agro registrou um recuo de 0,9% m/m, desacelerando em relação ao avanço 0,3% m/m de maio, no qual atingiu o nível mais elevado já registrado em sua série histórica, e retorna para o nível observado no início do ano, reforçando a percepção de perda de dinamismo ao longo do segundo trimestre de 2026.









