Em março, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) registrou contração de 0,67% m/m, vindo pior do que o esperado pelo consenso de mercado (-0,30% m/m, Broadcast+), porém mais em linha com a nossa expectativa para o mês de contração de 0,50% m/m. Com este resultado, o indicador interrompe uma sequência de dois avanços consecutivos registrados nos meses imediatamente anteriores, período no qual atingiu o nível mais elevado já registrado em sua série histórica, indicando que, apesar do recuo em março, a economia se recuperou em relação ao final do ano passado neste primeiro trimestre de 2026. Contudo, dada a expectativa de que a política monetária permaneça contracionista ao longo dos próximos meses, avaliamos que a economia deve retomar uma trajetória de arrefecimento gradual, refletindo o esgotamento dos efeitos das políticas de impulso à demanda que se mostram mais concentradas no primeiro trimestre de 2026. Na comparação interanual, o indicador registrou expansão de 3,1% a/a, vindo ligeiramente melhor do que o esperado pelo consenso de mercado (3,0% a/a, Broadcast+) e um pouco abaixo da nossa projeção para o mês de avanço de 3,2% a/a.
Os dados divulgados hoje pelo Banco Central apontam para uma perda de fôlego bastante disseminada entre todos os segmentos analisados, divergindo das leituras setoriais mais recentes divulgadas pelo IBGE (indústria, serviços e varejo) que apontam para um quadro misto em março de 2026. Apesar da frustração na leitura de março do IBC-Br, as informações em conjunto confirmam que a economia brasileira se recuperou em relação à estagnação observada ao longo do segundo semestre de 2025, sobretudo nos segmentos mais sensíveis ao ciclo de aperto monetário. Contudo, cabe destacar que o desempenho menos positivo observado em março reforça a necessidade de cautela à frente devido ao cenário macroeconômico que se mostra mais adverso por conta do impasse no Oriente Médio. Nesse sentido, entendemos que os dados de hoje seguem consistentes com a nossa expectativa de que a economia passe por um processo de arrefecimento bastante gradual ao longo dos próximos trimestres. Essa dinâmica reflete, em nossa avaliação, o descasamento entre as políticas fiscal e monetária, em um ambiente ainda marcado por um mercado de trabalho aquecido. Além disso, o ciclo eleitoral de 2026 deve funcionar como um vetor adicional de sustentação da atividade, por meio da expansão dos gastos do governo federal e dos entes subnacionais.
Os dados de atividade de março ainda são consistentes com a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário, contudo demandam uma certa cautela devido à deterioração da dinâmica inflacionária de curto prazo e da desancoragem das expectativas para inflação. Além disso, a indefinição do conflito no Oriente Médio impõe riscos adicionais para o atingimento da meta de inflação ao longo dos próximos trimestres. Nesse contexto, mantemos nossa projeção de que o BC dará sequência ao ciclo de cortes na reunião de junho, com redução novamente de 0,25 p.p. na taxa Selic, para 14,25% a.a. Ao longo do restante do ano, seguimos esperando que afrouxamentos ocorram em todas as reuniões, levando a taxa para 13,25% a.a. ao final de 2026. Ainda assim, diante dos movimentos mais recentes de desancoragem das expectativas de inflação, sobretudo para 2028, avaliamos que há viés altista para essa trajetória. Pelo lado da atividade, os dados divulgados hoje impõem um viés baixista para a nossa estimativa de recuperação de crescimento no primeiro trimestre, atualmente de 1,1% t/t. Porém, avaliamos que os dados seguem consistentes com a nossa projeção de crescimento de 2,0% em 2026.
Houve revisões nos dados dos meses anteriores. O IBC-Br de janeiro saiu de 0,86% m/m para 0,79% m/m e o de fevereiro de 0,60% m/m para 0,87% m/m. Com o resultado de março e as revisões na série histórica, a média móvel trimestral do IBC-Br saiu de 0,55% para 0,32% na passagem de fevereiro para março, interrompendo uma sequência de quatro leituras consecutivas de aceleração dessa métrica, refletindo o arrefecimento tanto da agropecuária (de 0,78% para -0,05%) quanto do componente ex-agropecuária (de 0,54% para 0,27%). Na comparação trimestral, o IBC-Br registrou avanço de 1,3% t/t em relação ao último trimestre de 2025, tendo como destaque o avanço de 1,2% t/t do componente ex-agro e se recuperou em relação de 0,3% t/t observados na passagem do 3T25 para o 4T25. Com o resultado de hoje, o indicador deixa um carrego estatístico de -0,2% para o 2T26 e de 1,1% para o ano cheio.
Em março, o desempenho negativo do IBC-Br foi decorrente dos recuos observados em todos os setores que compõem o indicador, com destaque para a retração de 0,8% m/m dos serviços, interrompendo uma sequência de 7 altas consecutivas registradas nos meses imediatamente anteriores, período no qual o indicador atingiu o nível mais elevado já registrado em sua série histórica, de modo que, a contração no mês deve ser lida como uma certa cautela, posto que pode estar refletindo um efeito base bastante elevado do indicador e não necessariamente um movimento de inflexão. Além disso, a indústria registrou queda de 0,23% m/m, interrompendo uma sequência de 4 avanços consecutivos no período. Por fim a agropecuária teve uma queda de -0,21% m/m, revertendo, ainda que parcialmente, o avanço de 1,40% m/m observado em fevereiro. Dessa forma, o IBC-Br ex-agropecuária registrou uma contração de 0,93% m/m, interrompendo uma sequência de dois avanços consecutivos nos meses imediatamente anteriores, após ter atingido o nível mais elevado já registrado em sua série histórica em fev/26.









