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Publicado em 16 de Janeiro às 11:11:45

IBC-BR (Nov/25): Atividade interrompe sequência de quedas e sinaliza melhora na margem

Em novembro, o IBC-Br (índice de Atividade Econômica do Banco Central) registrou avanço de 0,68% na comparação mensal, vindo melhor do que o esperado tanto pelo consenso de mercado (0,35% m/m, Broadcast+) quanto por nós (0,40% m/m). Com este resultado, o indicador interrompe uma sequência de dois recuos consecutivos, mais do que compensado a queda acumulada no período (-0,2%), apontando para uma recuperação da atividade nos setores mais cíclicos. Na comparação interanual, o indicador registrou alta de 1,25% a/a, ficando acima da projeção mediana de mercado (0,66% a/a, Broadcast+) e também superior à nossa expectativa para o mês (0,5% a/a).

Diferentemente do observado no mês anterior, os dados divulgados hoje pelo Banco Central estão em linha com as leituras setoriais mais recentes do IBGE – indústria, serviços e varejo – que indicaram uma recuperação da atividade econômica no último trimestre do ano, liderada sobretudo pelo desempenho do varejo. Esse conjunto de informações reforça a avaliação de que o processo de arrefecimento da economia brasileira tem ocorrido de forma bastante gradual. Cabe destacar, ainda, que as revisões majoritariamente altistas na série com ajuste sazonal dos meses anteriores corroboram essa leitura. Em síntese, entendemos que a divulgação de hoje é consistente com um cenário de desaceleração em curso, refletindo os efeitos de uma política monetária significativamente contracionista, parcialmente compensados por uma política fiscal expansionista e por um mercado de trabalho ainda aquecido, dinâmica compatível com o cenário de moderação da atividade que projetamos.

Os dados de atividade referentes a novembro reforçam nossa avaliação de que a taxa Selic se encontra bem calibrada para promover um arrefecimento gradual da economia, ao mesmo tempo em que contribui para a convergência da inflação à meta. Mantemos a expectativa de que a taxa permaneça em 15,0% a.a. na reunião de janeiro do Copom, refletindo a necessidade de uma condução cautelosa da política monetária em um ambiente marcado pelo descasamento entre as políticas monetária e fiscal – quadro que tende a se intensificar com a aproximação do ciclo eleitoral. Nesse contexto, e diante do aumento potencial da volatilidade, entendemos que o Banco Central deve seguir priorizando a reancoragem das expectativas de inflação, de modo a reduzir o custo do processo de desinflação. Assim, seguimos projetando que o início do ciclo de afrouxamento monetário ocorra apenas na reunião de março de 2026, com um corte inicial de 25 bps, levando a Selic a encerrar o ano em 13,0% a.a., sustentada por nossas estimativas de um hiato do produto mais elevado do que o considerado pelo Banco Central. Do lado da atividade, os dados divulgados hoje apontam para um crescimento próximo da estabilidade à frente: projetamos alta de 0,1% t/t do PIB no 4T, o que levaria o crescimento de 2025 a 2,3%.

Houve revisões nos dados dos meses anteriores. O IBC-Br de agosto saiu de 0,36% m/m para 0,38% m/m, setembro de -0,19% m/m para -0,12% m/m e o de outubro de -0,25% m/m para -0,10% m/m. Com o resultado de novembro e as revisões na série histórica, o IBC-Br deixa um carrego estatístico de 0,4% para o crescimento da economia no quarto trimestre do ano e de 2,5% no ano cheio.

Em novembro, o desempenho positivo do IBC-Br foi decorrente das altas de 0,79% m/m e 0,64% m/m da indústria e dos serviços, respectivamente. Cabe destacar que com esse resultado a indústria interrompe uma sequência de dois recuos consecutivos, ao passo em que os serviços abandonam duas leituras próximas da estabilidade nos meses imediatamente anteriores, alcançando o nível mais elevado já registrado em sua série histórica e corrobora a percepção de recuperação da atividade no mês de novembro. Em contrapartida, a agropecuária registrou contração de 0,27% m/m, abandonando uma sequência de duas altas consecutivas. Com estes resultados, o índice IBC-Br ex-agro registrou alta de 0,71% m/m, abandonando dois recuos consecutivos nos meses imediatamente anteriores, de modo que, sua média móvel trimestral avançou 0,1%, apontando para uma ligeira recuperação da atividade em novembro, corroborando o nosso cenário de moderação gradual do nível de atividade econômica.

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