Em abril, o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) registrou avanço de 2,73% m/m, próximo da mediana de mercado de 2,69% m/m e abaixo da nossa expectativa de 3,26% m/m. A composição veio mais benigna do que o esperado, com surpresa grande concentrada no IPA industrial. Ainda assim, o direcional é de alta para o IPCA nos próximos meses, com IPA agro sustentando pressão em proteínas e fertilizantes acelerando bem. Além disso, anedóticos de transmissão de custos na cadeia de produção começam a ficar mais claros, com alguns insumos industriais no varejo disparando e as maiores contribuições do INCC sendo de materiais de construção. Com o resultado da leitura, preços agrícolas arrefecendo bem na ponta e taxa de câmbio mais apreciada, revisamos nossa projeção para o ano de 7,5% para 6,5%.
O IPA-M, principal componente do índice, registrou alta de 3,49% m/m, acelerando em relação a março 0,61% m/m, mas registrando queda de 1,01% m/m no acumulado em 12 meses. Apesar da forte alta, o índice ficou abaixo da nossa expectativa de 4,21% m/m, com toda a surpresa concentrada no IPA industrial. Já o IPA agro ficou relativamente bem-comportado e abaixo da nossa coleta, também trazendo um bom qualitativo. Na leitura, bovinos arrefecem em relação a março, algo benigno, mas leite acelera bem e fertilizantes disparam. Nas contribuições baixistas, destacam se o minério de ferro, cana de açúcar e carne suína. Apesar da composição melhor que o esperado, pensando em IPCA, o número sinaliza alta à frente, vindo de leite, adubos e bovinos. O número reflete impactos diretos do conflito geopolítico no Oriente Médio, com repasses relevantes já sendo observados em insumos diretos para o varejo.
O IPC-M registrou avanço de 0,94% m/m, próximo da nossa expectativa de 0,98% m/m. Aqui vemos uma mensagem bem similar à do IPCA 15 de abril. Gasolina registrou alta exatamente na mesma medida do IPCA 15, com boa pressão em leite e alguns tubérculos, como tomate. Nas contribuições baixistas, passagem aérea caiu 1,87% m/m. Aqui vale pontuar que o IGP M de março antecipou a queda em passagem aérea observada no IPCA 15 de abril, com o primeiro caindo 17,93% m/m e o segundo 14,32% m/m. O índice acumula alta de 3,81% no acumulado em 12 meses.
O INCC-M avançou 1,04% m/m, abaixo da nossa expectativa de 1,23% m/m. Os principais vetores de alta vieram de forte aceleração de insumos materiais para a construção, como massa de concreto, tubo PVC e cimento, algo que também se correlaciona ao maior custo dos importados, via commodities, fretes e seguros. Pode ser mais um anedótico de transmissão de maiores custos na cadeia de produção. O índice acumula alta de 6,28% em 12 meses, com a parte relacionada à mão de obra acumulando 8,72% e materiais 4,56%, refletindo o mercado de trabalho aquecido.

















