Em maio, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) registrou avanço de 0,84% m/m, acima da mediana do mercado (0,82% m/m, Broadcast+) e abaixo da nossa projeção (0,92% m/m). A composição teve um qualitativo misto. O IPA desacelerou em relação a abril, refletindo a queda de Produtos Agropecuários (-0,44% m/m) e a perda de força em Produtos Industriais. Esse movimento é positivo para a perspectiva de custos ao longo da cadeia, especialmente em alimentação. No entanto, alguns itens de aceleração no mês ainda têm peso relevante no IPCA, como alimentos in natura e derivados de petróleo. Entre eles, destaca-se o querosene de aviação, o que mantém viés altista para passagens aéreas. O IPC-M mostrou composição semelhante à do IPCA-15, com alimentação e habitação ainda pressionando, mas com desaceleração em combustíveis. Portanto, a leitura marginalmente mais benigna do número cheio não elimina os riscos para o IPCA dos próximos meses, mas mostra que existem alguns pontos mais favoráveis.
O IPA-M, principal componente do IGP-M, registrou alta de 0,91% m/m, desacelerando em relação a abril (3,49% m/m), e voltou a mostrar avanço na comparação anual, com alta de 0,72% após um longo período de leituras negativas. A desaceleração foi explicada tanto pela queda de Produtos Agropecuários (-0,44% m/m) quanto pela perda de força de Produtos Industriais, o que representa uma leitura mais favorável para os custos ao longo da cadeia. Entre as principais contribuições baixistas, destacaram-se minério de ferro, cana-de-açúcar, álcool, café e milho, itens relevantes para a leitura de custos de alimentação e bens industriais. Ainda assim, o forte avanço do querosene de aviação segue como ponto de atenção, por se tratar de um insumo relevante na estrutura de custos das companhias aéreas, com potencial de pressionar passagens aéreas nos próximos meses. Dessa forma, o IPA trouxe alívio relevante no atacado, condizente com nossas coletas, embora ainda apresente pressão em itens relevantes para o IPCA.
O IPC-M registrou avanço de 0,61% m/m, desacelerando em relação a abril (0,94% m/m). A leitura foi bastante similar à do IPCA-15 de maio, tanto em termos de número cheio quanto de composição. Observa-se queda em combustíveis, tanto etanol quanto gasolina, movimento também observado nas coletas da ANP, além de alguma contribuição baixista proveniente de proteínas, com destaque para frango. Por outro lado, alimentação e habitação seguem pressionando os preços ao consumidor final, o que corrobora um qualitativo menos benigno. O índice acumula alta de 4,05% em 12 meses.
O INCC-M avançou 0,77% m/m, desacelerando em relação ao mês anterior (1,04% m/m). Os principais vetores de alta seguem provenientes de insumos e materiais para a construção, como massa de concreto, tubo PVC e cimento, ainda que de forma menos intensa do que no mês anterior. O índice acumula alta de 6,82% em 12 meses, com a parte relacionada à mão de obra acumulando 8,40%, ainda em patamar elevado, embora em desaceleração. Esse movimento não necessariamente contradiz o resultado mais forte do que esperado da PNAD, uma vez que a mão de obra no INCC também reflete reajustes salariais e calendários específicos do setor. Ainda assim, ambos os indicadores seguem compatíveis com um mercado de trabalho aquecido. A parte de materiais, equipamentos e serviços acelerou de forma considerável na comparação anual, saindo de 4,56% no mês passado para 5,70% em maio, podendo ser mais um indício de transmissão de maiores custos ao longo da cadeia de produção.











