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Publicado em 12 de Maio às 17:29:12

IPCA (Abr/26): Headline próximo, mas composição desfavorável. De novo.

O IPCA de abril registrou alta de 0,67% m/m, um pouco acima da nossa expectativa de 0,65% m/m e em linha com a expectativa de mercado (Broadcast+). Apesar disso, a composição é pior do que o antecipado. Alimentação no domicílio ficou bem mais elevada e puxada por carne bovina, enquanto o viés para o grupo era de baixa. Intensivos em trabalho trouxe mais uma rodada de surpresa altista relevante. Industriais também ficaram acima, mas com qualitativo mais neutro. O sinal majoritário dos erros de projeção foi positivo, além de que todos os cinco núcleos também ficaram acima do projetado. Gasolina ajudou a leitura e evitou que o índice ficasse em 0,71% m/m. Nossa última revisão de projeções tinha apontado uma piora na projeção dos serviços, algo que se materializou neste IPCA, mas a gasolina pode ser um vetor de baixa para os próximos meses.

Alimentação no domicílio registrou alta de 1,64% m/m, acima da nossa expectativa de 1,46% m/m. De início, o resultado já sugere um qualitativo negativo, uma vez que o viés para o grupo era de baixa. Abrindo as componentes, o qualitativo ruim se reforça. Carne bovina subiu 2,06% m/m, enquanto esperávamos 1,00% m/m, causando um impacto de +3 bps de surpresa no headline geral. Os in-natura também causaram +2 bps, mas trazem menos informação devido à volatilidade elevada. Estes dois foram contrabalanceados por leite longa vida, que puxou o índice geral -2 bps para baixo. Viés de baixa viraram surpresas de alta, e carne bovina, item inercial e de peso relevante, ficou bem acima da expectativa. Pode contratar um grupo mais pressionado em maio, mas o direcional atual de queda das proteínas no atacado intenso, o que deve puxar o IPCA eventualmente, aliviando essa pressão nos próximos três meses. De qualquer forma, para o print de abril, qualitativo e quantitativo dos alimentos foram desfavoráveis.

Serviços registraram alta de 0,04% m/m, um pouco acima da nossa expectativa de 0,01% m/m. O headline do grupo fica bem enquadrado, mas a composição vem, mais uma vez, com um saldo desfavorável. Por um lado, alimentação fora do domicílio ficou próximo da projeção, configurando um bom qualitativo dada a premissa de não aceleração. Já os serviços intensivos em trabalho trouxeram, mais uma vez, surpresa altista de magnitude suficiente para ser informativa. Magnitude essa também similar à das últimas três leituras. Além disso, esse subgrupo explica boa parte da surpresa no núcleo. Abrindo o núcleo, surpresas foram majoritariamente altistas, se estendendo a itens como serviço bancário e conserto de automóvel, consolidando o diagnóstico. Nosso último report de revisão de projeções tinha apontado uma piora na projeção dos serviços, o que parece, até agora, estar se materializando.

Bens industriais registraram avanço de 0,63% m/m, também acima da nossa projeção de 0,57% m/m. Apesar da surpresa altista (mais uma vez), a composição parece neutra. Eletrodomésticos e celulares materializaram o viés de alta pontuado no preview, mas não foi disseminado (televisores por exemplo) e automóvel novo surpreendeu bem para baixo, sendo esse um item inercial e de peso relevante. Além disso, vestuário também ficou abaixo do projetado. Duráveis e semi-duráveis esboçam um qualitativo benigno. Nos não duráveis, no entanto, higiene pessoal sozinha trouxe +2 bps de surpresa, sendo essa não explicada em nada por perfume, que ficou em linha com a projeção. Dada a sensibilidade do grupo ao petróleo e aos preços dos importados, bem como IGP-M sinalizando pressão na cadeia de produção, o qualitativo do subgrupo é negativo. Balanceando com os demais, vemos uma leitura neutra.

Administrados registraram alta de 1,00% m/m, abaixo da nossa expectativa de 1,13% m/m e “salvando” o headline do mês. Gasolina registrou avanço de 1,86% m/m, bem abaixo da nossa projeção de 2,60% m/m. Caso o item tivesse ficado em linha, o IPCA de abril teria registrado alta de 0,71% m/m. Na outra ponta, gás de botijão também ficou mais elevado, mas foi contrabalanceado por remédios, que tiveram um ajuste menor. Como um todo, gasolina evita uma alta mais expressiva no índice, e traz um viés de baixa para as próximas leituras.

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