O IPCA de maio registrou alta de 0,58% m/m, acima da nossa projeção de 0,48% m/m e da expectativa de mercado (0,55% m/m, Broadcast +). Nos últimos 12 meses o índice acumula alta de 4,72%. Entre as surpresas negativas se destacam alimentação no domicílio, administrados e industriais. Por outro lado, após consecutivas deteriorações, serviços desacelera mais do que o projetado, configurando um qualitativo mais favorável. A ponta negativa ficou marcada por itens específicos: nos alimentos, pelos itens in natura e semi-elaborados; nos industriais, por itens voláteis e de difícil projeção; e, nos administrados, por gasolina e energia elétrica (principal contribuição individual da divulgação). A leitura geral é que a pressão vem de condições desfavoráveis de oferta, itens voláteis e uma devolução um pouco menor dos combustíveis, deixando uma marca inflacionária do conflito do Oriente Médio. Enquanto isso, a parte ligada à demanda, que também é mais inercial, foi benigna. Apesar da surpresa altista elevada, o qualitativo é melhor do que o esperado, com itens mais sensíveis aos fundamentos da demanda vindo abaixo do esperado, mas sem mudar o fato de que o índice e a média dos núcleos rodam acima da meta no acumulado em doze meses, tornando evidente a necessidade de uma política monetária contracionista.
Alimentação no domicílio registrou alta de 1,65% m/m, materializando os +6 bps de risco altista que tínhamos previsto. A surpresa ficou concentrada em poucos itens, mais especificamente, tubérculos, arroz e leite. Esse fator traz um alívio no qualitativo, mas, devido ao peso, prejudica bem o headline do grupo. Por outro lado, carne e frango, itens com mais influência da demanda, ficaram dentro do esperado. Em nossa avaliação, o qualitativo do grupo é pior devido à surpresa em arroz e leite, pois são itens que apresentam alguma inércia e devem puxar as projeções dos próximos meses para cima, mas com deterioração menor do que o sugerido pelo headline.
Serviços registraram alta de 0,40% m/m, um pouco abaixo da nossa expectativa de 0,48% m/m. O qualitativo vem melhor do que o esperado, e a expectativa já era de arrefecimento. Os subjacentes e intensivos em trabalho ficaram abaixo do esperado, puxados por conserto de automóvel e serviços de estética, configurando um bom qualitativo para o grupo. Alimentação fora do domicílio veio um pouco acima, mas somente porque a queda expressiva no item Lanche (sugerido pela FIPE, uma de nossas coletas) não se materializou. Nos ex-subjacentes, transporte por aplicativo também ficou bem abaixo do esperado. O balanço geral para o grupo é de um arrefecimento mais pronunciado do que o projetado.
Bens industriais registraram alta de 0,30% m/m, um pouco acima da nossa expectativa de 0,22% m/m. Bens duráveis de fato puxaram bem o grupo para baixo, devido a automóveis, conforme esperado. Nos semi-duráveis, a alta no vestuário foi menor do que o esperado. Esses dois vetores tendem a ser bem inerciais e, por isso, devem trazer alguma revisão baixista para os próximos meses, configurando um bom qualitativo. Ainda assim, o grupo como um todo surpreendeu para cima devido ao item perfume, que subiu 4,42% m/m, contribuindo sozinho com +3 bps de surpresa altista no headline geral. O item prejudica bem o número do grupo, mas não muda o qualitativo devido à elevada volatilidade.
Administrados registraram variação de 0,44% m/m, bem acima da nossa expectativa de 0,23% m/m. O risco altista de +3 bps na gasolina foi materializado, e energia elétrica adicionou +3 bps de surpresa adicional. Devido a certa volatilidade recente nos combustíveis e a janela de reajuste de algumas distribuidoras, não vemos grande deterioração no qualitativo. Isso não muda o fato de que o grupo pressiona bem o IPCA de maio e deixa bem marcada a pressão inflacionária decorrente do conflito.








