O PIB cresceu 0,1% t/t no quarto trimestre de 2025, em relação ao trimestre imediatamente anterior, acelerando em relação à estabilidade registrada no 3T25. Essa leitura veio em linha tanto com o consenso de mercado (Broadcast+) quanto da nossa expectativa para o trimestre, ambas apontando para uma alta de mesma magnitude no trimestre. Com este resultado, a economia manteve-se em território não negativo desde o início do ano, renovando o patamar mais elevado já registrado em sua série histórica com ajuste sazonal. Na comparação interanual, o PIB avançou 1,8% a/a, ficando também amplamente em linha com o consenso de mercado quanto da nossa projeção para o período. Dessa forma, a economia brasileira registrou avanço de 2,3% em 2025, ficando em linha com a nossa projeção feita desde o início do segundo semestre do ano.
Embora o PIB do 4T25 tenha ficado amplamente em linha com o esperado no índice cheio, a sua composição veio qualitativamente pior do que a antecipada pelo mercado e por nós, refletindo maior fragilidade justamente nas aberturas mais sensíveis ao ciclo econômico. Pelo lado da oferta, a surpresa positiva na agropecuária, que avançou 0,5% t/t, foi mais do que compensada pela retração de 0,7% t/t da indústria. Já sob a ótica da demanda, o principal destaque negativo foi a queda expressiva de 3,5% t/t da formação bruta de capital fixo, acompanhada por desempenho abaixo do esperado do consumo das famílias, que registrou estabilidade no período. Assim, ainda que o resultado agregado confirme nossa projeção de crescimento para o ano, a composição aponta para enfraquecimento das componentes ligadas ao consumo e ao investimento privado, sugerindo que o ambiente macroeconômico mais adverso – marcado por política monetária significativamente restritiva e elevado endividamento das famílias – pesou sobre a dinâmica da economia brasileira no final de 2025.
Em nossa avaliação, os números divulgados hoje permanecem consistentes com a expectativa de um arrefecimento bastante gradual da economia brasileira, mas introduzem um viés mais baixista para a trajetória do consumo das famílias ao longo de 2026, diante de um impacto possivelmente mais intenso do que o antecipado da política monetária contracionista sobre essa componente. Nesse contexto, revisamos preliminarmente nossa projeção de crescimento do PIB em 2026 de 2,1% para 2,0%, refletindo principalmente a expectativa de menor impulso proveniente do mercado de trabalho aquecido e da política de isenção do imposto de renda para rendimentos de até R$ 5,0 mil sobre o consumo. Para o primeiro trimestre de 2026, passamos a projetar avanço de 0,9% t/t, ante estimativa anterior de 1,1% t/t. Por fim, entendemos que o resultado reforça nossa visão de que o Copom deve iniciar o ciclo de afrouxamento monetário na reunião de março, com corte de 0,5 p.p. na Selic, mesmo diante do aumento das incertezas globais associadas à intensificação de conflitos geopolíticos, uma vez que o dado de atividade tende a elevar a confiança do Comitê na convergência dos componentes mais inerciais do IPCA em direção à meta.
O dado de hoje veio acompanhado de revisões nas séries anteriores. A variação do PIB do 4T24 saiu de -0,2% t/t para -0,1% t/t, do 1T25 de 1,5% t/t para 1,6% t/t e do 3T25 saiu de 0,1% t/t para 0,0% t/t. Em posse da leitura divulgada hoje e das revisões nos trimestres anteriores, estimamos que o PIB deixa um carrego estatístico de 0,2% para o crescimento em 2026.
Pela ótica da demanda, os principais vetores positivos no trimestre foram o consumo do governo (1,0% t/t; 3,6% a/a) e as exportações (3,7% t/t; 14,2% a/a), movimentos que foram parcialmente compensados pela retração da formação bruta de capital fixo (-3,5% t/t; -3,1% a/a) e pela frustração com o desempenho do consumo das famílias, que registrou estabilidade na margem (0,0% t/t; 1,0% a/a). No acumulado do ano, o consumo das famílias avançou 1,3%, desacelerando de forma relevante frente aos 5,1% observados em 2024, refletindo a combinação entre mercado de trabalho resiliente e medidas de estímulo à demanda, contrabalançadas pelos efeitos de uma política monetária contracionista. Já a formação bruta de capital fixo cresceu 2,9% no período, beneficiada pela importação de plataformas de petróleo e pelo desempenho da construção, que compensaram a queda na produção de bens de capital. Na mesma direção, o setor externo contribuiu positivamente para o PIB em 2025, com expansão de 6,2% das exportações – impulsionadas pelo forte desempenho da agropecuária e das indústrias extrativas – superando o avanço de 4,5% das importações. Por fim, o consumo do governo registrou crescimento de 2,1% no ano.
Pela ótica da oferta, o crescimento no trimestre foi sustentado pelos avanços da agropecuária (0,5% t/t; 12,1% a/a) e dos serviços (0,8% t/t; 2,0% a/a), com este último renovando o maior nível já registrado em sua série histórica. Esses movimentos foram parcialmente compensados pela retração da indústria (-0,7% t/t; 0,6% a/a) no período. No acumulado do ano, a agropecuária registrou expressiva alta de 11,7%, impulsionada pela supersafra de grãos – com produções recordes de soja e milho – e pelo bom desempenho da pecuária. A indústria avançou 1,4%, com destaque para a expansão de 8,6% das indústrias extrativas, que mais do que compensou a leve queda de 0,2% da indústria de transformação, refletindo os efeitos da política monetária contracionista sobre o setor. Por fim, os serviços cresceram 1,8% em 2025, beneficiados sobretudo pelo dinamismo dos segmentos de informação e comunicação (6,5%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,9%), transporte, armazenagem e correio (2,1%) e outras atividades de serviços (2,0%).
A taxa de investimento atingiu 16,0% do PIB no 4T25, recuando 1,3 p.p. em relação ao trimestre anterior e 1,2 p.p. abaixo do patamar observado no 4T24. Com isso, a média móvel de quatro trimestres recuou (-0,2 p.p.) para 16,9% do PIB, retornando para o patamar observado em dez/24. Apesar dessa relativa estabilidade nos últimos anos, avaliamos que a combinação entre política monetária contracionista e maior incerteza doméstica e internacional segue configurando um importante fator de risco para os investimentos nos próximos trimestres. A taxa de poupança, por sua vez, recuou 3,5 p.p. entre o 3T25 e o 4T25 para 11,0%, situando-se 0,5 p.p. abaixo do nível de um ano antes. Com esse movimento, a média móvel de quatro trimestres recuou 0,1 p.p. para 14,6%.


