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Publicado em 03 de Junho às 12:06:14

PIM (Abr/26): Indústria avança pelo quarto mês, mas composição recomenda cautela

Em abril, a Produção Industrial Mensal (PIM) registrou expansão de 0,7% m/m, número que veio melhor do que o esperado pelo consenso de mercado (0,5% m/m, Broadcast+) e do que por nós (0,5% m/m), sugerindo que a atividade industrial dá continuidade à resiliência observada nos três primeiros meses do ano nesse início do segundo trimestre. Com este resultado, a atividade industrial apresentou o quarto avanço mensal consecutivo, retornando para o nível mais elevado desde mai/15 na série com ajuste sazonal, confirmando um quadro mais benigno para o setor ao longo dos primeiros meses de 2026, após um desempenho mais fraco observado ao longo do final do ano passado. Ainda assim, entendemos que a melhora no começo do ano não altera de forma relevante a perspectiva para a indústria ao longo de 2026, que deve continuar desafiadora, sobretudo para a indústria de transformação, em um ambiente marcado por política monetária ainda contracionista por um período prolongado.

Na comparação interanual, a indústria registrou avanço de 2,7% a/a, superando também a expectativa mediana de mercado (1,9% a/a, Broadcast+), contudo vindo um pouco mais em linha com a nossa projeção para o mês de avanço de 2,1% a/a. Com estes resultados e as revisões nos meses imediatamente anteriores, a indústria deixa um carrego estatístico de 1,3% para o segundo trimestre e de 2,3% para o ano cheio de 2026.

De modo geral, os números de hoje apontam para um quadro de resiliência da atividade industrial no início de 2026, tendo como destaque o avanço da indústria extrativa enquanto a indústria de transformação apresenta pelo segundo mês consecutivo uma expansão mais próxima à estabilidade. Na nossa avaliação, apesar da surpresa positiva, o quadro geral aponta para um certo equilíbrio entre taxas positivas e negativas, sugerindo que o cenário prospectivo para a indústria ainda demanda uma certa cautela, sobretudo diante da perspectiva de que a taxa de juros permaneça ainda mais contracionista por um período prolongado. Nesse contexto, avaliamos que os números de hoje seguem consistentes com a nossa expectativa de crescimento do PIB de 0,5% t/t no segundo trimestre de 2026, assim como da nossa projeção de 2,0% de expansão para o ano cheio de 2026.

A alta no mês foi reflexo da expansão de duas das quatro grandes categorias pesquisadas e avanços observados em 14 dos 25 ramos industriais analisados. Entre as grandes categorias, o principal destaque ficou por conta da produção de bens intermediários (1,5% m/m), avançando pelo quarto mês consecutivo e reflete os avanços de 18,5% m/m na produção de alimentos e bebidas elaboradas destinados à indústria e de 8,0% m/m na produção de insumos industriais básicos. A outra alta ficou por conta do avanço de 0,1% m/m na produção de bens de capital, que também deu continuidade aos três avanços consecutivos observados nos meses imediatamente anteriores, porém segue em trajetória de arrefecimento desde a leitura de janeiro. Em contrapartida, recuos foram observados nas produções de bens de consumo duráveis (-3,2% m/m) e não duráveis (-0,2% m/m), ambas interrompendo os três avanços consecutivos registrados ao longo do primeiro trimestre de 2026, com ampla disseminação de taxas negativas entre as subcategorias de uso que compõem os respectivos setores, sinalizando um desempenho mais tímido da indústria de transformação no período.

Entre os ramos de atividade pesquisados, as principais influências positivas ficaram por conta dos desempenhos na produção de derivados de petróleo e biocombustíveis (3,1% m/m), registrando o quinto mês consecutivo de expansão, produtos de borracha e de material plástico (3,1% m/m), interrompendo uma sequência de dois recuos consecutivos nos meses imediatamente anteriores, produtos de madeira (8,5% m/m), revertendo também os dois recuos consecutivos nos meses anteriores, produtos têxteis (4,1% m/m), acumulando o quarto avanço consecutivo e, por fim, a fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (2,2% m/m).

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