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Publicado em 03 de Fevereiro às 14:01:38

PIM (Dez/25): Indústria da transformação afunda e puxa produção industrial para baixo

Em dezembro, a Produção Industrial Mensal (PIM) registrou queda de -1,2% m/m, número pior do que a mediana das projeções dos analistas (-0,5%, Broadcast+), mas próximo da nossa estimativa (-1,3% m/m). Esse resultado foi reflexo da combinação entre o forte recuo na indústria da transformação (-1,9% m/m) que acabou sendo compensado por um avanço da indústria extrativa mineral (0,9% m/m). O mês de dezembro já é o quarto consecutivo no qual a indústria da transformação apresenta contração, evidenciando o impacto mais intenso que a política monetária apertada tem sobre esse segmento em relação aos demais.

As revisões relativas aos meses anteriores foram todas para baixo, com a PIM saindo de 0,0% m/m para -0,2% m/m, a de outubro saindo de 0,1% m/m para 0,0% m/m e a de setembro saindo de -0,4% m/m para -0,5% m/m. Isso fez com que a perda agregada da indústria no último quadrimestre do ano (set/25-dez/25) fosse de 1,9%.

Na comparação interanual, a indústria registrou avanço modesto de apenas 0,4% a/a, vindo pior do que o esperado pelo consenso de mercado (0,8% a/a, Broadcast+), mas novamente próximo da nossa estimativa de alta de 0,5% a/a. Esse crescimento veio da combinação de uma alta de 7,0% a/a da indústria extrativa mineral e de uma retração de -1,0% a/a na indústria da transformação. Já no agregado de 2025, a indústria fechou o ano com um crescimento de 0,6%, bem no piso das projeções (Broadcast+), puxado por um crescimento de 4,9% da indústria extrativa, uma vez que a indústria da transformação recuou -0,2%.

O resultado de dezembro se deveu a queda observada em todas as 4 grandes categorias de uso e em 17 dos 25 ramos pesquisados. Entre as categorias, o recuo apresentado na produção de Bens de capital (-8,3% m/m) foi puxado tanto pela subcategoria de Bens de capital, exceto equipamentos de transporte industrial (-5,8% m/m), como pela de Equipamentos de transporte industrial (-10,5% m/m). Já a contração mais modesta vista nos Bens intermediários (-1,1% m/m) decorreu de 4 itens: Peças e acessórios para bens de capital (-5,8% m/m), Insumos industriais elaborados (-4,8% m/m), Insumos industriais básicos (-3,2% m/m) e Peças e acessórios para equipamentos de transporte (-1,4% m/m). Por fim, dentre a categoria econômica dos Bens de consumo (-1,8% m/m), os Bens de consumo duráveis (-4,4% m/m) refletiram quedas em todos os 3 itens que o compõe, com destaque para os Equipamentos de transporte não industrial (-9,8% m/m), enquanto os Bens de consumo Semiduráveis e não duráveis (-0,7% m/m) registraram queda em apenas 2 dos 4 itens da categoria, com ênfase para os Bens de consumo semiduráveis (-3,6% m/m) por um lado, e pelas Gasolinas para automóvel (5,1% m/m) por outro.

Com estes resultados, a indústria se encontra agora apenas 0,6% acima do nível pré-pandemia (fev/20), com a indústria da transformação 1,5% abaixo e a extrativa 13,0% acima. Em relação ao pico da série histórica, a produção industrial se situa 16,3% aquém do nível mais elevado já registrado (mai/11), com as indústrias de transformação e extrativa estando 18,5% e 11,2% abaixo das suas respectivas máximas históricas (mai/11) e (abr/15).

A queda mais pronunciada da indústria de transformação em dezembro (-1,9% m/m) após ter apresentado uma contração média de -0,2% m/m por mês nos três meses anteriores abre a possibilidade para o processo de arrefecimento da indústria ocorrer de forma não gradual, apresentando possíveis descontinuidades diante de um cenário de taxas de juros ainda muito elevadas. Nesse sentido, a PIM de dezembro impõe viés baixista para o crescimento do PIB do 4º trimestre de 2025, que deve apresentar um avanço modesto de 0,1% t/t, de modo que a economia brasileira deve ter registrado expansão de 2,3% no ano passado.

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