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Publicado em 02 de Abril às 15:02:20

PIM (Fev/26): Indústria mantém recuperação no início de 2026, mas desafios persistem

Em fevereiro, a Produção Industrial Mensal (PIM) registrou expansão de 0,9% m/m, número que superou o consenso de mercado (0,7% m/m, Broadcast+) e a nossa expectativa para o mês de avanço de 0,6% m/m. Com este resultado, a atividade industrial dá continuidade ao avanço de 2,1% m/m observado em janeiro, acumulando avanço de 3,0% no primeiro bimestre do ano, e confirma um cenário mais benigno para a indústria no início de 2026, deixando para trás os recuos observados no último trimestre de 2025. Esse resultado foi reflexo da combinação entre os avanços de 1,0% m/m da indústria de transformação e de 1,1% m/m das indústrias extrativas. Ainda assim, avaliamos que esses dados não são suficientes para alterar o quadro geral para a indústria ao longo de 2026 que deve seguir enfrentando grandes desafios por conta de uma política monetária significativamente contracionista, cujos efeitos devem seguir pressionando o seu desempenho ao longo dos próximos meses. Fato este, corroborado pela sua média móvel trimestral que registrou expansão de 0,3%.

Na comparação interanual, a indústria registrou contração de 0,7% a/a, vindo melhor do que o esperado pelo consenso de mercado (-1,1% a/a, Broadcast+) e significativamente melhor do que a nossa projeção para o mês de recuo de -1,8% a/a. Com isso, a indústria deixa um carrego estatístico de 1,3% para o primeiro trimestre e de 1,1% para o ano cheio de 2026.

A alta registrada em fevereiro foi derivada das expansões bastante disseminadas observadas em todas as 4 grandes categorias e em 16 dos 25 ramos de atividade pesquisados. Entre as categorias, os principais destaques ficaram pelas altas da produção de bens de capital (2,3% m/m), dando continuidade ao avanço de 3,3% m/m registrado no mês imediatamente anterior; e do avanço na produção de bens intermediários (1,1% m/m), também dando continuidade ao avanço de 2,3% m/m do mês imediatamente anterior. Os demais destaques ficaram por conta das altas de 0,9% m/m e de 0,7% m/m na produção de bens duráveis e semiduráveis, respectivamente, com ambos também dando continuidade aos avanços observados em janeiro. Entre as atividades, os principais destaques ficaram por conta das altas nas produções de veículos automotores, reboques e carrocerias (6,6% m/m); e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,5% m/m), com a primeira atividade acumulando alta de 14,1% no primeiro bimestre de 2026, mais do que compensando o recuo de 9,5% observado no último trimestre de 2025.

De modo geral, os dados divulgados hoje indicam uma melhora relativamente disseminada da indústria no início de 2026. Ainda assim, avaliamos que as perspectivas para os próximos meses permanecem desafiadoras para o setor, refletindo sobretudo o atual grau de contração da política monetária e as incertezas associadas ao ciclo econômico global, o conflito no Oriente Médio, e ao ambiente eleitoral doméstico, fatores que tendem a pesar especialmente sobre a indústria de transformação. Nesse contexto, entendemos que o resultado de hoje adiciona um viés altista para a nossa projeção de crescimento do PIB de 0,9% t/t no 1T26, contudo, não altera a nossa expectativa para o ano cheio de avanço de 2,0%, bem como da nossa avaliação de que o próximo movimento do Banco Central será de um afrouxamento de 0,25 p.p. na reunião de abril.

Com estes resultados, a indústria se encontra agora apenas 3,2% acima do nível pré-pandemia (fev/20), com a indústria da transformação 1,5% e a indústria extrativa 16,1% acima. Em relação ao pico da série histórica, a produção industrial se situa 14,1% aquém do nível mais elevado já registrado (mai/11), com as indústrias de transformação e extrativa estando 16,0% e 8,7% abaixo das suas respectivas máximas históricas (mai/11) e (abr/15).

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