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Publicado em 04 de Agosto às 11:21:08

PIM (Jun/26): Indústria perde tração em meio a cenário macroeconômico adverso

Em junho, a Produção Industrial Mensal registrou contração de 1,8% m/m, resultado significativamente pior do que o esperado pelo mercado (-0,6% m/m, Broadcast+) e aquém da nossa expectativa para o mês (-0,5% m/m). Com isso, o indicador deu continuidade ao recuo observado em maio (-0,9% m/m), reforçando a leitura de perda de dinamismo da indústria em um ambiente macroeconômico ainda bastante adverso. Na margem, o setor desacelerou de alta de 1,4% t/t no 1T26 para avanço de apenas 0,3% t/t no 2T26. Em nossa avaliação, os dados corroboram o cenário de arrefecimento da economia a partir do segundo trimestre, sobretudo nos segmentos mais sensíveis ao crédito, em meio a uma política monetária ainda significativamente contracionista. A leitura segue compatível com nossa expectativa de desaceleração do PIB para 0,4% t/t no 2T26 e de crescimento de 2,0% em 2026.

Na comparação interanual, a indústria registrou avanço de 1,7% a/a, também frustrando significativamente tanto o consenso de mercado (3,0% a/a, Broadcast+) quanto a nossa expectativa para o mês de alta de 3,6% a/a. Com estes resultados e as revisões nos meses imediatamente anteriores, a indústria deixa um carrego estatístico de -1,5% para o terceiro trimestre e de 0,6% para o ano cheio de 2026.

De modo geral, os números de hoje apontam para uma importante perda de dinamismo da atividade industrial ao longo do segundo trimestre do ano, refletindo a combinação entre um avanço da indústria extrativa no período, que foi beneficiada pela produção de petróleo e derivados ao longo do período, e a importante perda de dinamismo da indústria de transformação, refletindo um cenário macroeconômico que se mostra bastante adverso para a atividade industrial. Para além do resultado negativo observado no índice cheio, destacamos que os fortes recuos bastante disseminados entre as categorias que compõem o setor no mês de junho reforçam a leitura negativa para o desempenho da indústria no mês e impõe um viés baixista para o desempenho do setor ao longo de 2026. Dessa forma, entendemos que o número de hoje também é consistente com a nossa expectativa de que dados de atividade mais benignos para a inflação devem continuar dando espaço para o BC seguir afrouxando a Selic até a reunião de setembro, ficando em linha com a nossa expectativa de encerrar o ano com uma Selic a 13,75% a.a.

O recuo no mês foi reflexo das contrações de todas as quatro grandes categorias pesquisadas e dos recuos observados em 16 dos 25 ramos industriais analisados. Entre as grandes categorias, os principais destaque negativos ficaram por conta das produções de bens de consumo não duráveis (-4,1% m/m), dando continuidade à sequência de dois recuos consecutivos observados nos meses imediatamente anteriores com recuos bastante disseminados entre as subcategorias que compõem o segmento no mês, e de -3,2% m/m na produção de bens de consumo duráveis, revertendo parcialmente o avanço de 3,5% m/m do mês imediatamente anterior, tendo como destaque negativo a produção de equipamentos de transporte não industrial (-5,9% m/m). As demais quedas ficaram por conta da produção de bens de capital (-1,1% m/m) e de bens intermediários (-1,1% m/m), com ambas as categorias dando continuidade aos recuos observados no mês imediatamente anterior (-0,2% m/m e -0,5% m/m, respectivamente), corroborando a leitura de perda de dinamismo da atividade industrial ao longo do segundo trimestre de 2026.

Entre os ramos de atividade pesquisados, as principais influências negativas ficaram por conta dos desempenhos na produção de derivados de petróleo e biocombustíveis (-5,9% m/m), registrando o segundo mês consecutivo de queda em sua produção; produtos químicos (-4,3% m/m), revertendo a alta de 3,6% m/m assinalada no mês imediatamente anterior; produtos alimentícios (-1,9% m/m), acumulando o quarto recuo consecutivo na margem; e na produção de produtos farmacêuticos (-11,0% m/m), após ter avançado 11,9% m/m na leitura imediatamente anterior. Além disso, podemos destacar também os recuos de 8,9% m/m na produção de equipamentos e informáticos e produtos eletrônicos e de -8,6% m/m na produção de outros equipamentos de transporte. Por outro lado, na ponta positiva, as principais contribuições altistas puderam ser observadas na produção de celulose, papel e produtos de papel (5,4% m/m), marcando o terceiro mês consecutivo de expansão; na fabricação de produtos de impressão e reprodução de gravações (20,2% m/m); e na metalurgia (1,4% m/m).

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