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Publicado em 07 de Maio às 14:44:53

PIM (Mar/26): Produção industrial ganha tração no início de 2026, com cautela à frente

Em março, a Produção Industrial Mensal (PIM) registrou expansão de 0,1% m/m, número que veio um pouco acima do esperado pelo consenso de mercado (-0,1% m/m, Broadcast+), contudo mais em linha com a nossa expectativa para o mês de estabilidade no setor (0,0% m/m). Com esse resultado, a atividade industrial acumulou o terceiro avanço mensal consecutivo e registrou expansão de 3,1% no primeiro trimestre, confirmando um quadro mais benigno para o setor neste início de 2026, após o desempenho mais fraco observado ao longo do segundo semestre de 2025. Ainda assim, entendemos que a melhora no começo do ano não altera de forma relevante a perspectiva para a indústria ao longo de 2026, que deve continuar desafiadora, sobretudo para a indústria de transformação, em um ambiente marcado por política monetária ainda contracionista por um período prolongado.

Na comparação interanual, a indústria registrou avanço de 4,3% a/a, vindo melhor do que o esperado pelo consenso de mercado (3,7% a/a, Broadcast+), porém mais em linha com a nossa projeção para o período de avanço de 4,1% a/a. Com esses resultados, a indústria deixa um carrego estatístico de 0,3% para o segundo trimestre e de 1,3% para o ano cheio de 2026.

De modo geral, os dados divulgados hoje confirmam a recuperação da atividade industrial ao longo do primeiro trimestre de 2026. Ainda assim, esse resultado deve ser interpretado com certa cautela, uma vez que, dos 25 ramos pesquisados, apenas 10 registraram avanço na comparação trimestral com o último trimestre de 2025, o que sugere uma recuperação ainda concentrada entre poucos segmentos. Em nossa avaliação, esse quadro reforça a expectativa de que a indústria seguirá enfrentando desafios ao longo de 2026, em um ambiente macroeconômico que se tornou mais adverso diante das revisões nas expectativas para a Selic, refletindo a perspectiva de piora da dinâmica inflacionária ao longo do ano. Nesse contexto, entendemos que o resultado de hoje segue consistente com a nossa projeção revisada de crescimento do PIB de 1,1% t/t no 1T26 e de 2,0% no ano cheio de 2026.

Apesar da alta no mês e da expansão em todas as 4 grandes categorias pesquisadas, o desempenho positivo no período ficou limitado a apenas 8 dos 25 ramos de atividade pesquisados. Entre as grandes categorias, bens de consumo duráveis foi o principal destaque positivo assinalando um avanço de 1,7% m/m, dando continuidade à sequência de duas altas observado nos meses imediatamente anteriores e acumula uma alta de 9,9% em relação à dez/25 e de 3,5% t/t quando comparado ao último trimestre do ano passado. Com esse resultado o indicador retorna para o nível mais elevado desde jul/24, corroborando o cenário de recuperação no início de 2026 após fortes recuos observados no final do ano passado. Além disso, a produção de bens de capital registrou expansão de 0,6% m/m, também dando continuidade às altas observadas nos dois primeiros meses de 2026, acumulando avanço de 6,4% em relação a dezembro do ano passado. Contudo, mesmo diante dos resultados positivos observados nos três primeiros meses de 2026, isso foi insuficiente para impedir que a categoria registrasse um resultado negativo na comparação trimestral (-1,1% t/t). Por fim as demais altas ficaram por conta dos avanços de 0,5% m/m na produção de bens intermediários e de 0,4% m/m de bens de consumo semiduráveis e não duráveis, também dando sequência aos resultados positivos nos dois meses imediatamente anteriores observados em ambas as categorias. Com esses resultados, a produção de bens intermediários e de consumo semiduráveis e não duráveis registraram avanços de 1,8% t/t e 1,5% t/t, respectivamente.

Entre os ramos de atividade pesquisados, as principais influências positivas ficaram por conta dos desempenhos na produção de derivados de petróleo e biocombustíveis (2,2% m/m), registrando o quarto mês consecutivo de expansão, e produtos químicos (4,0% m/m), invertendo o recuo de 1,5% m/m observado no mês imediatamente anterior. Além disso, podemos destacar os avanços observados na produção de veículos automotores, reboques e carrocerias (1,1% m/m), dando continuidade às altas observadas nos dois meses imediatamente anteriores, de modo que, o indicador retornou para o nível mais elevado desde out/24; de 1,2% m/m na metalurgia, revertendo parcialmente o recuo de 1,6% m/m registrado em fevereiro; e na alta de 1,0% m/m na produção de máquinas e equipamentos.

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