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Publicado em 13 de Fevereiro às 14:07:53

PMC (Dez/25): Varejo volta a apresentar maior letargia após o fim do efeito da Black Friday

Em dezembro, o volume de vendas do varejo (restrito) recuou -0,4% m/m, vindo pior do que as projeções de mercado, que já apontavam contração (-0,1% m/m, Broadcast+), além de frustrar significativamente a nossa estimativa de alta (0,1% m/m). A média móvel trimestral do varejo desacelerou de 0,4% para 0,3% no trimestre móvel encerrado em dezembro, reforçando nossa avaliação de que o processo de arrefecimento da economia brasileira tende a ocorrer de maneira gradual e ordenada, embora com a ocorrência de alguns “soluços” pontuais em alguns setores ou categorias. Já na comparação interanual, as vendas no varejo cresceram 2,3% a/a, ficando marginalmente abaixo do consenso de mercado, mas bem aquém da nossa projeção de 3,3% a/a. Em 2025, o varejo ampliado apresentou alta de 1,6%, resultado que veio ao encontro das estimativas, mas que representou o avanço anual mais fraco desde 2022 (1,0%).

O varejo ampliado (que inclui Veículos, Motos, Partes e Peças; Materiais de Construção; e Atacado de Produtos Alimentícios) caiu -1,2% m/m em dezembro, interrompendo a sequência de alta registrada nos 5 meses anteriores. O resultado veio ligeiramente pior que o projetado pelos analistas (-1,0% m/m, Broadcast+) e por nós (-1,1% m/m). Com isso, a média móvel trimestral do varejo ampliado despencou de 0,7% para 0,1%, retirando a percepção de melhora no desempenho do varejo no último trimestre do ano passado. Na comparação interanual, as vendas avançaram 2,8% a/a, levemente aquém do consenso de mercado e da nossa estimativa de 2,9% a/a. Em 2025, o varejo ampliado acumulou uma alta de apenas 0,1%, número esse que veio em consonância com as estimativas.

O recuo do varejo foi disseminado em dezembro, com 6 das 8 atividades pesquisadas apresentando contração. As maiores quedas foram registradas nas vendas de Material de Construção (-2,8% m/m) e Veículos, motos, partes e peças (-2,4% m/m). Os recuos mais moderados ficaram por conta das vendas de Móveis e eletrodomésticos (-0,7% m/m), Tecidos, vestuário e calçados (-0,4% m/m) e Hipermercados e supermercados (-0,3% m/m). O destaque de alta ficou por conta das vendas de Combustíveis e Lubrificantes (0,3% m/m). Apesar da reformulação recente da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), que passou a incluir o Atacado de Produtos Alimentícios na métrica do varejo ampliado, ainda não há dados suficientes para haver a divulgação desse dado com ajuste sazonal, estando disponível apenas a variação interanual sem ajuste. Em relação a dezembro de 2024, o resultado já é bem diferente, com 6 das 8 atividades do varejo apresentando expansão. Os avanços ocorreram Atacado de produtos alimentícios (9,7% a/a), Móveis e eletrodomésticos (6,9% a/a), Combustíveis e Lubrificantes (3,0% a/a), Hipermercados e supermercados (1,3% a/a), Veículos, motos, partes e peças (0,7% a/a) e Material de Construção (0,1% a/a). O destaque negativo ficou por conta do segmento de Tecidos, vestuário e calçados (-2,5% a/a). Já em 2025, o varejo restrito apresentou crescimento em todas as suas aberturas (Combustíveis e Lubrificantes (0,6%), Hipermercados e supermercados (0,8%), Tecidos, vestuário e calçados (1,3%), Móveis e eletrodomésticos (4,5%)), enquanto o varejo ampliado registrou contração generalizada (Veículos, motos, partes e peças (-2,9%), Atacado de Produtos Alimentícios (-2,3%) e Material de construção (-0,2%)).

Com o resultado de dezembro e as revisões nos meses anteriores, o varejo restrito se encontra agora 10,4% acima do nível registrado no pré-pandemia (fev/20) e o varejo ampliado 5,3% além. Artigos farmacêuticos (40,8%), Supermercados (12,9%), Combustíveis (9,8%), Veículos (9,0%), Equipamentos de informática (8,2%) e Material de construção (3,8%) já ultrapassaram o nível de fevereiro de 2020. Apenas os segmentos de Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-3,5%) e Vestuário (-19,8%) e Livros (-45,6%) ainda operam abaixo do período da covid-19.

Em dezembro, o fim do efeito das vendas da Black Friday, que impulsionou o resultado da PMC em outubro e novembro, fez com que o varejo retornasse ao cenário anterior que se observava no 3º trimestre de 2025 (um de maior letargia por conta do cenário macroeconômico mais adverso de juros elevados). Para o 1º trimestre de 2026 esperamos alguma recuperação do varejo devido a isenção do IRPF e do reajuste real do salário-mínimo, com um aumento no consumo de itens sensíveis à renda. Por outro lado, os itens mais ligados ao crédito devem se recuperar somente mais à frente quando a desalavancagem das famílias tiver avançado um pouco e as taxas de juros forem menores. Por fim, à luz dos dados mais recentes, incorporamos um viés de baixa na nossa projeção de crescimento do PIB de 0,1% t/t no 4º trimestre e de 2,3% em 2025.

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