Em junho, o volume de vendas do varejo restrito avançou 0,5% m/m, acima do consenso de mercado (0,2% m/m, Broadcast+) e também da nossa projeção para o mês (0,1% m/m). A surpresa positiva interrompe uma sequência de duas leituras consecutivas de frustração relevante no setor varejista. Ainda assim, a composição, marcada por relativo equilíbrio entre altas e quedas, sugere que o resultado deve ser interpretado com alguma cautela. Por outro lado, o varejo segue operando próximo ao maior patamar já registrado em sua série histórica e acumula o segundo avanço mensal consecutivo, reforçando a percepção de resiliência do setor mesmo diante de um cenário macroeconômico ainda bastante adverso. Com este resultado, a sua média móvel trimestral saiu de -0,17% para -0,30%, corroborando a nossa expectativa de arrefecimento da economia na passagem do 1T26 para o 2T26. Na comparação interanual, o varejo apresentou expansão de 2,9% a/a, vindo também melhor do que o esperado pelo mercado (2,0% a/a, Broadcast+) e do que a nossa expectativa para o mês de avanço de 2,1% a/a.
O varejo ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças, materiais de construção e atacado de produtos alimentícios, recuou 1,0% m/m em junho, dando continuidade à sequência de três quedas consecutivas e retornando para próximo do nível observado em dez/25. Ainda assim, o resultado veio melhor do que o esperado pelo consenso de mercado (-1,4% m/m, Broadcast+) e pela nossa projeção (-1,5% m/m). Com a leitura de hoje, a média móvel trimestral do varejo ampliado apresentou nova desaceleração na margem, passando de -0,4% para -0,7%, reforçando, em conjunto com o varejo restrito, o cenário de arrefecimento da atividade econômica no segundo trimestre. Na comparação interanual, o varejo ampliado registrou expansão de 4,9% a/a, acima da expectativa de mercado (4,0% a/a, Broadcast+) e da nossa projeção para o mês, também de 4,0% a/a. Diante dos sinais mistos observados em junho entre os principais setores da economia, indústria, serviços e varejo, mantemos nossa expectativa de desaceleração do crescimento para 0,4% t/t do PIB no segundo trimestre. Ainda assim, seguimos avaliando que o processo de arrefecimento da economia brasileira deve ocorrer de forma gradual, com expansão de 1,9% em 2026, em um cenário marcado pelo descasamento entre as políticas monetária e fiscal.
O avanço do varejo em junho foi explicado pela alta de 4 das 8 atividades pesquisadas, sugerindo que o desempenho positivo do índice cheio não foi disseminado entre as categorias pesquisadas. Entre as altas, os principais destaques ficaram por conta das vendas de Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,4% m/m), dando continuidade ao avanço de 0,2% m/m registrado no mês imediatamente anterior, após ter recuado 4,6% m/m em abril; e de 1,1% m/m das vendas de hipermercados, supermercados e produtos alimentícios, revertendo parcialmente o recuo de 1,4% m/m observado no mês imediatamente anterior. As demais altas ficaram por conta das vendas de Móveis e eletrodomésticos (0,4% m/m) e de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,2% m/m).
Entre as quedas, destacamos o desempenho nas vendas de Livros, jornais, revistas e papelaria (-9,9% m/m), revertendo parcialmente o avanço de 16,1% m/m do mês imediatamente anterior e interrompeu uma sequência de 4 altas consecutivas. Além disso, tivemos recuos nas vendas de Tecidos, vestuário e calçados (-2,6% m/m), revertendo parcialmente a expansão de 3,2% m/m do mês imediatamente anterior; nas vendas de combustíveis e lubrificantes (-1,7% m/m), após avanço de 1,0% m/m em maio; e nas vendas de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-1,3% m/m), dando continuidade à sequência de dois recuos consecutivos observados nos meses imediatamente anteriores. Com relação ao varejo ampliado, o recuo no índice cheio foi derivado das quedas observadas tanto nas vendas de Veículos, motos, partes e peças (-1,5% m/m) e de material de construção (-3,5% m/m) durante o período.
Com o resultado de junho e as revisões nos meses anteriores, o varejo restrito se encontra 11,8% acima do nível registrado no pré-pandemia (fev/20), deixando um carrego estatístico de 0,4% para o terceiro trimestre e de 1,8% para o ano cheio. Já o varejo ampliado, encontra-se 5,5% acima do nível pré-Covid, deixando um carrego estatístico de -0,8% para o 3T26 e de 0,9% para o ano de 2026.
Em síntese, o resultado de junho reforça nossa expectativa de arrefecimento da economia na passagem do primeiro para o segundo trimestre, em um cenário macroeconômico mais adverso. Ainda assim, avaliamos que a desaceleração em relação a 2025 deve ocorrer de forma gradual, uma vez que as políticas de estímulo à demanda devem continuar sustentando a atividade, mesmo em um ambiente de política monetária significativamente contracionista. Para além da atividade, entendemos que os dados de junho, somados à leitura mais recente do IPCA, que ainda aponta para uma dinâmica inflacionária benigna no curto prazo, devem favorecer a continuidade do ciclo de calibração da política monetária na reunião de setembro, com redução da taxa Selic para 13,75% a.a.










