Em maio, o volume de vendas do varejo (restrito) registrou alta de 0,1% m/m, vindo pior do que o esperado pelo consenso de mercado (0,7% m/m, Broadcast+), vindo abaixo do piso das projeções de mercado de 0,2% m/m (Broadcast+) e também aquém da nossa expectativa para o mês (0,6% m/m). Apesar da expansão na série com ajuste sazonal, o resultado de hoje representa uma significativa frustração pelo segundo mês consecutivo em relação à expectativa mediana de mercado, sugerindo que o varejo enfrenta um cenário significativamente mais adverso quando comparado ao primeiro trimestre do ano. Contudo, vale ressaltar que o varejo segue operando próximo do nível mais elevado já registrado em sua série histórica, sugerindo ainda uma certa resiliência mesmo sob condições adversas, principalmente dado o nível de restrição da política monetária atual. Com este resultado, a sua média móvel trimestral saiu de 0,0% para -0,24% corroborando a nossa expectativa de arrefecimento da economia na passagem do 1T26 para o 2T26. Na comparação interanual, o varejo apresentou expansão de 0,4% a/a, vindo também pior do que o esperado pelo mercado (1,4% a/a, Broadcast+) e do que a nossa expectativa para o mês de avanço de 1,3% a/a.
O varejo ampliado (que inclui Veículos, Motos, Partes e Peças; Materiais de Construção; e Atacado de Produtos Alimentícios) recuou 0,2% m/m em maio, dando continuidade à sequência de dois recuos consecutivos observados nos meses imediatamente anteriores e retorna para próximo do nível observado em jan/26. Este resultado veio pior do que o esperado tanto pelo consenso de mercado (0,8% m/m, Broadcast+) quanto por nós (0,6% m/m). Diante dos números de hoje, a média móvel trimestral do varejo ampliado também apresentou uma importante desaceleração na margem saindo de 0,1% para -0,3% e se soma à leitura do varejo restrito ao também corroborar um cenário de arrefecimento da atividade econômica no segundo trimestre do ano. Na comparação interanual, o varejo ampliado registrou contração de 0,6% a/a, vindo pior do que o piso das projeções de mercado (0,0% a/a, Broadcast+) e aquém da nossa expectativa para o mês 0,8% a/a. Em nossa avaliação, os dados divulgados hoje corroboram nosso cenário-base de desaceleração relevante da atividade na passagem do primeiro para o segundo trimestre. Diante dos números aquém do esperado para o desempenho de todas os principais setores da economia no mês de junho (indústria, serviços e varejo), revisamos a nossa expectativa de crescimento de 0,5% t/t para 0,4% t/t no segundo trimestre do ano. Apesar dessa revisão, a expectativa de crescimento para o ano de 2026 segue em 2,0%, refletindo um cenário de arrefecimento gradual em relação à 2025, derivado do descasamento entre as políticas monetária e fiscal.
O avanço do varejo em maio foi explicado pela alta de 5 das 8 atividades pesquisadas, sugerindo que o desempenho negativo concentrado em categorias com peso relevante no indicador conseguiu contrabalancear essas altas. Entre as altas, os principais destaques ficaram por conta das vendas de Livros, jornais, revistas e papelaria (15,2% m/m), dando continuidade à sequência de 3 altas consecutivas observadas nos meses imediatamente anteriores, retornando para o nível mais elevado da série com ajuste sazonal desde mai/22. Além disso, tivemos altas nas vendas de Tecidos, vestuários e calçados (3,1% m/m), dando continuidade aos dois avanços consecutivos observados nos meses imediatamente anteriores, retornando para o nível mais elevado desde mai/22, e nas vendas de Móveis e eletrodomésticos (2,7% m/m), interrompendo uma sequência de cinco contrações consecutivas e retorna para o nível observado em dez/25. As demais altas ficaram por conta das vendas Artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria (1,4% m/m), revertendo o recuo de 0,1% m/m do mês anterior, e de combustíveis e lubrificantes (1,1% m/m), após recuarem 5,9% m/m em abril.
Entre as quedas, destacamos o desempenho nas vendas dos Hipermercados e supermercados (-1,5% m/m), revertendo o avanço de 1,4% m/m observado no mês imediatamente anterior que dada a sua relevância no índice atuou como a principal âncora do desempenho do varejo no mês. Além disso, quedas também puderam ser observadas nas vendas de Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-1,7% m/m), dando continuidade ao forte recuo de 4,4% m/m do mês imediatamente anterior, e de Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,3% m/m) também dando continuidade ao recuo de 5,0% m/m observado anteriormente. Com relação ao varejo ampliado, apesar do recuo no índice cheio, as vendas de veículos, motos, partes e peças e de material de construção registraram expansões de 1,8% m/m e 2,14% m/m, respectivamente.
Com o resultado de maio e as revisões nos meses anteriores, o varejo restrito se encontra 10,9% acima do nível registrado no pré-pandemia (fev/20), deixando um carrego estatístico de -0,8% para o segundo trimestre e de 1,3% para o ano cheio. Já o varejo ampliado, encontra-se 6,7% acima do nível pré-Covid, deixando um carrego estatístico de -0,6% para o 2T26 e de 1,6% para o ano de 2026.
Em síntese, o resultado de maio reforça a nossa expectativa de arrefecimento da economia na passagem do primeiro para o segundo trimestre, refletindo tanto a desaceleração dos segmentos do varejo mais ligados ao crédito quanto à renda, refletindo principalmente o esgotamento de algumas políticas de impulso à demanda que sazonalmente estão mais concentradas no início do ano. Contudo, entendemos que a trajetória de desaceleração da economia em relação ao ano de 2025 deve se mostrar bastante gradual, refletindo os efeitos das políticas de estímulo à demanda que devem continuar sustentando a economia mesmo em um ambiente marcado por uma taxa de juros significativamente contracionista. Para além da atividade econômica, entendemos que os números de hoje e a leitura do IPCA mais benigno na última semana devem jogar a favor da continuidade do ciclo de calibração da política monetária, levando a taxa Selic para 14,0% a.a. na reunião de agosto.











