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Publicado em 15 de Janeiro às 11:14:48

PMC (Nov/25): Black Friday impulsiona retomada do varejo no último trimestre de 2025

Em novembro, o volume de vendas do varejo avançou 1,0% m/m, vindo acima do teto das projeções de mercado e significativamente superior ao consenso (0,2% m/m, Broadcast+), além de superar de forma significativa a nossa expectativa de alta de 0,4% m/m. O desempenho dá continuidade à expansão de 0,5% m/m observada em setembro, indicando uma retomada do setor no último trimestre do ano. Com isso, a média móvel trimestral do varejo interrompe uma sequência de seis leituras consecutivas próximas à estabilidade e acelera para 0,5% no trimestre móvel encerrado em novembro, reforçando nossa avaliação de que o processo de arrefecimento da economia brasileira tende a ocorrer de maneira gradual. Na comparação interanual, as vendas no varejo cresceram 1,3% a/a, também acima do teto das estimativas de mercado (1,2% a/a, Broadcast+) e da nossa projeção de alta de 0,3% a/a.

O varejo ampliado – que inclui Veículos, Motos, Partes e Peças; Materiais de Construção; e Atacado de Produtos Alimentícios – cresceu 0,7% m/m em novembro, estendendo a sequência de quatro altas registrada nos meses anteriores. O resultado também surpreendeu positivamente o mercado, vindo acima da projeção mediana de mercado (0,4% m/m, Broadcast+) e do que a nossa expectativa para o mês de alta de 0,3% m/m. Com o resultado de novembro, a média móvel trimestral do varejo ampliado avançou 0,6%, dando continuidade às altas observadas nas duas leituras imediatamente anteriores, corroborando também a percepção de melhora no desempenho do varejo no último trimestre do ano. Na comparação interanual, as vendas recuaram 0,3% a/a, vindo melhor do que o consenso de mercado (-0,7% a/a, Broadcast+) e do que a nossa expectativa para o mês -0,9% a/a.

O avanço do varejo em novembro foi explicado pelas altas de sete das oito atividades pesquisadas. Entre os avanços, os principais destaques ficaram por conta das vendas de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (4,1% m/m), dando continuidade à alta de 4,0% m/m observada no mês imediatamente anterior; Móveis e eletrodomésticos (2,3% m/m), acelerando em relação ao avanço de 0,9% m/m de setembro. As demais altas ficaram por conta dos avanços de 2,2% m/m nas vendas de Artigos farmacêuticos e de perfumaria; de 2,0% m/m de Outros artigos de uso pessoal e doméstico; 1,5% m/m de Livros, jornais, revistas e papelaria; de 1,0% m/m em Supermercados e hipermercados; e de 0,6% m/m em Combustíveis e lubrificantes. Cabe destacar que boa parte dos segmentos que avançaram no mês foram beneficiados pelos descontos da Black Friday, que devem ter impulsionado o desempenho da atividade varejista no mês. Com relação ao varejo ampliado, o resultado no mês refletiu também a alta de 0,8% m/m nas vendas de Material de construção, que foram parcialmente compensadas pelo recuo de 0,2% m/m nas vendas de Veículos, motos, partes e peças.

Com o resultado de novembro e as revisões nos meses anteriores, o varejo restrito se encontra 11,0% acima do nível registrado no pré-pandemia (fev/20), deixando um carrego estatístico de 1,2% para o último trimestre e de 1,8% para o ano cheio. Já o varejo ampliado, encontra-se 6,8% acima do nível pré-Covid, deixando um carrego estatístico de 2,4% para o 4T25 e de 0,3% para o ano de 2025. ▪ Em nossa avaliação, a surpresa positiva de novembro aponta para uma recuperação do consumo ao longo do último trimestre do ano, reforçando a nossa leitura de que o processo de arrefecimento da economia brasileira ocorrerá de forma gradual, refletindo o descompasso entre as políticas monetária e fiscal. Soma-se a esse quadro a resiliência do mercado de trabalho e a expectativa de que a política fiscal se torne ainda mais expansionista com a aproximação do ciclo eleitoral, fatores que tendem a contribuir para suavizar ainda mais o impacto baixista proveniente do nível de contração da política monetária sobre a atividade. À luz dos dados divulgados hoje, mantemos a nossa projeção de crescimento do PIB de 0,1% t/t no 4T25 e de 2,3% em 2025.

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