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Publicado em 12 de Fevereiro às 12:51:02

PMS (Dez/25): Serviços frustram expectativas novamente, reforçando a tese de desaceleração da economia

Em dezembro, o setor de serviços registrou queda de -0,4% m/m, vindo pior do que o esperado pelo consenso de mercado (-0,1% m/m, Broadcast+), mas um pouco melhor do projetado por nós (-0,6% m/m), reforçando a percepção de perda de dinamismo da economia brasileira no último trimestre do ano passado. Já o resultado de novembro sofreu uma leve revisão altista, de -0,1% m/m para 0,0% m/m. Na comparação interanual, os serviços registraram alta de 3,4% a/a, marginalmente pior do que a mediana de mercado (3,5% a/a, Broadcast+), porém com um crescimento acima do esperado por nós (3,0% a/a). Com isso, os serviços fecharam o ano de 2025 com uma alta de 2,8%.

Apesar do índice geral ter registrado queda em dezembro, o desempenho negativo no mês só ficou circunscrito a 3 das 5 grandes categorias pesquisadas. Os destaques negativos ficaram por conta dos Outros serviços (-3,4% m/m), Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-3,1% m/m), refletindo recuos em todas as aberturas, com a maior ênfase no transporte aéreo (-5,5% m/m) e armazenagem, serviços auxiliares dos transportes e correio (-4,9% m/m), e dos Serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,3% m/m), que também apresentou recuo generalizado nas aberturas, com maior proeminência para os serviços técnico-profissionais (-4,3% m/m). Na ponta positiva, houve alta de 1,1% m/m nos Serviços prestados às famílias, refletindo o principalmente o avanço de 8,5% m/m nos outros serviços prestados às famílias, além de uma alta de 0,9% m/m nos serviços de alojamento e alimentação, enquanto que os Serviços de informação e comunicação apresentaram expansão de 1,7% m/m fruto de um avanço disseminado em todas as quatro aberturas, com o maior crescimento ficando por conta dos serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias (9,1% m/m).

Em 2025, 4 das 5 grandes atividades de serviços registraram expansão: Serviços de informação e comunicação (5,5%), Serviços profissionais, administrativos e complementares (2,6%), Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (2,3%) e Serviços prestados às famílias (1,1%). Só a categoria de Outros serviços apresentou contração no ano passado (-0,5%). Outro item de serviços que se destacou no ano passado foram as atividades turísticas, que cresceram 4,6% e atingiram o maior patamar da série histórica em dezembro. Já em relação ao nível pré-pandemia, os serviços estando rodando 19,6% acima, os transportes 18,8%, os serviços prestados às famílias 6,0%, os serviços de informação e comunicação 35,2% e os serviços profissionais e administrativos 24,1%, ao passo que o segmento de outros serviços está 1,4% aquém.

Com o resultado mais recente de dezembro, a média móvel trimestral do volume de serviços estagnou (0,0% m/m), indicando a perda de resiliência da categoria diante de um cenário mais desafiador, no que pode ser a primeira inflexão de um setor que foi o “carro chefe” do crescimento econômico desde a reabertura da economia após a pandemia de covid-19. Não obstante, o dado corrobora a nossa avaliação de que o setor de serviços deve contribuir para que o processo de arrefecimento da economia como um todo ocorra de maneira bastante gradual, se beneficiando de um mercado de trabalho que ainda se mostra aquecido e uma política fiscal expansionista.

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