Em junho, o setor de serviços registrou estabilidade no mês (0,0% m/m), resultado que veio melhor do que o esperado pelo mercado (-0,2% m/m, Broadcast+), e também acima da nossa expectativa de contração na mesma magnitude. Com esse resultado, o setor encerrou o segundo trimestre dando continuidade aos sinais de perda de dinamismo observados no mês anterior, sugerindo que o esgotamento das medidas de impulso à demanda, mais concentradas no primeiro trimestre, deve se traduzir em uma trajetória de arrefecimento da economia ao longo dos próximos trimestres. Na comparação interanual, houve expansão de 2,0% a/a, número este que superou a expectativa mediana de mercado (1,2% a/a, Broadcast+) e também veio melhor do que a nossa projeção para o mês de alta de 1,4% a/a.
Com o resultado de hoje, a média móvel trimestral do volume de serviços saiu da estabilidade observada na leitura anterior para avanço de 0,3%, apontando para um ritmo de crescimento ainda bastante moderado na margem e consistente com nosso cenário de arrefecimento da economia em 2026. Apesar da estabilidade do índice cheio no mês, a disseminação de quedas entre as atividades pesquisadas, com recuo em quatro das cinco categorias, sugere uma composição mais fraca do que a leitura agregada indica. Em nossa avaliação, o resultado se soma aos sinais mais amplos de perda de dinamismo observados nos demais indicadores de atividade ao longo do segundo trimestre, reforçando nossa expectativa de desaceleração da economia brasileira. Nesse contexto, os números seguem compatíveis com a projeção de arrefecimento do PIB, de 1,1% t/t no primeiro trimestre para 0,4% t/t no segundo trimestre. Diante dos sinais mais disseminados de moderação da atividade, revisamos nossa projeção de crescimento para 2026 de 2,0% para 1,9%, com viés baixista para a estimativa de 1,6% em 2027.
O recuo no índice geral veio acompanhado de quedas em quatro das cinco atividades pesquisadas. O principal destaque negativo ficou por conta do recuo em serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,4% m/m), interrompendo uma sequência de duas altas consecutivas nos meses imediatamente anteriores, refletindo principalmente o recuo de 1,5% m/m nos serviços técnico-profissionais. Além disso, tivemos quedas observadas em outros serviços (-2,2% m/m), dando continuidade ao recuo de 1,8% m/m observado em maio, e de -1,2% m/m nos serviços prestados às famílias, revertendo boa parte da alta registrada nos dois meses anteriores, com destaque para o recuo de 1,0% m/m para os serviços de alojamento e alimentação. Por fim, tivemos um recuo de 0,1% m/m, nos serviços de transportes, serviços auxiliares de transportes e correios, dando continuidade ao recuo de 0,9% m/m do mês imediatamente anterior, tendo como principal queda os transportes aéreos (-6,7% m/m). Em contrapartida, a única contribuição altista ficou por conta dos serviços de informação e comunicação (1,8% m/m), dando continuidade à sequência de duas altas consecutivas observadas nos meses imediatamente anteriores, refletindo a combinação entre a alta de 2,2% m/m de serviços de tecnologia da informação e comunicação e o recuo de 0,4% m/m dos serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias.
Com o resultado de junho e as revisões nos meses anteriores, o setor de serviços se encontra 19,9% acima do nível pré-pandemia e opera 0,3% abaixo do nível mais elevado já registrado em sua série histórica (out/25), corroborando a nossa avaliação de que mesmo diante de um cenário macroeconômico adverso o setor segue operando com bastante resiliência. Por fim, destacamos que o setor de serviços deixa um carrego estatístico de -0,1% para o segundo trimestre do ano e de 1,1% para o ano cheio de 2026.








