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Publicado em 15 de Maio às 15:04:18

PMS (Mar/26): Serviços despencam em março e acendem alerta para a atividade

Em março, o setor de serviços registrou contração de 1,2% m/m, resultado que veio significativamente pior do que o consenso de mercado, ficando abaixo do piso das estimativas (-0,6% m/m, Broadcast+) e também aquém da nossa projeção para o mês de contração de -0,3% m/m. Com esse resultado, o setor varejista diverge das leituras dos principais indicadores antecedentes que apontavam para um desempenho mais robusto no mês de março, assim como dos desempenhos dos demais setores (indústria e varejo) que surpreenderam positivamente no mês. Na comparação interanual, o setor registrou alta de 3,0% a/a, número este que também surpreendeu negativamente o consenso de mercado (4,7% a/a, Broadcast+) e também veio pior do que a nossa expectativa para o mês de avanço de 4,6% a/a.

Com o resultado de hoje, a média móvel trimestral do volume de serviços saiu de um recuo de 0,1% em fevereiro para -0,4% no trimestre móvel encerrado em março, sugerindo uma tendência de desaceleração do setor de serviços na virada do primeiro para o segundo trimestre de 2026. Além disso, ressaltamos que os recuos bastante disseminados entre todas as grandes categorias pesquisadas acendem um sinal de alerta. A nosso ver, apesar da resiliência do mercado de trabalho e das medidas de impulso fiscal, o cenário macroeconômico adverso, marcado por uma política monetária significativamente contracionista e elevado nível de endividamento das famílias, se mostra um importante limitador para o avanço da atividade econômica, configurando um importante risco para a trajetória de arrefecimento gradual projetada por nós ao longo dos próximos trimestres. Nesse sentido, avaliamos que os números de hoje impõem um viés baixista para o nosso número de crescimento do PIB de 1,1% t/t no 1T26, contudo, ainda seguem consistentes com uma expansão de 2,0% no ano.

O recuo no índice geral veio acompanhado das quedas de todas as cinco atividades pesquisadas. O principal destaque negativo no mês ficou por conta do setor de transportes com o recuo de 1,7% m/m, interrompendo uma sequência de duas altas consecutivas capturadas nos meses imediatamente anteriores, tendo como destaque o recuo de 7,1% m/m dos serviços de transporte aéreo. Além disso, tivemos os recuos de -1,1% m/m nos serviços profissionais, administrativos e complementares, dando continuidade à sequência de três recuos consecutivos observados nos meses imediatamente anteriores; e de -0,9% m/m nos serviços de informação e comunicação, interrompendo uma sequência de três altas consecutivas, período no qual o indicador atingiu o nível mais elevado já registrado em sua série histórica. Por fim, os demais recuos ficaram por conta de outros serviços (-2,0% m/m) e dos serviços prestados às famílias (-1,5% m/m), revertendo o avanço de 1,1% m/m observados em fevereiro.

Com o resultado de março e as revisões nos meses anteriores, o setor de serviços se encontra 18,2% acima do nível pré-pandemia e opera 1,7% abaixo do nível mais elevado já registrado em sua série histórica (out/25). Dessa forma, o setor de serviços apresentou um recuo de 0,7% t/t em relação ao último trimestre de 2025, sendo este o maior recuo trimestral desde o 2T20 (-16,0% t/t), período no qual o indicador foi afetado pelo início das restrições impostas pela pandemia. Por fim, com o resultado de hoje, o indicador deixa um carrego de -0,8% para o 2T26 e de -0,1% para o ano cheio de 2026.

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