Em novembro, o setor de serviços registrou queda de 0,1% m/m, vindo pior do que o esperado pelo consenso de mercado (0,1% m/m, Broadcast+) e aquém do projetado por nós (0,2% m/m). Com este resultado, o indicador interrompe uma sequência de nove altas consecutivas, período no qual atingiu o patamar mais elevado já registrado em sua série histórica, reforçando a percepção de perda de dinamismo da economia brasileira no último trimestre do ano. Na comparação interanual, os serviços registraram alta de 2,5% a/a, vindo pior do que a mediana de mercado (2,8% a/a, Broadcast+) e pior do que a nossa projeção para o mês de alta de 3,2% a/a.
Apesar do índice geral ter registrado queda em novembro, o desempenho no mês foi marcado pelo recuo de apenas duas das cinco grandes categorias pesquisadas. O destaque negativo ficou por conta do recuo de 1,4% m/m no segmento de Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, interrompendo uma sequência três altas consecutivas nos meses imediatamente anteriores, refletindo os recuos de 3,8% m/m e 2,7% m/m nos transportes aquaviário e aéreo, respectivamente. O outro recuo ficou por conta dos serviços de Informação e comunicação (-0,7% m/m), após ter avançado por dois meses consecutivos, tendo como destaque o recuo de 4,6% m/m nos serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias. Na ponta positiva, houve alta de 1,3% m/m nos serviços Profissionais, administrativos e complementares, refletindo o principalmente o avanço de 2,9% m/m dos serviços Técnico-profissionais, de modo que, o indicador atingiu o nível mais elevado já registrado em sua série histórica. Além disso, tivemos o avanço de 0,5% m/m nos Outros serviços. Por fim, os serviços Prestados às famílias registraram estabilidade no mês, sendo este resultado derivado da combinação entre a estabilidade também registrada nos serviços de Alojamento e alimentação e o recuo de 2,6% m/m na categoria de Outros serviços prestados às famílias.
Com o resultado mais recente, a média móvel trimestral do volume de serviços registrou alta de 0,3%, seguindo praticamente estável ao longo das últimas 7 leituras e reforça a nossa percepção de que o segmento segue resiliente mesmo diante de um cenário macroeconômico significativamente desafiador. O dado corrobora a nossa avaliação de que o setor de serviços deve contribuir para que o processo de arrefecimento da economia como um todo ocorra de maneira bastante gradual, se beneficiando de um mercado de trabalho que ainda se mostra aquecido e uma política fiscal expansionista.
Com o resultado de novembro e as revisões nos meses anteriores, o setor de serviços se encontra 20,0% acima do nível pré-pandemia e opera 0,1% abaixo do nível mais elevado já registrado em sua série histórica. Além disso, cabe destacar que, com este resultado, o setor de serviços acumula alta de 3,3% no ano, deixando um carrego estatístico de 0,9% para o quarto trimestre e de 2,9% para o ano cheio.
Em nossa avaliação, o resultado de novembro reforça a visão de que o processo de desaceleração da economia brasileira deve se dar de forma gradual no último trimestre do ano. Mesmo diante de um ambiente macroeconômico bastante adverso, a atividade segue sendo sustentada por um mercado de trabalho aquecido, medidas de estímulo à demanda e por conta de mudanças estruturais em hábitos de consumo que seguem impulsionando o transporte de cargas. Nesse contexto, avaliamos que o dado de hoje segue corroborando a nossa expectativa de que o PIB tenha avançado 0,1% t/t no último trimestre de 2025, de modo que, a economia deve ter registrado crescimento de 2,3% no ano cheio.








