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Publicado em 28 de Maio às 16:52:17

PNAD (Abr/26): Taxa de desemprego surpreende e sugere fortalecimento do mercado de trabalho

De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego no trimestre móvel encerrado em abril de 2026 foi de 5,8% da força de trabalho, resultado este que veio no piso das projeções de mercado (Broadcast+) e melhor do que a nossa expectativa para o mês de estabilidade em 6,1% da força de trabalho. Com este resultado, a taxa de desemprego fica no menor nível já registrado na série histórica para um trimestre móvel encerrado em abril, sinalizando que o mercado de trabalho segue bastante resiliente mesmo diante de um cenário macroeconômico ainda bastante adverso. Na série com ajuste sazonal, a taxa de desemprego interrompeu uma sequência de três leituras consecutivas de altas ao sair de 5,57% para 5,48%, sugerindo uma recuperação do mercado de trabalho no início do segundo trimestre do ano.  Em relação ao mesmo período do ano passado, a taxa de desemprego registrou um recuo de 0,8 p.p., reforçando a percepção de robustez do mercado de trabalho em 2026.

Avaliamos que os números de hoje seguem confirmando a nossa expectativa de que o mercado de trabalho seguirá bastante resiliente e robusto ao longo de 2026, apresentando um arrefecimento bastante gradual que, a nosso ver, reflete o descasamento entre as políticas monetária e fiscal, e mudanças estruturais (aplicativos e envelhecimento populacional, por exemplo) devem manter a taxa de desemprego operando abaixo do nível neutro (7,7%). Para os próximos meses, seguimos acompanhando alguns indicadores antecedentes que corroboram um cenário de arrefecimento bastante gradual do mercado de trabalho, apontando para uma ligeira elevação da taxa de desemprego na série com ajuste sazonal e sua estabilização ao redor de 5,8% na série com ajuste sazonal. Ainda assim, projetamos que a taxa de desemprego siga operando significativamente abaixo do seu nível neutro, sustentando um crescimento real elevado dos rendimentos e mantendo o mercado de trabalho como um fator de desconforto para o Banco Central.

Para o próximo trimestre móvel, preliminarmente, nossos modelos sugerem que a taxa de desemprego recuará para 5,6% da força de trabalho, refletindo principalmente a dissipação da sazonalidade desfavorável de início de ano, de modo que, na série com ajuste sazonal, a taxa de desocupação deve sofrer uma ligeira queda para 5,46% da força de trabalho, permanecendo próximo do patamar observado ao longo do último trimestre de 2026. Com os números de hoje, mantemos a nossa expectativa de que o mercado de trabalho deve sofrer um pequeno ajuste em 2026, de modo que, a taxa de desemprego média do ano deve sair de 5,9% para 6,0% da força de trabalho na passagem de 2025 para 2026.

Na série sem ajuste sazonal, a população ocupada registrou queda de 0,3% no trimestre (menos 338,0 mil de pessoas), contudo seguiu apresentando aumento de 1,1% a/a em relação ao mesmo período do ano anterior (+1,1 mi de trabalhadores), registrando um contingente de 102,3 milhões de trabalhadores no trimestre móvel encerrado em abr/26. No que diz respeito a população desocupada, esta avançou 8,0% no trimestre (mais 471,0 mil pessoas), porém seguiu registrando recuo de 11,3% a/a (-809 mil pessoas) frente ao mesmo trimestre móvel de 2025, registrando um contingente de 6,3 mi de desocupados.

A força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas) foi estimada em 108,7 milhões de pessoas, ficando estável em relação ao trimestre móvel anterior e também quando comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Já a população fora da força de trabalho (66,5 mi) também ficou estável no trimestre, mas registrou crescimento de 1,6% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (mais 1,1 mi de pessoas).

Por fim, o rendimento médio real habitual (R$ 3.732,0) ficou estável em relação ao trimestre imediatamente anterior, porém avançando 5,4% a/a em relação ao mesmo período anterior, ficando praticamente estável em relação ao crescimento desde o início do ano, sugerindo uma certa estabilização no seu ritmo de avanço em um patamar historicamente elevado. Por sua vez, a massa de rendimento real habitual também registrou estabilidade no trimestre, contudo avançando 6,5% a/a em relação ao mesmo período do ano passado, ficando ligeiramente abaixo do nível recorde alcançado no trimestre móvel encerrado em mar/26.

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