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Publicado em 27 de Março às 11:55:38

PNAD (Fev/26):  Taxa de desemprego avança em meio à resiliência do mercado de trabalho

De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego no trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2026 foi de 5,8% da força de trabalho, resultado ligeiramente acima tanto do consenso de mercado (5,7%, Broadcast+) quanto da nossa projeção (5,7%). Apesar da alta na margem, em grande medida explicada pela sazonalidade desfavorável do início do ano, a taxa recua 1,0 p.p. em relação ao mesmo período de 2025, atingindo o menor nível da série histórica para trimestres móveis encerrados em fevereiro. Na série com ajuste sazonal, a taxa de desocupação avançou 0,09 p.p., de 5,38% para 5,47%, permanecendo, ainda assim, em patamar significativamente baixo para os padrões históricos.

Avaliamos que os números de hoje seguem confirmando a nossa expectativa de que o mercado de trabalho seguirá bastante resiliente e robusto ao longo de 2026, apresentando um arrefecimento bastante gradual que, ano nosso ver, reflete o descasamento entre as políticas monetária e fiscal, e mudanças estruturais (aplicativos e envelhecimento populacional, por exemplo) devem manter a taxa de desemprego operando abaixo do nível neutro (7,7%). Para os próximos meses, seguimos acompanhando alguns indicadores antecedentes que seguem corroborando um cenário de arrefecimento bastante gradual do mercado de trabalho, apontando para uma ligeira elevação da taxa de desemprego na série com ajuste sazonal. Ainda assim, projetamos que a taxa de desemprego siga operando significativamente abaixo do seu nível neutro, sustentando um crescimento real elevado dos rendimentos e mantendo o mercado de trabalho como um fator de desconforto para o Banco Central. Apesar dos dados confirmarem a robustez da ocupação brasileira, estes ainda seguem corroborando a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário por parte do BC, que deve seguir afrouxando a taxa Selic em 0,25 p.p. enquanto o conflito no Oriente Médio não tiver uma desescalada mais significativa.

Para o próximo trimestre móvel, preliminarmente, nossos modelos sugerem que a taxa de desemprego se elevará para 6,0% da força de trabalho, refletindo principalmente a sazonalidade desfavorável de início de ano, de modo que, na série com ajuste sazonal, a taxa de desocupação deve sofrer uma ligeira queda para 5,44% da força de trabalho. Com os números de hoje, seguimos com a nossa expectativa de que o mercado de trabalho deve sofrer um pequeno ajuste em 2026, fazendo com que a taxa de desemprego média do ano saia de 5,9% da força de trabalho para 6,1%.

Na série sem ajuste sazonal, a população ocupada registrou queda de 0,8% no trimestre (menos 874,0 mil pessoas), contudo seguiu apresentando aumento de 1,5% a/a em relação ao mesmo período do ano anterior (+1,7 mi de trabalhadores). No que diz respeito a população desocupada, esta avançou 10,6% no trimestre (mais 600,0 mil pessoas), porém seguiu registrando recuo de 14,8% a/a (-1,1 mi de pessoas) frente ao mesmo trimestre móvel de 2025, registrando um contingente de 6,2 mi de desocupados.

A força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas) foi estimada em 108,4 milhões de pessoas, ficando estável em relação ao trimestre móvel anterior e crescendo 0,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior (+377,0 mil pessoas). Já a população fora da força de trabalho (66,6 mi) cresceu 0,9% no trimestre (+608,0 mil pessoas) e expansão de 1,4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (+942,0 mil). Por sua vez, a taxa de participação registrou recuo de 0,2 p.p., atingindo o nível de 61,9% da população em idade de trabalhar, retornando para o nível mais baixo desde o trimestre móvel encerrado em mar/24.

Por fim, o rendimento médio real habitual atingiu o nível recorde da série histórica (R$ 3.679,0), registrando alta de 2,0% no trimestre e expansão de 5,3% a/a, o mesmo nível de expansão registrado no trimestre móvel imediatamente anterior. Por sua vez, a massa de rendimento real habitual registrou estabilidade no trimestre (R$ 371,1 bi) e avançou 6,9% a/a em relação ao mesmo período do ano anterior, desacelerando marginalmente em relação aos 7,3% a/a de alta observados na leitura de janeiro, contudo segue apontando para um ritmo de crescimento significativamente acima do condizente com o cumprimento da meta de inflação.

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