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Publicado em 05 de Março às 15:34:07

PNAD (Jan/26):  Desemprego em 5,4% reforça resiliência do mercado de trabalho

De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego registrada no trimestre móvel encerrado em janeiro de 2026 foi de 5,4% da força de trabalho, resultado que venho em linha tanto com o mercado (Broadcast+) quanto da nossa expectativa para o mês, ambas de 5,4%. Com este resultado, embora a taxa de desemprego tenha apresentado elevação em relação ao trimestre móvel imediatamente anterior devido à sazonalidade desfavorável de início do ano, a mesma acumula uma queda de 1,1 p.p. em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo o menor nível já registrado na série histórica para um trimestre móvel encerrado em janeiro. Com este resultado, na série com ajuste com ajuste sazonal, a taxa de desemprego registrou recuo de 0,03 p.p. saindo de 5,38% para 5,35% da força de trabalho, renovando o menor nível já registrado em sua série histórica.

Avaliamos que os números de hoje seguem confirmando a nossa expectativa de que o mercado de trabalho seguirá bastante resiliente e robusto ao longo de 2026, refletindo, ao nosso ver, o descasamento entre as políticas monetária e fiscal, e mudanças estruturais (aplicativos e envelhecimento populacional, por exemplo) devem manter a taxa de desemprego operando abaixo do nível neutro (7,7%). Os dados de janeiro, com ajuste sazonal apontam para uma expansão da população ocupada (0,8% t/t), queda da população desocupada (-6,7% t/t), elevação da força de trabalho (0,4% t/t), e expansão em termos reais do rendimento médio (2,5% t/t) e da massa de rendimentos (3,3% t/t), sugerindo que o mercado de trabalho segue bastante resiliente, sendo marcado por avanço da ocupação ao mesmo tempo em que a força de trabalho se recupera e os salários seguem crescendo em termos reais.

Para os próximos meses, alguns indicadores antecedentes começam a dar sinais de arrefecimento do mercado de trabalho ao apontarem para uma estabilização desse movimento de queda da taxa de desemprego com ajuste sazonal. Ainda assim, projetamos que a taxa de desemprego siga operando significativamente abaixo do seu nível neutro, sustentando um crescimento real elevado dos rendimentos e mantendo o mercado de trabalho como um fator de desconforto para o Banco Central. Apesar dos dados confirmarem a robustez da ocupação brasileira, estes não devem ser suficientes para alterar o início do ciclo de cortes na reunião de março com um afrouxamento inicial de 0,5 p.p., refletindo principalmente o avanço obtido ao longo dos últimos meses no que diz respeito a convergência da inflação à meta.

Para o próximo trimestre móvel, preliminarmente, nossos modelos sugerem que a taxa de desemprego se elevará para 5,7% da força de trabalho, refletindo principalmente a sazonalidade desfavorável de início de ano, de modo que, na série com ajuste sazonal, a taxa de desocupação deve ficar praticamente estável em 5,36% da força de trabalho. Com os números de hoje, seguimos com a nossa expectativa de que o mercado de trabalho deve sofrer um pequeno ajuste em 2026, fazendo com que a taxa de desemprego média do ano saia de 5,9% da força de trabalho para 6,1%.

Na série sem ajuste sazonal, a população ocupada ficou estável em relação ao trimestre móvel encerrado em outubro e aumentou 1,7% em relação ao mesmo período do ano anterior (+1,7 mi de trabalhadores). No que diz respeito à população desocupada, esta também ficou estável na comparação com o trimestre móvel imediatamente anterior, acumulando um total de 102,7 mi de trabalhadores. contudo registrou queda de 17,1% em relação ao trimestre encerrado em jan/25 (menos 1,2 mi de pessoas), registrando um contingente de 5,9 mi de desempregados.

A força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas) foi estimada em 108,5 milhões de pessoas, ficando estável em relação ao trimestre móvel anterior e crescendo 0,4% em comparação ao mesmo período do ano anterior (+472 mil pessoas). Já a população fora da força de trabalho (66,3 mi) ficou estável no trimestre, porém registrando crescimento de 1,3% frente ao mesmo trimestre do ano anterior (+846,0 mil). Na série com ajuste sazonal, o contingente de pessoas fora da força de trabalho registrou queda de 0,1% t/t, revertendo parcialmente o avanço de 0,7% t/t observados no trimestre móvel imediatamente anterior, corroborando a leitura de um mercado de trabalho mais resiliente nesse início de ano, com um fluxo positivo de pessoas para a força de trabalho.

Por fim, o rendimento médio real habitual atingiu o nível recorde da série histórica (R$ 3.652,0), registrando alta de 2,8% no trimestre e expansão de 5,4% a/a, acelerando pelo terceiro trimestre móvel consecutivo. Por sua vez, a massa de rendimento real habitual também renovou o patamar recorde da série histórica (R$ 370,3 bi), registrando avanço de 2,9% (mais R$ 10,5 bi) e de 7,3% a/a (mais R$ 25,1 bi) em relação ao mesmo período do ano anterior, acelerando em relação ao crescimento de 6,4% a/a observados no trimestre móvel imediatamente anterior.

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