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Publicado em 03 de Agosto às 14:44:53

PNAD (Jun/26): Dados confirmam mercado de trabalho resiliente no final do 1º semestre

De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego no trimestre móvel encerrado em junho de 2026 foi de 5,4% da força de trabalho, resultado que veio em linha tanto com a expectativa de mercado (Broadcast+) quanto a nossa projeção para o trimestre móvel. Com este resultado a taxa de desemprego fica no menor nível já registrado em sua série histórica para um trimestre móvel encerrado em junho, sinalizando que o mercado de trabalho segue bastante resiliente mesmo diante de um cenário macroeconômico ainda bastante adverso. Na série com ajuste sazonal, a taxa de desemprego permaneceu praticamente estável em 5,45%, permanecendo próximo do menor nível já registrado em sua série histórica de 5,37% (dez/25), reforçando a avaliação de o mercado de trabalho encerrou o primeiro semestre de 2026 com bastante robustez. Em relação ao mesmo período do ano passado, a taxa de desemprego registrou recuo de 0,4 p.p., desacelerando dos 0,6 p.p. de queda observados no trimestre móvel imediatamente anterior na mesma comparação.

Avaliamos que os números de hoje apontam para um desempenho robusto do mercado de trabalho, marcado pela queda da desocupação e pelo aumento da ocupação, mesmo em um contexto de expansão da força de trabalho. Ou seja, a redução da taxa de desemprego no período decorreu do avanço do número de pessoas ocupadas, e não de uma saída de trabalhadores da força de trabalho. Esse resultado sugere que o mercado de trabalho se manteve bastante resiliente ao longo do segundo trimestre e corrobora nossa expectativa de que o processo de arrefecimento da economia brasileira em 2026 ocorrerá de forma bastante gradual. Além do descasamento entre as políticas monetária e fiscal, avaliamos que mudanças estruturais, como o avanço dos aplicativos e o envelhecimento populacional, devem manter a taxa de desemprego abaixo do nível neutro (7,7%), contribuindo para suavizar eventuais ajustes no mercado de trabalho ao longo dos próximos meses. Nesse sentido, seguimos monitorando indicadores antecedentes que apontam para uma moderação apenas gradual nas próximas leituras, com ligeira elevação da taxa de desemprego na série com ajuste sazonal e posterior estabilização ao redor de 5,7%. Dado que a taxa de desemprego deve permanecer significativamente abaixo do seu nível neutro, entendemos que o mercado de trabalho seguirá como um importante fator de desconforto para o Banco Central ao longo de 2026.

Para o próximo trimestre móvel, nossos modelos indicam, preliminarmente, ligeiro recuo da taxa de desemprego para 5,36% da força de trabalho. Na série com ajuste sazonal, a taxa de desocupação também deve apresentar pequena queda, para 5,44%, permanecendo próxima ao patamar observado nos últimos meses. Com os dados divulgados hoje, revisamos nossa avaliação para o mercado de trabalho em 2026, substituindo a expectativa anterior de leve arrefecimento na passagem de 2025 para 2026 por um cenário de estabilidade. Dessa forma, reduzimos nossa projeção para a taxa média de desemprego no ano de 6,0% para 5,9%.

Na série sem ajuste sazonal, a população ocupada ficou estável no período (mais 30,0 mil trabalhadores) e apresentou avanço de 0,7% em relação ao mesmo período do ano anterior (mais 794,0 mil trabalhadores), registrando um contingente de 102,97 milhões de trabalhadores no trimestre móvel encerrado em jun/26. No que diz respeito à população desocupada, houve um crescimento de 0,8% quando comparado ao trimestre móvel encerrado em maio (mais 46,0 mil pessoas), contudo esse indicador registrou uma contração de 5,9% em relação ao mesmo período do ano anterior (menos 262,0 mil pessoas), alcançando o contingente de 6,0 milhões de desocupados em jun/26.

A força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas) foi estimada em 108,9 milhões de pessoas, apresentando um crescimento de 0,3% (mais 363,0 mil pessoas) em relação ao trimestre móvel anterior, mas houve estabilidade em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a população fora da força de trabalho foi estimada em 66,5 milhões de pessoas, permanecendo estável em relação ao primeiro trimestre do ano, contudo registrou expansão de 1,5% em relação ao mesmo período do ano passado (mais 971,0 mil pessoas).

Por fim, o rendimento médio real habitual (R$ 3.738,0) registrando estabilidade em relação ao primeiro trimestre do ano e crescimento de 2,8% a/a em relação ao mesmo período do ano anterior, sugerindo uma certa acomodação no seu ritmo de avanço que ao longo dos últimos meses apresentou um ritmo de crescimento historicamente bastante elevado. Por sua vez, a massa de rendimentos (R$ 380,3 bi) ficou estável em relação ao primeiro trimestre do ano, porém registrou avanço de 3,6% a/a em relação ao mesmo período de 2025.

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