De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego no trimestre móvel encerrado em maio de 2026 foi de 5,6% da força de trabalho, resultado que veio ligeiramente abaixo da nossa projeção (5,66%) e em linha com a mediana do mercado (Broadcast+). Com esse resultado, a taxa de desemprego fica no menor nível já registrado na série histórica para um trimestre móvel encerrado em maio, sinalizando que o mercado de trabalho segue bastante resiliente mesmo diante de um cenário macroeconômico ainda bastante adverso. Na série com ajuste sazonal, a taxa continuou em movimento de recuo iniciado no mês anterior, ao sair de 5,49% para 5,46%. Em relação ao mesmo período do ano passado, a taxa de desemprego registrou recuo de 0,6 p.p., reforçando a percepção de robustez do mercado de trabalho em 2026.
Avaliamos que os números de hoje seguem confirmando a nossa expectativa de que o mercado de trabalho permanecerá bastante resiliente e robusto ao longo de 2026, apresentando um arrefecimento bastante gradual que, a nosso ver, reflete o descasamento entre as políticas monetária e fiscal. Além disso, mudanças estruturais, como aplicativos e envelhecimento populacional, por exemplo, devem manter a taxa de desemprego operando abaixo do nível neutro (7,7%). Para os próximos meses, seguimos acompanhando alguns indicadores antecedentes que corroboram um cenário de arrefecimento bastante gradual do mercado de trabalho, apontando para uma ligeira elevação da taxa de desemprego na série com ajuste sazonal e sua estabilização ao redor de 5,8%. Ainda assim, projetamos que a taxa de desemprego siga operando significativamente abaixo do seu nível neutro, sustentando um crescimento real elevado dos rendimentos e mantendo o mercado de trabalho como um fator de desconforto para o Banco Central.
Para o próximo trimestre móvel, preliminarmente, nossos modelos sugerem que a taxa de desemprego recuará para 5,66% da força de trabalho, refletindo principalmente a dissipação da sazonalidade desfavorável de início de ano. Na série com ajuste sazonal, a taxa de desocupação deve sofrer ligeira queda para 5,46% da força de trabalho, permanecendo próxima do patamar observado nos últimos meses. Com os números de hoje, mantemos a nossa expectativa de que o mercado de trabalho deve sofrer um pequeno ajuste em 2026, de modo que a taxa de desemprego média do ano deve sair de 5,9% para 6,0% da força de trabalho na passagem de 2025 para 2026.
Na série sem ajuste sazonal, a população ocupada registrou avanço de 0,5% no trimestre (mais 558,0 mil pessoas) e apresentou avanço de 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior (+840 mil trabalhadores), registrando um contingente de 102,7 milhões de trabalhadores no trimestre móvel encerrado em mai/26. No que diz respeito à população desocupada, o contingente passou a recuar 2,9% no trimestre (-178 mil pessoas) e seguiu registrando queda de 9,3% a/a (-625 mil pessoas) frente ao mesmo trimestre móvel de 2025, alcançando 6,1 milhões de desocupados.
A força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas) foi estimada em 108,8 milhões de pessoas, ficando estável em relação ao trimestre móvel anterior, mas avançando 0,2% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Já a população fora da força de trabalho (66,5 milhões) recuou 0,1% no trimestre e continuou registrando alta de 1,7% a/a em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (mais 1,1 milhão de pessoas).
Por fim, o rendimento médio real habitual (R$ 3.726,0) recuou 0,8% em relação ao trimestre imediatamente anterior, porém avançou 4,0% a/a em relação ao mesmo período do ano anterior, sugerindo certa estabilização no seu ritmo de avanço em um patamar historicamente elevado. Por sua vez, a massa de rendimento real habitual também registrou queda de 0,3% no trimestre, mas avançou 4,8% a/a em relação ao mesmo período do ano passado, ficando ligeiramente abaixo do nível recorde alcançado no trimestre móvel encerrado em mar/26.















