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Publicado em 26 de Maio às 17:08:59

Setor Externo (Abr/26): IDP surpreende e reforça robustez do financiamento externo

Em abril, as transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$1,8 bilhão, ante déficit de US$1,6 bilhão em abril de 2025. O resultado veio pior do que a nossa projeção de superávit de US$0,8 bilhão e pior do que o esperado pelo mercado, que projetava déficit de US$0,1 bilhão (Broadcast+). No acumulado em 12 meses, o déficit somou US$64,3 bilhões (2,66% do PIB), praticamente estável em relação ao mês anterior. No primeiro quadrimestre, o déficit em transações correntes acumulou US$22,0 bilhões, abaixo dos US$24,3 bilhões registrados no mesmo período de 2025. A leitura mostra melhora na comparação acumulada do ano, sustentada pelo desempenho da balança comercial, mas com composição ainda pressionada por serviços e renda primária.

Em síntese, a leitura de abril foi favorável pelo lado do financiamento, mas menos confortável na composição da conta corrente. O forte desempenho das exportações, em parte beneficiado pelo cenário geopolítico e pela demanda por commodities, segue sustentando a balança comercial. Por outro lado, a piora em serviços e renda primária sugere uma economia doméstica ainda resiliente, com maior absorção de serviços externos, e maior remuneração do passivo externo via lucros, dividendos e juros. O destaque positivo foi o IDP, que veio acima do teto das projeções e com composição favorável, concentrada em participação no capital e lucros reinvestidos.

No que se refere à balança comercial de bens, o superávit foi de US$9,7 bilhões em abril, um dos principais destaques positivos da leitura do mês. Em relação a abril de 2025, quando o saldo havia sido de US$7,0 bilhões, houve melhora de aproximadamente US$2,8 bilhões (40% a/a). As exportações somaram US$34,3 bilhões, alta de 13,9% a/a, enquanto as importações totalizaram US$24,6 bilhões, crescimento de 6,2% a/a. Em 12 meses, o superávit comercial avançou para US$67,0 bilhões, ante US$64,1 bilhões no mês anterior.

A conta de serviços registrou déficit de US$ 5,0 bilhões em abril, alta de 23,3% a/a. No acumulado em doze meses, o déficit chegou a US$ 51,3 bilhões. As despesas líquidas com viagens internacionais seguem acelerando e somaram US$ 1,5 bilhão, refletindo tanto a valorização da moeda brasileira frente ao dólar no período quanto custos ainda elevados associados à aviação internacional. Já a conta de transportes registrou despesas líquidas de US$ 1,2 bilhão, em relativa estabilidade frente ao mês anterior.

O déficit em renda primária foi de US$ 6,8 bilhões em abril, alta de 35,5% a/a. Em doze meses, o déficit dessa conta seguiu em deterioração, alcançando US$ 85,7 bilhões. As despesas líquidas associadas ao investimento direto totalizaram US$ 5,4 bilhões no mês, sendo o principal vetor de pressão, com piora de 28,9% a/a e déficit acumulado de US$ 65,0 bilhões em doze meses. Outro destaque foi o avanço dos lucros reinvestidos, de US$ 2,5 bilhões para US$ 3,7 bilhões (+46,4%), o que sugere maior retenção de resultados por multinacionais e reforça o peso do estoque elevado de IDP sobre a renda primária.

Em relação à conta financeira, o IDP totalizou entradas líquidas de US$8,9 bilhões em abril, superando o teto das projeções, de US$6,5 bilhões. Com isso, o IDP acumulado em 12 meses atingiu US$79,2 bilhões (3,28% do PIB). O resultado mensal foi 65,9% maior do que o observado em abril de 2025, quando os ingressos haviam somado US$5,4 bilhões. Na composição, a maior contribuição veio novamente de participação no capital, com entradas de US$6,8 bilhões, sendo US$3,2 bilhões em participação no capital exceto lucros reinvestidos e US$3,7 bilhões em lucros reinvestidos. As operações intercompanhia registraram ingressos líquidos de US$2,1 bilhões. A leitura segue positiva para o financiamento externo, especialmente porque o IDP permanece acima do déficit em transações correntes acumulado em 12 meses.

Os investimentos em carteira no mercado doméstico registraram entrada líquida de US$621 milhões em abril. O resultado refletiu ingressos em ações (US$986 milhões) e fundos (US$113 milhões), parcialmente compensados por saída líquida em títulos de dívida (US$477 milhões). Em 12 meses, os investimentos em carteira somaram ingressos líquidos de US$28,5 bilhões, praticamente estáveis em relação aos US$28,4 bilhões observados nos 12 meses encerrados em março. A leitura sugere continuidade do apetite por ativos locais, ainda que com composição mais favorável à renda variável do que à dívida doméstica no mês.

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