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Publicado em 03 de Agosto às 14:24:18

Setor Externo (Jun/26): Transações correntes melhoram, com suporte da balança comercial

Em junho, as transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 2,3 bilhões, ante déficit de US$ 5,2 bilhões no mesmo período do ano anterior e veio em linha com o consenso de mercado (Bloomberg) e veio melhor do que a nossa expectativa para o mês (-US$ 2,7 bi). No acumulado em 12 meses, o déficit somou US$ 61,3 bilhões (2,46% do PIB), com melhora marginal em relação ao mês anterior (-US$ 64,2 bi ou -2,60% do PIB). Na margem, o déficit mensal melhorou em relação ao mês de maio, movimento em grande parte explicado por um aumento nas exportações de bens no período, ainda beneficiadas pelo gargalo logístico gerado pelo conflito no Oriente Médio.

No que se refere à balança comercial de bens, o superávit foi de US$ 8,8 bilhões em junho, vindo melhor do que o observado tanto em maio (US$ 6,8 bi) quanto no mesmo período do ano anterior (US$ 5,2 bi), registrando um aumento de 68,3% a/a. As exportações somaram US$ 36,4 bi, alta de 25,8% a/a, acelerando em relação aos 5,9% a/a observados no mês imediatamente anterior. Já as importações totalizaram US$ 27,6 bi no período, crescimento de 15,3% a/a, também acelerando em relação ao mês de maio (5,9% a/a). Em 12 meses, o superávit comercial avançou para US$ 71,0 bi, ante US$ 67,4 bi no mês imediatamente anterior. A leitura segue favorável para a balança comercial que deve continuar sendo impulsionada pelas exportações de petróleo nos próximos meses devido ao cenário de persistência dos gargalos logísticos no Oriente Médio.

A conta de serviços registrou déficit de US$ 5,1 bilhões em junho, ante US$ 4,4 bilhões no mesmo período de 2025. No acumulado em 12 meses, o déficit alcançou US$ 52,6 bilhões. As despesas líquidas com viagens internacionais somaram US$ 1,4 bilhão no mês, ficando 21,0% a/a acima do mesmo período do ano passado, que, a nosso ver, reflete a apreciação cambial no período e uma renda doméstica resiliente que seguem beneficiando as viagens internacionais. Já a conta de transportes registrou despesas líquidas de US$ 1,4 bilhão, acelerando em relação ao mesmo período do ano anterior (-US$ 1,2 bi).

O déficit em renda primária foi de US$ 6,5 bilhões em junho, permanecendo praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 12 meses, o déficit dessas contas seguiu ao redor de US$ 85,7 bi pelo terceiro mês consecutivo. As despesas líquidas de lucros e dividendos, associadas aos investimentos diretos e em carteira, totalizaram US$ 4,2 bi, alta de 4,3% a/a em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as despesas líquidas com juros somaram US$ 2,3 bi, recuo de 5,8% a/a. A estabilidade do déficit, portanto, segue refletindo uma composição específica: houve melhora nos lucros e dividendos em relação ao ano anterior, mas esse movimento foi contrabalançado pelo aumento do déficit associado aos lucros reinvestidos, o que reforça a percepção de que as empresas continuam reinvestindo seus resultados no país e mantendo a renda de investimentos diretos praticamente estável no agregado.

Em relação à conta financeira, o IDP totalizou entradas líquidas de US$ 9,0 bilhões em junho, novamente superando o teto das projeções (US$ 7,2 bilhões, Broadcast+). Com isso, o IDP acumulado em 12 meses atingiu US$ 89,3 bilhões, equivalente a 3,58% do PIB. O resultado do mês foi mais que o dobro do observado em junho de 2025, quando os ingressos haviam somado US$ 3,1 bilhões. Na composição, a maior contribuição veio novamente de participação no capital, com entradas de US$ 8,4 bilhões, sendo US$ 4,0 bilhões em participação no capital exceto lucros reinvestidos e US$ 4,4 bilhões em lucros reinvestidos. As operações intercompanhia somaram US$ 0,7 bilhão. A leitura segue positiva para o financiamento externo, especialmente porque o IDP permanece acima do déficit em transações correntes acumulado em 12 meses. Apesar da volatilidade dos fluxos financeiros, o financiamento estrutural do déficit externo segue confortável.

Os investimentos em carteira no país somaram saídas líquidas de US$ 0,6 bi em junho de 2026. O resultado refletiu a combinação entre a saída líquida dos investimentos em ações e fundos de investimento (-US$ 2,2 bi) enquanto os investimentos em títulos no mercado doméstico registraram ingressos líquidos de US$ 1,6 bi. No acumulado em 12 meses, os investimentos em carteira registraram ingressos líquidos de US$ 17,8 bi. A leitura de junho sugere que o diferencial de juros brasileiro segue bastante atrativo, mesmo diante de um contexto marcado pelo fortalecimento do dólar e incerteza ainda elevada no que diz respeito ao conflito no Oriente Médio, que seguem pesando sobre os investimentos em ações e fundos de investimento domésticos.

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