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Publicado em 26 de Junho às 14:52:57

Setor Externo (Mai/26): Qualitativo positivo, mas fluxo de carteira é destaque negativo

Em maio, as transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 3,2 bilhões, ante déficit de US$ 3,3 bilhões em maio de 2025. O resultado surpreendeu positivamente o mercado e veio melhor do que o piso das projeções (US$ 3,5 bilhões, Broadcast+). No acumulado em 12 meses, o déficit somou US$ 64,1 bilhões (2,60% do PIB), com melhora marginal em relação ao mês anterior. Na margem, o déficit mensal aumentou em relação a abril, movimento em grande parte sazonal, mas a leitura segue positiva por ter vindo melhor do que o esperado e por manter a trajetória de melhora no acumulado em 12 meses. A composição, contudo, foi menos favorável do que em abril, com menor contribuição da balança comercial na margem e déficit ainda elevado em serviços.

No que se refere à balança comercial de bens, o superávit foi de US$ 7,0 bilhões em maio, abaixo do resultado de abril, mas ainda superior ao observado em maio de 2025, quando havia sido de US$ 6,4 bilhões (8,0% a/a). As exportações somaram US$ 32,0 bilhões, alta de 6,4% a/a, desacelerando em relação ao avanço de 13,9% a/a observado no mês anterior. Já as importações totalizaram US$ 25,1 bilhões, crescimento de 5,9% a/a, mantendo ritmo relativamente estável. Em 12 meses, o superávit comercial avançou para US$ 67,5 bilhões, ante US$ 67,0 bilhões no mês anterior. A leitura segue favorável para a conta corrente, mas mostra que o impulso extraordinário da balança em abril não se repetiu com a mesma intensidade em maio.

A conta de serviços registrou déficit de US$ 5,2 bilhões em maio, ante US$ 4,6 bilhões em maio de 2025. No acumulado em 12 meses, o déficit alcançou US$ 51,8 bilhões. As despesas líquidas com viagens internacionais somaram US$ 1,3 bilhão no mês, abaixo do observado em abril, mas ainda 13,8% acima do resultado de maio de 2025. A melhora na margem parece refletir um movimento mais característico de julho/agosto. Ainda assim, o patamar segue elevado, refletindo renda doméstica resiliente, câmbio relativamente apreciado em parte do período. Já a conta de transportes registrou despesas líquidas de US$ 1,2 bilhão, em relativa estabilidade frente ao mês anterior.

O déficit em renda primária foi de US$ 5,5 bilhões em maio, permanecendo praticamente estável em relação a maio de 2025. Em 12 meses, o déficit dessa conta seguiu ao redor de US$ 85,7 bilhões. As despesas líquidas de lucros e dividendos, associadas aos investimentos direto e em carteira, totalizaram US$ 4,2 bilhões, alta de 6,8% a/a, enquanto as despesas líquidas com juros somaram US$ 1,4 bilhão, queda de 18,1% a/a. A estabilidade do déficit, portanto, reflete uma composição específica: houve melhora nas despesas com juros e nas operações intercompanhias, além de um comportamento mais favorável de lucros e dividendos em relação ao ano anterior, mas esse movimento foi contrabalançado pelo aumento do déficit associado aos lucros reinvestidos, o que reforça a percepção de que as empresas continuam reinvestindo seus resultados no país e mantendo a renda de investimentos diretos praticamente estável no agregado.

Em relação à conta financeira, o IDP totalizou entradas líquidas de US$ 8,0 bilhões em maio, novamente superando o teto das projeções (US$ 7,8 bilhões, Broadcast+). Com isso, o IDP acumulado em 12 meses atingiu US$ 83,3 bilhões, equivalente a 3,38% do PIB. O resultado do mês foi mais que o dobro do observado em maio de 2025, quando os ingressos haviam somado US$ 3,9 bilhões. Na composição, a maior contribuição veio novamente de participação no capital, com entradas de US$ 7,4 bilhões, sendo US$ 3,0 bilhões em participação no capital exceto lucros reinvestidos e US$ 4,4 bilhões em lucros reinvestidos. As operações intercompanhia somaram US$ 0,6 bilhão. A leitura segue positiva para o financiamento externo, especialmente porque o IDP permanece acima do déficit em transações correntes acumulado em 12 meses. Apesar da volatilidade dos fluxos financeiros, o financiamento estrutural do déficit externo segue confortável.

Os investimentos em carteira no país somaram saídas líquidas de US$ 5,2 bilhões em maio de 2026. O resultado refletiu saídas líquidas tanto em ações e fundos de investimento no mercado doméstico (-US$ 2,4 bilhões) quanto em títulos de dívida (-US$ 2,9 bilhões). Essa abertura é menos favorável e reverte parte da percepção de maior apetite por ativos locais observada no início do ano. A leitura parece alinhada ao movimento global de redução de exposição a emergentes em maio, em meio ao fortalecimento do dólar, à maior incerteza ligada ao conflito no Oriente Médio, à volatilidade do petróleo e ao aumento do prêmio exigido para ativos de risco.

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