Home > Macroeconomia EUA > FOMC (Abr/26):  Powell sinaliza continuidade no board e reduz risco de inflexão no Fed

Publicado em 29 de Abril às 17:40:57

FOMC (Abr/26):  Powell sinaliza continuidade no board e reduz risco de inflexão no Fed

O banco central norte-americano (Federal Reserve) manteve a taxa de juros (Fed Funds rate) inalterada no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano. A manutenção das taxas veio amplamente em linha com o esperado pelo mercado, em função da manutenção de um cenário que tem se mostrado mais adverso em termos de convergência da inflação à meta, sobretudo em um ambiente marcado pela elevada incerteza gerada pelo conflito no Oriente Médio. Conforme prevíamos, a decisão não foi unânime, com o diretor indicado pelo presidente Donald Trump, Stephen Miran, votando novamente por um corte de juros de 25 pontos base.

Apesar do resultado em termos do anúncio da taxa de juros não ter sido uma surpresa, cabe destacar que a principal mudança trazida pelo comunicado foi a dissidência de 3 diretores (Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan) que, mesmo sendo favoráveis a manutenção da Fed Funds rate no atual patamar, discordaram em relação à permanência do trecho que sinaliza viés de que o próximo movimento do Federal Reserve ainda tende a ser de afrouxamento monetário. O trecho em questão é “In considering the extent and timing of additional adjustments…”, cuja redação inalterada sugere que o Fed ainda não retirou da mesa a possibilidade de dar continuidade ao processo de calibração da política monetária em direção a um ambiente menos restritivo. Antes da divulgação do comunicado, esse era um dos principais focos de incerteza, uma vez que os dados mais recentes já vinham apontando pressões inflacionárias na economia americana, levantando dúvidas sobre a possibilidade de essas leituras alterarem o balanço de riscos da autoridade monetária.

Além disso, foi aumentado o destaque dado ao conflito no Oriente Médio, cujo impacto já pode ser observado no preço da energia nos mercados globais, tornando a inflação nos EUA elevada. O comitê ressaltou que os desenvolvimentos no Oriente Médio estão contribuindo para elevar o nível de incerteza em torno do cenário econômico. Os dirigentes continuaram a ressaltar que os ganhos em termos de geração de vagas de emprego, na média, permanecem pequenos, resultando em uma variação apenas modesta da taxa de desemprego.

Na coletiva de imprensa, o presidente do FED, Jerome Powell, que o banco central mantém uma postura cautelosa, avaliando que a política monetária se encontra em um patamar que permite que os diretores do FED possam observar a evolução dos fatos, sobretudo em relação à materialização ou não de riscos inflacionários. Segundo o presidente, a política monetária não segue uma trajetória pré-determinada, com as decisões sendo tomadas reunião a reunião. Contudo, diante do elevado nível de incerteza em relação ao futuro, o comitê não viu necessidade de retirar o atual viés de afrouxamento monetário, porém ressaltou que há uma movimentação em curso na direção de retirada desse viés prospectivo para a trajetória da política monetária, com o número de diretores defendendo a retirada do viés aumentando em relação à reunião de março, mas ainda sem defensores de uma possível alta de juros.

O principal destaque da coletiva foi o anúncio de que Jerome Powell permanecerá no board do Fed mesmo após o término de seu mandato como presidente no próximo mês. Embora o Departamento de Justiça tenha encerrado, por ora, a investigação relacionada ao custo das reformas da sede do Fed em Washington, Powell deixou claro que o caso poderá ser reaberto a qualquer momento e que, por isso, seguirá como governador até que haja desfecho definitivo e plena transparência sobre o processo. Na coletiva, Powell afirmou que os ataques jurídicos dirigidos ao Fed ao longo dos últimos meses têm colocado em risco a independência da instituição e sua capacidade de conduzir a política monetária com base em critérios técnicos. Nesse contexto, ressaltou que sua permanência no board não terá caráter de confronto nem implicará a atuação como um “shadow chair”, mas sim de participação construtiva e de baixo perfil, sem interferir no trabalho de Kevin Warsh à frente da instituição. As declarações reforçam a nossa avaliação de que, mesmo com a confirmação de Warsh para a presidência do Fed, a dinâmica decisória do banco central americano não deve sofrer mudança relevante no curto prazo, reduzindo o risco de uma inflexão mais leniente da política monetária em resposta a pressões políticas.

Em suma, a continuidade do conflito no Oriente Médio, por ora, não parece ter alterado o plano de voo do Fed, que segue julgando como elevada as incertezas em torno do impacto desse evento sobre a dinâmica inflacionária de médio/longo prazo, apesar da materialização de uma piora inflacionária no curto prazo. Nesse sentido, avaliamos que o comunicado de hoje e a coletiva de imprensa sugerem que a barra para elevar a Fed Funds rate se mostra bastante elevada. Ao mesmo tempo, a sinalização de que Powell continuará no board do Fed reduz de forma relevante o risco de uma postura mais leniente do banco central americano diante da inflação. Com isso, também diminui a probabilidade de cortes de juros nos próximos meses. Em nossa avaliação, portanto, a decisão de política monetária de hoje permanece consistente com o nosso cenário de manutenção da taxa de juros americana inalterada ao longo de 2026.

Acesse o disclaimer.

Leitura Dinâmica

Recomendações

    Vale a pena conferir