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Publicado em 07 de Março às 14:38:51

Payroll (fev/25): Começam a aparecer os primeiros sinais das políticas de Trump no mercado de trabalho

A criação líquida de 151 mil empregos em setores não-agrícolas (payroll) nos Estados Unidos em fevereiro veio marginalmente abaixo das expectativas do mercado (160 mil, Bloomberg). Já as revisões relativas aos meses de dezembro e janeiro removeram 2 mil postos de trabalho. O número de dezembro saiu de 307 mil para 323 mil, enquanto o de janeiro recuou de 143 mil para 125 mil. Com isso, a média móvel dos últimos três meses diminuiu de 237 mil para 200 mil.

Depois de dois meses de queda, a taxa de desemprego surpreendeu o consenso de mercado (4,0%) e subiu para 4,1% da força de trabalho em fevereiro. No mês, o número de desocupados apresentou avanço de 203 mil, alcançando 7,05 milhões de americanos. Com a taxa de desemprego ainda se situa abaixo da taxa natural de 4,4% estimada pelo Congressional Budget Office (CBO), o banco central norte americano (Fed) permanece sem espaço para promover novos cortes de juros.

Em fevereiro, a taxa de participação surpreendeu negativamente, saindo de 62,6% para 62,4% ante expectativa do mercado de que ela permanecesse estável. Além disso, a razão entre o total de empregados e a população em idade ativa (employment-population ratio) voltou a cair abaixo de 60,0%, alcançando 59,9%. Com os resultados, a primeira medida agora se encontra 0,9 p.p. abaixo do patamar observado no período pré-pandemia (fev/20), enquanto a segunda se encontra 1,2 p.p. aquém.

A média de ganhos salariais por hora subiu US$ 0,10 (0,28% m/m), vindo em linha com as expectativas do mercado (0,3% m/m, Bloomberg), alcançando o nível de US$ 35,93 por hora trabalhada em fevereiro. Em doze meses, o salário médio por hora acumulou alta de 4,0% a/a, um pouco abaixo das estimativas de aceleração para 4,1% a/a. A despeito disso, os dados recentes ainda mostram que os salários vêm apresentando resistência em exibir uma trajetória de queda que seja compatível com a convergência da inflação para a meta de 2,0%.

Os primeiros sinais de fraqueza na geração de vagas também puderam ser observados em outras métricas. A criação de vagas no setor privado (ADP) foi de 77 mil em fevereiro, vindo bem abaixo das expectativas de 140 mil (Bloomberg). Além disso, a revisão do dado de janeiro foi muito modesta, de 183 mil para 186 mil. Já os salários continuaram a registrar a mesma taxa de variação (4,7% a/a).

Um dos únicos dados para o qual se espera melhora é o número de vagas em aberto (JOLTS), uma métrica de demanda por mão de obra, que registrou 7,6 milhões em dezembro e que é estimado que suba para 7,7 milhões em janeiro. Essa projeção parece indicar que os empresários ainda mostram algum apetite em realizar novas contratações, mesmo após termos observado alguma perda de ímpeto das famílias em consumirem no último dado do PCE (personal consumption expenditures) referente a janeiro, quando a forte alta da renda não ter se traduziu em maiores gastos pessoais, virando poupança precaucional por conta da elevação da incerteza econômica decorrente da política tarifária.

Tomados em conjunto, a queda na taxa de participação, a destruição líquida de 10 mil postos de trabalho no âmbito do governo federal e a alta na taxa de desemprego configuram os primeiros efeitos das políticas da nova administração Trump no mercado de trabalho, que vem sendo diretamente impactado pelos cortes promovidos pelo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) liderado por Elon Musk no setor público.

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