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Publicado em 07 de Agosto às 15:06:28

Payroll (Jul/26): Fraqueza do emprego aumenta espaço para postura mais cautelosa do Fed

O mercado de trabalho norte americano gerou um saldo líquido de -23,0 mil postos de trabalho em setores não agrícolas (payroll) em julho, número que veio significativamente pior do que o esperado pelo consenso de mercado (80,0 mil, Bloomberg) e se soma à leitura mais fraca do mês de junho, sugerindo uma perda de tração do mercado de trabalho americano na passagem do primeiro para o segundo semestre. Apesar do resultado negativo no mês, cabe destacar que o saldo acumulado no ano alcançou um total de 426,0 mil postos de trabalho, ainda superando de forma expressiva o saldo acumulado no mesmo período do ano anterior (226,0 mil). As aberturas apontam que o saldo negativo no mês foi derivado da combinação entre a abertura de 30,0 mil vagas de trabalho criadas pelo setor privado, que veio significativamente pior do que o esperado pelo mercado (82,0 mil, Bloomberg), enquanto o setor público foi responsável por uma destruição de 53,0 mil vagas de trabalho no mês, dando continuidade ao resultado negativo em 64,0 mil do mês imediatamente anterior, com destaque para a destruição de 57,0 mil vagas nos governos locais, enquanto os governos federal e estadual registraram saldos de -3,0 mil e 7,0 mil, respectivamente.

As revisões relativas aos meses de maio e junho foram responsáveis por uma redução de 103,0 mil postos de trabalho. A criação de vagas em maio foi revisada de 129,0 mil para 63,0 mil, enquanto junho passou de 57,0 mil para apenas 20,0 mil. Somando o resultado de julho com as revisões de maio e junho, o saldo líquido ficou negativo em -126,0 mil postos de trabalho nos últimos 3 meses, de modo que, no saldo acumulado nos últimos 12 meses, houve um recuo significativo na passagem de junho para julho saindo de 403,0 mil para 316,0 mil, reforçando a percepção de uma perda significativa de dinamismo do mercado de trabalho americano.

A composição setorial sugere que parte da fraqueza de julho pode ter refletido a reversão de contratações temporárias associadas à Copa do Mundo. O setor de lazer e hospitalidade destruiu 40 mil vagas no mês, figurando entre as principais contribuições negativas, com destaque para a queda de 16,1 mil postos em artes, entretenimento e recreação, segmentos mais expostos à realização de grandes eventos. Ainda assim, a fraqueza não ficou restrita às atividades potencialmente afetadas pela Copa, com perdas de 50 mil vagas na educação dos governos locais, 19 mil no comércio varejista e 14 mil em atividades financeiras. Em contrapartida, o setor de saúde criou 22 mil postos, abaixo da média mensal de 36 mil observada nos últimos 12 meses. Dessa forma, fatores temporários podem ter ampliado a leitura negativa de julho, mas a composição também reforça sinais de desaceleração mais disseminada da demanda por trabalho.

A taxa de desemprego recuou de 4,2% para 4,1%, contrariando a expectativa de estabilidade em 4,2% (Bloomberg). Entretanto, a melhora não decorreu de uma expansão relevante do emprego. O número de pessoas ocupadas caiu 87 mil no mês, ao mesmo tempo em que a força de trabalho recuou em 264 mil. Como resultado, o número de desempregados diminuiu em 178 mil, para 6,9 milhões. A taxa de participação também voltou a cair, de 61,5% para 61,4%, ficando abaixo do consenso da Bloomberg (61,6%), enquanto a razão emprego sobre população recuou de 59,0% para 58,9%. Desde janeiro, a participação na força de trabalho já acumula queda de 0,7 p.p. e a razão emprego sobre população recuou 0,5 p.p., sugerindo que parte da estabilidade da taxa de desemprego tem sido sustentada pela redução da oferta de trabalho.

Vale destacar que a queda da taxa de participação desde o início do ano parece refletir, em parte relevante, fatores ligados à oferta de trabalho. O envelhecimento da população continua exercendo pressão estrutural negativa sobre a participação, enquanto a forte desaceleração da imigração reduziu significativamente o crescimento da população em idade ativa e da força de trabalho. Análises recentes do Fed sugerem que, diante da combinação desses dois fatores, o crescimento da força de trabalho pode se aproximar de zero em 2026. Ainda assim, a queda simultânea da razão entre emprego e população sugere que o movimento recente não pode ser explicado apenas por fatores demográficos. A redução da parcela da população efetivamente empregada, em conjunto com a queda da participação, aponta também para algum enfraquecimento do mercado de trabalho. Nesse contexto, a estabilidade da taxa de desemprego deve ser interpretada com cautela, uma vez que ela vem ocorrendo ao mesmo tempo em que diminuem tanto a participação quanto a proporção da população ocupada.

Pelo lado dos salários, o rendimento médio por hora apresentou praticamente estabilidade na margem, com avanço de apenas US$ 0,02 (0,1% m/m), para US$ 37,62, cujo crescimento ficou significativamente abaixo do esperado pelo mercado (0,3% m/m, Bloomberg). Na comparação interanual, o crescimento dos salários desacelerou para 3,2% a/a, ficando abaixo tanto do ritmo de crescimento do mês imediatamente anterior quanto da expectativa consensual de mercado (Bloomberg), ambas de 3,5% a/a. Ao mesmo tempo, a jornada média permaneceu estável em 34,3 horas semanais, enquanto as horas extras na indústria recuaram ligeiramente. A combinação entre menor geração de postos de trabalho e moderação dos salários reforça os sinais de redução gradual das pressões provenientes do mercado de trabalho.

De modo geral, avaliamos que o resultado de julho reforçou os sinais de perda de dinamismo do mercado de trabalho, ainda que parte da fraqueza do mês possa ter sido amplificada por fatores temporários associados ao encerramento da Copa do Mundo. A destruição de 40 mil vagas em lazer e hospitalidade, com destaque para a queda em artes, entretenimento e recreação, é compatível com alguma reversão de contratações ligadas ao evento. Ainda assim, esse fator não parece suficiente para explicar a fraqueza do relatório, uma vez que as revisões negativas de maio e junho mostram que a desaceleração da geração de empregos já vinha ocorrendo anteriormente. Além disso, as perdas observadas em educação pública, varejo e atividades financeiras reforçam a percepção de enfraquecimento mais disseminado da demanda por trabalho. Nesse contexto, avaliamos que o relatório tem uma leitura dovish para o Fed. Caso essa tendência persista nas próximas divulgações, o balanço de riscos da autoridade monetária tende a se deslocar gradualmente em direção ao mandato de pleno emprego, permitindo maior equilíbrio com o objetivo de estabilidade de preços e permanecendo consistente com a nossa expectativa de manutenção da taxa de juros nos EUA ao longo de 2026.

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