O mercado de trabalho norte americano gerou 172,0 mil empregos em setores não-agrícolas (payroll) em maio, número que novamente surpreendeu de maneira significativa a expectativa consensual de mercado (88,0 mil, Bloomberg) e se soma aos demais indicadores do mercado de trabalho americano que apontam para a resiliência do emprego nos EUA. A leitura dá continuidade aos resultados robustos observados nos meses anteriores, com criação revisada de 179,0 mil postos em abril e de 214,0 mil em março. Com isso, o saldo acumulado no ano alcançou 569,0 mil vagas, superando de forma expressiva o observado no mesmo período do ano passado (182,0 mil). A abertura mostrou contribuição relevante tanto do setor privado, que criou 120,0 mil vagas ante expectativa de 89,0 mil (Bloomberg), quanto do setor público, que adicionou 52,0 mil postos após avanço de apenas 2,0 mil em abril. No setor público, o principal destaque ficou por conta dos governos locais, com criação líquida de 55,0 mil vagas, enquanto os governos federal e estadual registraram saldos de 1,0 mil e -4,0 mil postos, respectivamente.
As revisões relativas aos meses de março e abril adicionaram 93,0 mil postos de trabalho. O número de março saiu de 185,0 mil para 214,0 mil (+29,0 mil), enquanto o de abril avançou de 115,0 mil para 179,0 mil (+64,0 mil). Somando o resultado de maio com as revisões de março e abril, o saldo líquido ficou em 265,0 mil vagas criadas a mais nos últimos 3 meses, de modo que, no saldo acumulado nos últimos 12 meses saltou de 344,0 mil em abril para 503,0 mil na leitura de maio, o que segue corroborando a nossa avaliação de que o mercado de trabalho americano vem apresentando uma recuperação ao longo do primeiro semestre de 2026 na esteira da resiliência da atividade econômica.
A taxa de desemprego veio em linha com a expectativa de mercado (Bloomberg), ao registrar ligeiro recuo de 4,34% para 4,3% no mês, permanecendo ainda próximo do nível neutro estimado pelo Congressional Budget Office (CBO), de 4,3%. Vale destacar que a taxa de desemprego vem oscilando próxima desse nível desde jul/25, reforçando a percepção de que o mercado de trabalho parece estabilizado em um patamar que não tende a gerar pressões inflacionárias adicionais e ao mesmo tempo segue compatível com uma atividade econômica ainda resiliente. Em maio, o número de desocupados recuou em 66,0 mil, alcançando um contingente total de 7,31 milhões de americanos desempregados, retornando para baixo do nível observado no início de 2026, após uma forte alta na desocupação em fevereiro por conta de fatores climáticos mais adversos.
A taxa de participação também veio em linha com o esperado pelo mercado (Bloomberg), apresentando estabilidade na passagem de abril para maio (61,8%), interrompendo uma sequência de cinco meses consecutivos de queda na taxa de participação nas leituras imediatamente anteriores, refletindo um aumento da força de trabalho em 83,0 mil no mês. Em relação à população ocupada, houve um acréscimo de 149,0 mil trabalhadores no mês, interrompendo também uma sequência de cinco recuos consecutivos do contingente de empregados, de modo que, o contingente total de ocupados ficou em 162,8 milhões. Já a razão entre o total de empregados e a população em idade ativa (employment-population ratio) foi na mesma direção, saindo de 59,1% para 59,2%. De modo geral, os dados sugerem que, diferentemente dos meses anteriores, a relativa estabilidade na taxa de desemprego não foi derivada de uma queda na taxa de participação da economia americana, mas sim do recuo no contingente de desocupados e avanço do emprego, sugerindo uma leitura mais resiliente do mercado de trabalho.
A média de ganhos salariais por hora subiu US$ 0,12 (0,3% m/m), ficando em linha com o consenso de mercado (0,3% m/m, Bloomberg), atingindo o nível de US$ 37,53 por hora trabalhada em maio. Em doze meses, o salário médio por hora acumulou alta de 3,4% a/a, apresentado um crescimento em linha com o esperado pelo mercado (Bloomberg) e desacelerando em relação aos 3,6% a/a observados no mês imediatamente anterior.
O relatório de payroll de maio se soma às leituras recentes dos principais indicadores do mercado de trabalho americano e reforça a percepção de resiliência do emprego nos EUA. Esse conjunto de informações reduz a pressão sobre o mandato dual do Federal Reserve, na medida em que a robustez do mercado de trabalho dá maior espaço para que o Fed concentre sua atenção nos riscos inflacionários altistas que começam a se materializar. Em nossa avaliação, a manutenção do petróleo em torno de US$ 90/barril poderia adicionar cerca de 0,75 p.p. à inflação cheia americana, tornando improvável a retomada do ciclo de afrouxamento monetário e elevando, marginalmente, os riscos de uma nova alta de juros. Ainda assim, diante dos potenciais efeitos da inflação sobre a renda disponível das famílias e, consequentemente, sobre o consumo, avaliamos que esse cenário ainda apresenta baixa probabilidade. Dessa forma, mantemos como cenário-base a estabilidade da taxa de juros nos EUA ao longo de 2026.








