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Publicado em 06 de Abril às 15:41:28

Payroll (Mar/26): Geração de vagas se recupera no mês com sinais de reaceleração da economia

O mercado de trabalho norte americano gerou 178 mil empregos em setores não-agrícolas (payroll) em março, número que surpreendeu, em muito, a expectativa de mercado (65 mil, Bloomberg). As aberturas mostraram que o setor privado contribuiu com 186 mil postos no mês, ante previsão de 70 mil, enquanto o setor público fechou 8 mil postos. Destes, o governo federal foi responsável pelo encerramento de 18 mil vínculos de emprego, dando continuidade a uma sequência de quatorze meses consecutivos de destruição de vagas, enquanto os governos estaduais e locais contribuíram com -4 mil e 14 mil postos, respectivamente.

As revisões relativas aos meses de janeiro e fevereiro subtraíram 27 mil postos de trabalho. O número de janeiro saiu de 146 mil para 160 mil, enquanto o de fevereiro recuou de -92 mil para -133 mil. Somando o resultado de março com as revisões de janeiro e fevereiro, o saldo líquido ficou em 151 mil empregos, número ainda bem superior ao esperado para o mês, o que aponta para uma recuperação no mercado de trabalho na esteira da reaceleração da atividade econômica.

A queda na taxa de desemprego surpreendeu o consenso de mercado, voltando para o patamar de 4,3%, ante expectativa de estabilidade (4,4%, Bloomberg). Em março, o número de desocupados recuou 332 mil, alcançando 7,24 milhões de americanos. Com isso, a taxa de desemprego voltou a cair abaixo da taxa natural (4,4%) estimada pelo Congressional Budget Office (CBO), mas ainda sem impor nenhum viés relevante para a taxa de inflação.

A taxa de participação também surpreendeu, saindo de 62,0% para 61,9%, configurando o quarto mês consecutivo de queda, puxada por uma diminuição tanto da força de trabalho (-396 mil) como da população ocupada (-64 mil), o que também ajudou a explicar a queda observada na taxa de desemprego. Já a razão entre o total de empregados e a população em idade ativa (employment-population ratio) foi na mesma direção, saindo de 59,3% para 59,2%. Com esses resultados, a primeira medida agora se encontra 1,4 p.p. abaixo do patamar pré-pandemia (fev/20), enquanto a segunda se encontra 1,9 p.p. aquém.

A média de ganhos salariais por hora subiu US$ 0,09 (0,24% m/m), ficando aquém da mediana do mercado (0,3% m/m, Bloomberg), atingindo o nível de US$ 37,38 por hora trabalhada em março. Em doze meses, o salário médio por hora acumulou alta de 3,52% a/a, apresentado um crescimento abaixo das expectativas (3,7% a/a). Esse movimento aponta para uma retomada da trajetória de arrefecimento dos salários.

A criação de vagas no setor privado (ADP), por outro lado, exibiu um resultado um pouco mais modesto em março (62 mil, ante expectativa de 39 mil; Broadcast+), enquanto os salários repetiram a variação média anual de 4,5% a/a. Em fevereiro, essa métrica sofreu uma leve revisão altista (de 63 mil para 66 mil). Já para o JOLTS (métrica de demanda por mão de obra), o resultado foi de 6,88 milhões em fevereiro ante expectativas de 6,89 milhões, uma queda de 358 mil vagas em relação a janeiro (7,24 milhões), o que confirmou o mercado de trabalho norte americano mais fraco no primeiro bimestre do ano, com março apresentando os primeiros sinais de dados mais promissores.

O resultado do payroll de março contribuiu para tirar um pouco da pressão sobre o mandato dual (emprego e inflação) do banco central norte americano (Federal Reserve), com a autarquia podendo agora direcionar mais o seu foco para os riscos inflacionários altistas provenientes do conflito no Oriente Médio uma vez que o balanço de riscos se tornou claramente assimétrico para o lado da inflação por conta de os preços do petróleo acima de US$ 100/barril poderem adicionar entre 0,5 e 1,0 ponto de porcentagem à taxa de inflação cheia.

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