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Publicado em 03 de Agosto às 14:59:20

PCE (Jun/26): Inflação surpreende positivamente, mas consumo resiliente demanda cautela

A renda pessoal (personal income) registrou expansão de 0,2% m/m em junho, desacelerando em relação aos 0,7% m/m observados no mês imediatamente anterior e ficou abaixo da expectativa consensual de mercado de avanço de 0,3% m/m (Bloomberg). Por sua vez, a renda pessoal disponível (disposable personal income) apresentou alta de 0,2% m/m (+US$ 48,3 bi anualizado). Em termos reais, contudo, a renda disponível apresentou expansão de 0,3% m/m, acelerando em relação aos 0,2% m/m de maio, beneficiada pela deflação registrada pelo índice cheio do PCE no período. A alta da renda refletiu principalmente o crescimento dos salários do setor privado, das receitas com dividendos e juros e dos benefícios sociais, com destaque para Medicare e Social Security. Esses movimentos foram parcialmente compensados pela queda da renda dos proprietários rurais, associada ao cronograma de pagamentos do American Relief Act de 2025.

Por sua vez, os gastos com consumo pessoal (personal consumption expenditures) avançaram 0,3% m/m em junho, vindo ligeiramente pior do que o esperado pelo mercado (0,4% m/m, Bloomberg) e desacelerando significativamente em relação ao crescimento de 0,9% m/m observado em maio. Em termos reais, o consumo cresceu 0,4% m/m pelo segundo mês consecutivo, ficando em linha com o consenso de mercado (Bloomberg) e reforça a percepção de que a demanda das famílias permaneceu robusta no encerramento do segundo trimestre. O avanço nominal de US$ 65,2 bilhões foi concentrado nos serviços, que adicionaram US$ 58,2 bilhões, enquanto os gastos com bens cresceram US$ 7,0 bilhões. Entre os principais destaques positivos estiveram saúde, veículos e peças, serviços financeiros e seguros e bens recreativos, parcialmente compensados pela queda de US$ 48,1 bilhões nos gastos com gasolina e outros bens energéticos.

Em relação ao índice de preços de gastos com consumo (PCE price index), o índice cheio apresentou deflação de 0,1% m/m em junho, em linha com o consenso de mercado, revertendo a alta de 0,5% m/m observada em maio e registrando a leitura mais baixa desde abril de 2020. Na comparação interanual, a inflação desacelerou de 4,1% a/a para 3,7% a/a, também em linha com as expectativas de mercado. Por sua vez, o núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, surpreendeu positivamente ao avançar apenas 0,1% m/m, abaixo do consenso de alta de 0,2% m/m (Bloomberg) e dos 0,3% m/m registrados no mês anterior. Em 12 meses, o núcleo desacelerou de 3,4% a/a para 3,3% a/a, permanecendo, contudo, significativamente acima da meta de 2,0% do Fed.

A composição do resultado trouxe sinais de moderação da inflação em junho, ainda que parte relevante da melhora tenha refletido a reversão dos preços de energia. A inflação de bens saiu de uma alta de 0,4% m/m em maio para uma queda de 0,6% m/m, resultado explicado principalmente pela deflação de 1,0% m/m dos bens não duráveis, após avanço de 0,7% no mês anterior. Dentro desse grupo, os preços de energia recuaram 5,9% m/m, revertendo parcialmente a alta de 4,0% registrada em maio, enquanto os preços de alimentos aceleraram de 0,1% para 0,3% m/m. Já os bens duráveis permaneceram praticamente estáveis pelo segundo mês consecutivo (0,0% m/m). O alívio, contudo, não ficou restrito aos componentes mais voláteis. A inflação de serviços desacelerou de 0,5% m/m em maio para apenas 0,1% m/m em junho, contribuindo para que o núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, também arrefecesse de 0,3% para 0,1% m/m. Dessa forma, a combinação entre estabilidade dos bens duráveis, forte desaceleração dos serviços e leitura mais benigna do núcleo sugere que, até o momento, o choque de energia não produziu um repasse disseminado para a inflação subjacente.

A poupança pessoal voltou a perder força em junho. As despesas pessoais avançaram US$ 70,0 bilhões, superando o crescimento de US$ 48,3 bilhões da renda disponível. Como resultado, a poupança recuou US$ 21,8 bilhões, para US$ 646,1 bilhões na métrica anualizada, enquanto a taxa de poupança caiu de 2,8% para 2,7%, alcançando o menor nível desde junho de 2022. A combinação entre consumo real robusto e crescimento mais moderado da renda indica que parte da expansão recente dos gastos vem sendo sustentada pela redução da poupança, dinâmica que pode limitar a manutenção desse ritmo caso o mercado de trabalho e a renda salarial percam força nos próximos meses.

De modo geral, avaliamos que os dados divulgados hoje apresentaram uma composição favorável pelo lado da inflação, com deflação do índice cheio e uma leitura do núcleo abaixo do esperado, sem evidências claras de disseminação do choque de energia para o restante da economia. Entretanto, o avanço de 0,4% m/m do consumo real pelo segundo mês consecutivo, combinado com a retomada das pressões sobre o petróleo, sugere que os riscos inflacionários permanecem relevantes. Dessa forma, o resultado reduz a urgência de um aperto monetário imediato, mas não é suficiente para afastar o risco de novas altas de juros caso o conflito no Oriente Médio volte a pressionar os índices cheios e produza efeitos mais persistentes sobre as expectativas e a inflação subjacente. Em nossa avaliação, os dados seguem consistentes com a manutenção de uma postura cautelosa pelo Fed nas próximas reuniões e são consistentes com a nossa expectativa atual de manutenção da Feds Fund rate no atual patamar ao longo de 2026.

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