A renda pessoal (personal income) avançou 0,4% m/m (US$ 89,3 bilhões) em abril, vindo pior que o consenso de mercado que aguardava por uma expansão de 0,5% m/m. Além disso, a renda pessoal disponível (disposable personal income) apresentou alta ligeiramente menor de 0,3% m/m (US$ 48,3 bilhões). Por fim os gastos com consumo pessoal (personal consumption expenditures) avançaram 0,9% m/m, surpreendendo positivamente o mercado que aguarda por uma expansão de 0,7% m/m.
Em termos reais, a renda pessoal disponível ficou próxima a estabilidade ao avançar menos que 0,1% m/m em abril, enquanto isso os gastos com consumo pessoal apresentaram expressivo avanço de 0,7%. Este resultado refletiu a combinação das expansões de 1,0% m/m e 0,5% m/m no consumo de bens e serviços, respectivamente.
O índice de preços de gastos com consumo (PCE price index) apresentou desaceleração na margem ao avançar 0,2% m/m, ante expansão de 0,9% m/m no mês anterior, ficando em linha com as expectativas de mercado. Por sua vez, o núcleo (excluí alimentos e energia) apresentou pelo terceiro mês consecutivo avanço de 0,3% m/m na margem, também ficando em linha com o consenso de mercado. Em 12 meses, o índice headline acumulou alta de 6,3%, ao desacelerar 0,3 p.p. em relação à leitura anterior. Os destaques vão para a alta de 30,4% nos preços da energia e 10,0% nos preços de alimentos. Já o núcleo acumulou alta de 4,9%, em linha com a projeção mediana de mercado.
O aumento de US$ 152,3 bilhões nos gastos com consumo pessoal em valores correntes refletiu os crescimentos de US$ 103,7 bilhões nos gastos com serviços e de US$ 48,6 bilhões nos gastos com bens. No que diz respeito aos gastos com serviços, as altas foram bastante disseminadas, com destaque para o gasto com serviços de bares e restaurantes; e hotelaria e lazer. Já os gastos com bens foram liderados pelos gastos com veículos e partes.
O forte avanço dos gastos com consumo pessoal surpreendeu positivamente o mercado, sinalizando que as famílias americanas seguem com um forte apetite por consumo, mesmo diante do elevado nível inflacionário da economia. Entretanto, vale destacar que a dinâmica inflacionária, que vem corroendo o poder de compra das famílias tem apresentado um significativo impacto no perfil de consumo das famílias, que passaram a concentrar seu consumo em serviços, sobretudo ligados à atividade de lazer.
As despesas pessoais avançaram US$ 155,3 bilhões em abril. A poupança pessoal recuou em relação ao mês de março (US$ 922,3 bilhões) ao alcançar o patamar de US$ 815,3 bilhões, de modo que, a taxa de poupança pessoal como proporção da renda disponível saiu de 5,0% para 4,4% no mesmo período.