No final da noite de hoje, teremos o anúncio da primeira decisão de política monetária do Copom sob a gestão de Gabriel Galípolo e com uma composição majoritariamente indicada pelo presidente Lula da Silva. Embora haja um amplo consenso entre os investidores de que o BC siga o guidance dado na reunião de dezembro, ou seja, de que a Selic seja elevada em 100 bps, as atenções estarão totalmente voltadas para buscar nuances no comunicado que indiquem a extensão ou até mesmo a velocidade de futuras altas na taxa Selic.
Apesar dos discursos recentes indicarem que a autarquia tem como objetivo máximo a convergência da inflação no horizonte relevante e a ancoragem das expectativas para as suas respectivas metas, os modelos sugerem que o atingimento dessas metas demanda a elevação da taxa Selic para cerca de 18,0% a.a. Esse aumento dos juros contribuiria para o processo de desinflação através de dois canais principais. O primeiro seria por meio de uma expectativa de apreciação cambial por conta do aumento do diferencial de juros entre o Brasil e as principais economias.
Por sua vez, o segundo canal seria através da desaceleração da economia brasileira, promovendo um desaquecimento do mercado de trabalho e consequentemente menos impulso de demanda, sendo este o mais importante entre os fatores. Sinais de perda de dinamismo da economia já podem ser observados nos dados do último trimestre de 2024 e corroboram a expectativa de desaceleração da economia em 2025 que pode ser agravado por um ciclo mais intenso de contração da política monetária.
Ao longo dos próximos meses, principalmente após a reunião de março em que as decisões de política monetária não terão mais influência da gestão anterior, o BC estará diante de um dilema: promover a convergência da inflação e a ancoragem das expectativas ou forçar uma desaceleração da economia às vésperas de uma corrida presidencial. As atenções de todos os investidores estarão voltadas para qual escolha será feita por Galípolo.