Economia

Publicado em 25 de Março às 11:54:44

Ata aponta para cenário desafiador

Ontem, tivemos a divulgação da ata da reunião do Copom de março, cuja decisão de política monetária foi de elevar a Selic em 1,0 p.p. para 14,25% a.a. e indicou um novo movimento de alta em menor magnitude na reunião de maio. De modo geral, o documento confirmou o tom ligeiramente mais duro do comunicado da semana passada, indicando que a diretoria possui o correto diagnóstico em relação aos desafios que enfrentará nos próximos meses para fazer com que a inflação convirja para a meta.

Um dos principais pontos foi a análise da atividade econômica. Apesar de dados recentes mostrarem dinamismo, há sinais incipientes de moderação no crescimento. O BC destacou incertezas quanto ao PIB, com revisões e sazonalidade nas leituras passadas, indicadores mistos no presente e expectativa de forte crescimento agrícola no 1º trimestre e seus spill-overs sobre os demais setores da economia.

O comitê reiterou que a desaceleração econômica é essencial para a convergência da inflação à meta.  A moderação do crescimento está em linha com o cenário-base do BC, que acredita ser necessário o arrefecimento da demanda agregada para equilibrar a oferta e a demanda da economia.

As expectativas de inflação se desancoraram adicionalmente, tornando o cenário mais desafiador. O BC enfatizou que isso aumenta o custo da desinflação, exigindo maior restrição monetária por mais tempo. Nesse contexto, o documento reforçou a importância de manter os canais de política monetária desobstruídos e sem elementos mitigadores para a sua ação, ressaltando a importância de maior harmonia entre as políticas monetária e fiscal.

Por fim, o comitê justificou a sinalização dada na semana passada de uma nova alta, ainda que em menor magnitude, na reunião de maio. Primeiramente, dado o cenário adverso para a dinâmica da inflação, julgou-se apropriado indicar que o ciclo de alta não está encerrado. Em segundo lugar, dadas as defasagens inerentes ao ciclo atual, o comitê avaliou como apropriado indicar que o próximo movimento seria de menor magnitude. Por fim, diante do elevado grau de incerteza da economia, optou-se por não indicar a magnitude do próximo movimento. Para além da próxima reunião, o comitê reforçou que a magnitude total do ciclo será ditada pelo firme compromisso em levar a inflação à meta.

Em nossa avaliação, o documento reforça o comprometimento do BC em seguir com a alta da Selic nas próximas reuniões. Considerando nossa previsão de recuperação da economia no 1º trimestre e uma dinâmica inflacionária adversa, mantemos nossa projeção de Selic de 15% a.a. no fim do ciclo, decorrente de altas de 0,5 p.p. e de 0,25 p.p. nas próximas duas reuniões do Copom.

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