Economia

Publicado em 23 de Março às 18:47:05

Ativos globais se recuperam com sinal de desescalada entre EUA e Irã

Os ativos globais registraram recuperação ao longo do dia de ontem, em meio à sinalização de desescalada do conflito no Oriente Médio. O movimento refletiu o anúncio do presidente americano, Donald Trump, de que ataques à infraestrutura energética iraniana seriam adiados por cinco dias, devido aos avanços registrados nas negociações ao longo do último final de semana. A declaração surpreendeu os investidores em um momento de forte aversão ao risco frente à intensificação de ataques realizados pelo Irã ao longo dos últimos dias e da possibilidade de envio de tropas americanas à ilha de Kharg. Nesse sentido, o petróleo registrou recuo de mais de 11,0% ao longo do dia de ontem e o Ibovespa um alta de mais de 3,0%.

Cabe destacar que essa melhora no humor ocorre após dias de intensa deterioração dos ativos e falas mais duras de dirigentes de bancos centrais globais frente ao risco de inflação imposto pelo conflito. O bloqueio do estreito, somado aos bombardeios sobre instalações energéticas no Irã e aos danos em ativos relevantes da região – incluindo a planta de GNL de Ras Laffan, no Catar -, havia ampliado os receios de choque de oferta, aceleração inflacionária e impactos indiretos sobre cadeias globais de suprimento, inclusive de alimentos através da forte alta registrada na cotação de fertilizantes. Segundo a Agência Internacional de Energia, mais de 40 instalações de energia no Oriente Médio foram danificadas, sugerindo que os efeitos sobre a oferta podem persistir mesmo em um cenário de cessar-fogo.

Apesar do alívio observado nos mercados, o quadro segue altamente instável. Trump reiterou que a suspensão dos ataques depende do sucesso das tratativas em andamento, enquanto o Irã mantém retórica agressiva e continua ameaçando ampliar a destruição de infraestrutura estratégica na região. Ao mesmo tempo, Israel e EUA seguem indicando disposição de intensificar a pressão militar caso não haja avanço concreto. Em outras palavras, a forte queda do petróleo e a recuperação dos ativos globais refletem, por ora, uma reprecificação de um cenário extremo de escalada imediata – e não uma normalização definitiva do quadro geopolítico. Dessa forma, seguimos avaliando que o conflito ainda impõe riscos inflacionários para as principais economias e pode fazer com que bancos centrais desenvolvidos tenham que recalcular as suas rotas.

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