Economia

Publicado em 05 de Fevereiro às 17:20:12

Banco Central Europeu e da Inglaterra mantém taxas de juros inalteradas, mas retomada dos cortes de juros pode estar próxima

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu pela manutenção das três principais taxas de juros de referência (depósitos, refinanciamentos e empréstimos) nos patamares de 2,00%, 2,15% e 2,40% ao ano.

Embora a inflação em doze meses tenha desacelerado para 1,7% a/a em janeiro ante expectativa de 1,8% a/a, existe a expectativa de que os preços se estabilizem em torno da meta de 2,0% ao longo desse ano, uma vez que a medida de núcleo da inflação que exclui os preços de energia e alimentos registrou alta de 2,2% a/a no mesmo período após fechar 2025 com uma variação de 2,3% a/a.

Dois fatores podem ter contribuído para essa desaceleração da inflação europeia observada nesse início de ano. O primeiro deles é a apreciação do Euro decorrente da perda de valor do dólar (DXY) no mercado financeiro internacional, o que tende a baratear as importações. Já o segundo diz respeito a mudanças sofridas na metologia de cálculo do índice harmonizado de preços ao consumidor. O HICP passou a seguir a nova Classificação Europeia de Consumo Individual por Finalidade, tendo também o seu período de referência atualizado.

Contudo, vale ressaltar que não é só a inflação corrente que está surpreendendo para baixo. As previsões do próprio BCE estão apontando para um “undershooting” da inflação em 2026 (1,9%) e 2027 (1,8%). Isso pode levar a autoridade monetária a retomar o ciclo de corte de juros em algum momento desse ano, principalmente caso a atual trajetória de valorização da moeda persista ou se intensifique.

Já o Comitê de Política Monetária (MPC) do Banco da Inglaterra (BoE) optou por manter os juros estáveis em 3,75% ao ano, numa decisão de caráter mais “dovish”.

Assim como na reunião anterior, houve dissidência entre os diretores acerca da melhor ação a ser tomada em relação a condução da política monetária, mantendo o placar dividido de 5 integrantes apoiando a manutenção e 4 votando por um corte de 25 pontos base.

Essa tênue maioria a favor da estabilidade dos juros pode se desfazer a qualquer momento com algum sinal de retomada do processo de desinflação ou de atividade/emprego mais fraco. E, de fato, as revisões feitas pelo próprio BoE apontam nessa direção. A projeção de inflação para esse ano foi cortada significativamente, de 2,8% para 2,1%, enquanto a estimativa de crescimento do PIB saiu de 1,2% para 0,9% em 2026, e de 1,6% para 1,5% em 2027.

Contudo, assim como no caso do seu homólogo europeu (BCE), o banco central inglês também projeta um “undershooting” da inflação, sendo que para o início de 2027 (1,7%) e de 2028 (1,8%). Isso impõe um viés baixista para as apostas envolvendo a taxa de juros do Reino Unido.

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