Economia

Publicado em 28 de Janeiro às 19:37:08

Bancos centrais mantém as suas respectivas taxas de juros inalteradas

O banco central norte-americano (Federal Reserve) manteve a taxa de juros (Fed Funds rate) inalterada no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano em decisão que já era amplamente esperada.

Conforme prevíamos a decisão não foi unânime, com o diretor indicado recentemente pelo presidente Trump, Stephen Miran, votando novamente por um corte de juros, só que dessa vez de 25 pontos base ao invés de 50 bps. Outra divergência veio do membro do board do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), Christopher Waller (um dos nomes cotados para assumir a presidência do FED a partir de maio e também indicado por Trump no seu 1º mandato em 2020), que optou por votar novamente por um corte de 25 bps, dando continuidade ao ciclo iniciado em setembro.

No tocante ao comunicado, a principal mudança ocorrida foi o reequilíbrio do balanço de riscos. Os dirigentes deixaram de reconhecer o risco de piora do mercado de trabalho, tendo sido observados sinais de estabilização ao mesmo tempo em que os riscos altistas para a inflação diminuíram. Esses desenvolvimentos são positivos tanto para o FED alcançar o seu mandato dual como para o cenário macroeconômico mais amplo como um todo.

A proximidade do anúncio do novo presidente do FED por parte da administração Trump não deve mudar o plano de voo da autarquia para a condução da política monetária ao longo do ano. Devemos observar a retomada do ciclo de corte de juros somente em junho, com a segunda redução da taxa no ano ocorrendo no último trimestre, totalizando um afrouxamento monetário de apenas 0,50 p.p., o que levaria a Fed Funds rate a encerrar 2026 no intervalo entre 3,00-3,25%. Isso deve se manter mesmo no caso no qual o indicado a presidência tenha um perfil mais “dovish”.

Em relação ao banco central brasileiro, as apostas também estavam amplamente concentradas na manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 15,00% ao ano. A maior surpresa ocorreu no comunicado, que veio mais “dovish” do que o esperado. Isso ficou evidente em alguns trechos que foram alterados/adicionados.

No tocante ao cenário externo, foram destacados os “impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira”, numa clara menção a desvalorização recente do dólar no mercado financeiro internacional e a subsequente valorização do real. Esse ponto evidencia uma mudança de estilo no comunicado com a nova diretoria, visto que a anterior nunca mencionava a questão cambial de forma mais explícita.

Já no que diz respeito ao cenário doméstico, a principal mudança empreendida foi a retirada de ambos os trechos que mencionavam a exigência de “uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”. O Comitê reconheceu que essa estratégia já cumpriu bem o seu papel e optou por instaurar um “forward guidance” de corte de juros para a próxima reunião de março, mas deixando em aberto a magnitude (25 ou 50 bps).

Apesar dessa sinalização mais explícita por parte do Copom de que irá iniciar o ciclo de afrouxamento monetário em março, ainda vemos um primeiro corte de 25 bps, embora reconheçamos que a chance de um corte de 50 bps aumentou consideravelmente.

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