Economia

Publicado em 02 de Fevereiro às 16:54:56

Cenário internacional benigno para a inflação brasileira

Após um final de 2024 extremamente difícil, quando o Real desvalorizou mais de 10% em menos de dois meses, forçando o Banco Central a vender US$ 30 bilhões das reservas do país, aumentou a taxa de juros em 1 ponto de porcentagem em dezembro e anunciou pelo menos mais dois aumentos da SELIC de mesma magnitude, nas duas reuniões seguintes do Copom. No final o Banco Central levou a SELIC para 15,0% ao ano.

Ao mesmo tempo, ao contrário do Banco Central, o governo continuou implementado uma política fiscal expansionista, déficit primário próximo a 0,5% do PIB ao longo de 2025, a relação dívida pública/PIB atingiu 78,9% no final do ano.

O comportamento da taxa de inflação na economia brasileira em 2025, surpreendeu analistas e investidores. O último trimestre de 2024, foi particularmente difícil para o Brasil, com fuga de recursos do país, desvalorização do Real frente ao Dólar (passando de R$ 5,30 por Dólar para R$ 6,30 por Dólar, e forçou o Banco Central a vender US$ 30 bilhões e adotar uma política monetária fortemente contracionista, elevando a taxa de juros a 15,0% ao ano no início de 2025.

Além de uma política monetária extremamente contracionista, combinado a uma política fiscal também extremamente expansionista, dois fatores têm contribuído de forma significativa para a trajetória de desaceleração das taxas de inflação na economia brasileira.

O cenário externo tem sido bastante positivo para o combate à inflação no Brasil e em outros países emergentes. Em primeiro lugar, a forte desvalorização do Dólar no mercado financeiro global, relacionada às idas e vindas das políticas erratas implementadas pelo Presidente Trump desde sua posse. Estas idas e vindas têm aumentado fortemente a volatilidade dos rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos, induzindo os investidores a buscarem ativos menos voláteis, tais como ativos reais como ouro e prata, mas também em títulos públicos de países emergentes exportadores de commodities. O resultado foi valorização das moedas destes países, inclusive o Real, com forte efeito desinflacionário nestas economias.

Um segundo ponto importante, é a deflação vivida pela economia chinesa já há alguns anos, em especial, o excesso de oferta e consequente queda generalizada dos preços de bens industriais. Em outras palavras, a China está exportando deflação, o que favorece a desinflação na economia mundial e, portanto, na economia brasileira.

Com um processo deflacionário nas duas maiores economias do mundo, é pouco provável que a taxa de inflação acelere, mesmo diante de políticas expansionistas. O custo desta combinação, política monetária contracionista e política fiscal expansionista, uma taxa de juros extremamente elevada, tanto nominal quanto real.

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