Em janeiro, o saldo das operações de crédito avançou 10,1% a/a, desacelerando levemente frente aos 10,3% a/a do fim de 2025 e abaixo dos 11,8% a/a registrados em jan/25. O estoque total do Sistema Financeiro Nacional recuou marginalmente para R$ 7,12 trilhões. O resultado refletiu alta de 8,3% a/a no crédito para pessoas jurídicas (PJ) e de 11,1% a/a para pessoas físicas (PF), com expansão de 8,3% a/a no crédito livre e de 12,6% a/a no direcionado.
Na margem, as concessões com ajuste sazonal cresceram 1,5% m/m, com altas de 1,8% m/m no crédito livre e de 2,8% m/m no direcionado. A média móvel trimestral avançou 2,1%, dando sequência ao desempenho positivo do fim de 2025. No crédito livre para PF, as concessões subiram 9,4% a/a, com destaque para o consignado privado (419,5% a/a), enquanto para PJ avançaram 10,1% a/a, impulsionadas principalmente por capital de giro (86,9% a/a). A taxa média de juros atingiu 32,8% a.a., maior nível desde out/16, e a inadimplência no crédito livre alcançou 5,5%, maior patamar desde ago/17.
De modo geral, os dados de crédito de janeiro permanecem compatíveis com o atual estágio de aperto monetário, sugerindo uma trajetória de arrefecimento bastante gradual na comparação com 2025. Ainda assim, avaliamos que o mercado de crédito segue resiliente, com expansão interanual ainda robusta. A nosso ver, esse desempenho reflete sobretudo o descasamento entre as políticas monetária e fiscal, que tem sustentado uma resiliência da atividade acima do padrão mesmo diante de uma política monetária significativamente restritiva. Sob a perspectiva de afrouxamento do ciclo monetário ao longo dos próximos meses, esperamos que o mercado de crédito siga apresentando uma trajetória de arrefecimento bastante gradual, beneficiada por uma taxa de juros menos contracionista e um mercado de trabalho aquecido que, em conjunto da modalidade do consignado do setor privado, devem favorecer as concessões em 2026.
